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Além de “Round 6” e BTS: cultura pop faz com que mato-grossenses busquem aprender coreano

Da Redação - José Lucas Salvani

24 Out 2021 - 14:00

Foto: Reprodução

Além de “Round 6” e BTS: cultura pop faz com que mato-grossenses busquem aprender coreano
BTS, “Parasita” e “Round 6” são termos que há alguns anos poucas pessoas poderiam saber do que se tratam, mas o cenário mudou em cerca de dois anos. BTS domina atualmente as paradas de sucesso e lotam estádios ao redor do mundo; “Parasita” venceu o Oscar de Melhor Filme em 2019; e “Round 6” atingiu mais de 140 milhões de casas, se tornando a produção mais assistida na história da Netflix.

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A explosão destes nomes faz com que milhões de pessoas passem a ter contato com uma cultura que nunca conheceram e, alguns, se encantam ao ponto de mergulhar de cabeça. O cinema sul-coreano ainda não é tão forte neste sentido, apesar de ser aclamado pelos críticos, mas os doramas (jargão utilizado para denominar séries asiáticas) e o k-pop conseguem fãs de todos os lugares do mundo.

BoA foi uma das primeiras artistas de k-pop a ultrapassar as fronteiras, fazendo sucesso no Japão e investindo em uma carreira nos Estados Unidos nos anos 2000.

Daiane Marafon é uma delas. A mato-grossense de 24 anos conheceu o universo dos doramas em 2018 depois de muita insistência de sua irmã, por meio de “Drama World”, uma série que brinca muito com o gênero. Inicialmente, Daiane não foi conquistada logo de cara, mas ao assistir “Something in The Rain”, da Netflix, ficou apaixonada e desde então não parou de consumir produtos asiáticos, chegando até grupos de k-pop como LOONA.

Enquanto Daiane conheceu a cultura pop sul-coreana por meio de k-dramas, a cuiabana Stéfanie Sande, escritora do livro “Virgínia”, teve seus primeiros contatos com o k-pop. Ela já conhecia o gênero há alguns anos, mas quando ouviu “Boy With Luv”, do grupo BTS com a cantora Halsey, em outubro de 2020, é claro, se apaixonou.



O interesse das duas pela cultura foi tamanha que optaram por buscar cursos online para aprender o idioma, visto que a capital mato-grossense não possui qualquer escola que ofereça aulas. Stéfanie, inclusive, buscou por um curso oferecido pela Embaixada da Coreia do Sul no Brasil, motivada a entender cada vez o que os sete integrantes do BTS estavam cantando.

Já Daiane, que sempre gostou de conhecer outras culturas e línguas, começou a ter um maior encantamento pelo idioma coreano, o hangul, quando percebeu que havia inúmeras diferenças no discurso. Há várias regras sociais que influenciam na forma que um indivíduo direciona sua fala para outro, por exemplo.

“Eu sempre gostei muito de outras culturas e línguas. Sempre achei muito legal - principalmente culinária. O que me fascinava nos doramas era a relação com a comida, a forma que falam. Quando descobri que tinha diferenças de discurso, conforme com quem você conversa [idade, homem ou mulher], por questão de respeito ou intimidade, eu fiquei fascinada. Depois comecei a prestar atenção nos diálogos [para entender a diferença]”.

A relação de Daiane ultrapassa o idioma e chega até a culinária. É muito comum que ela se arrisque a fazer algum prato tipicamente sul-coreano, como o kimchi, uma acelga picante. O prato é tão tradicional que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), considera o seu modo de preparo  Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Tanto Daiane quanto Stéfanie passaram a consumir a cultura pop sul-coreana em meio a uma curva crescente da onda hallyu pelo mundo. Não é a primeira vez que essa cultura conquista novos espaços - é só lembrar da febre de “Gangnam Style”, do PSY, e suas bilhões de visualizações - mas os últimos três anos tem se mostrado bem importantes para a difusão dessa cultura ao redor do mundo.



Em fevereiro de 2019, o mundo se surpreendeu ao ver “Parasita”, um filme sul-coreano dirigido por Bong Joon-ho, vencer o maior prêmio da sétima arte, o Oscar de Melhor Filme. Já em 2020, BTS conseguiu o marco histórico de ficar em primeiro lugar nas paradas da Billboard com “Dynamite”, que inclusive tocou muito nas rádios cuiabanas. Por fim, em 2021, “Round 6” se consagrou como a produção mais assistida da Netflix.

Simone Savi, uma das fundadoras da K4US, um dos principais portais sobre cultura sul-coreana no Brasil, acredita que o interesse pelo k-pop e k-dramas pelos brasileiros está relacionado à falta de fomento da cultura pop brasileira. Por não encontrar artistas, filmes e séries de televisão que lhe agradem ou representem de alguma forma, os jovens buscam em outros países o que gostariam de consumir.

Além do BTS, BLACKPINK também é um dos principais grupos de k-pop da atualidade, com bilhões de visualizações no YouTube.

“Determinadas demandas as nossas produções não atendem. Então você fica com um público carente, principalmente o jovem. No Brasil, temos um perfil muito estabelecido e fixo de gênero e gosto, o que faz com que coisas novas dificilmente ganhem espaço para fazer sucesso. Acaba que o jovem, o público-alvo, procura em outros países. Como na Coreia do Sul, há um incentivo de cultura muito grande, acaba tendo mais força, inclusive para divulgar em outros países”.

Round 6

“Round 6” traz a história de Seong Gi-hun (Lee Jung-jae), um homem que está afundado em dívidas. Um dia voltando para casa, encontra no metrô um homem misterioso que lhe convida a participar de um jogo cujo prêmio em dinheiro pode mudar sua vida. Ao participar do primeiro desafio, percebe que está em um jogo que aposta em brincadeiras infantis, mas com resultados mortais.

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