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Sexta-feira, 19 de julho de 2024

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guilherme menegucci

Conheça o vencedor do sorteio da cestinha literária com obras de autores marginais de Mato Grosso

Foto: Reprodução

Conheça o vencedor do sorteio da cestinha literária com obras de autores marginais de Mato Grosso
Eles são os renegados, marginalizados, que muitas vezes possuem uma linguagem urbana, da rua, crua, nua, desnuda. Mas, nem por isso deixam de ser gigantes da literatura e é para desbravar as páginas destes que estão fora das Academias e dos circuitos comerciais, que o Olhar Conceito realizou um sorteio com livros de escritores de Mato Grosso. E nesta quarta-feira (26), conhecemos o vencedor Guilherme Cesar Menegucci vai levar para casa a cestinha literária e terá o prazo de uma semana, que se encerra no dia 2 de abril para buscá-la na sede do Olhar Direto em Cuiabá, no Edifício Goiabeiras Executive Center, Avenida Lavapés, número 212, terceiro andar, sala 301.


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Compõe a lista dos livros sorteados nesta cestinha literária:


“Deus de Caim” de Ricardo Guilherme Dicke
“Scarlet e o Branco” de Eliete Borges Lopes
“Subterfúgios Urbanos” de Wuldson Marcelo
“Eu nóia” de Eduardo Ferreira
“Matrinchã do Teles Pires” de Luiz Renato
“Bugrinho – que menino é esse?” de Daniela Freire
“8ITO” de Danilo Fochesatto
“É” de Matheus Jacob
“I Love NY” de Teca Machado

Ricardo Guilherme Dicke com Deus de Caim é um destes maiores expoentes, apesar de ser exaltado ao tamanho dos maiores por Guimarães Rosa, Jorge Amado e Hilda Hilst, na sua própria terra, não chegou a receber os louros da sua arte.

São viagens ao eu interno do escritor como em Scarlet e o Branco:

“Desmoronar de mundos
caindo surdos
sem habitantes
e seus passantes.
Aos que me amam: minhas invertebradas certezas”, discorreu a escritora Eliete Borges Lopes, que com maestria perpassou por um universo que revela sua própria essência em meio ao caos de viver. Escritora e poeta de Cuiabá, que precisa ser desvendada pelos leitores da terra.

“temo não sair vivo dessa história sei que penso demais sem parar mas é assim que sou e fico tentando preencher seu tempo tentando preencher seus vácuos seus intestinos vazios para que você se borre se cague se defeque todo e nada mais seja que uma borra fétida ocupando espaços enormes nas latrinas das praças das lojas dos bares rodoviárias cinemas bibliotecas”, vomita em um fluxo literário o escritor, poeta e multiartista como se intitula o próprio, Eduardo Ferreira do bando Caximir, causador de polêmicas e efervescências culturais, em seu livro “Eunoia”.

Ou então se aventurar pelas quase crônicas dos “Subterfúgios Urbanos” do escritor Wuldson Marcelo que não se atém ao olhar único do escritor e se metamorfoseia em diversas vozes da narrativa que se encontram para traçar um retrato da Cuiabá contemporânea violenta sedenta, em busca de amor e compreensão. As palavras não serão poupadas.

“Na rede Lázaro. Zumbidos. O irmão morto na rede. O mundo rodeando sua roda indiferente. As moscas voavam lentas e pousavam na cara dele. Não se importava, Lázaro morto, narinas paradas. Todos os telégrafos diziam: Lázaro morreu e vai ser enterrado. Para sempre. Antigamente, diziam, havia a ressurreição. Agora não. Agora a sombra que abandona este reino de sombras, caminha para sempre só, num outro reino de sombras ainda mais solitárias. Só, como um rei perdido, só, sem reinado, na essência redonda da morte. Tão fácil, morrer”, assim se inicia a obra “Deus de Caim” de Dicke.

Sem reinado, sem voz, sem coração. Apenas as palavras que podem permanecer eternas após o corpo se desvencilhar da terra. E um brinde aos marginais que sobrevivem em suas letras mesmo que possam contar apenas com o que vivem em cada um, nas ruas, nos olhares desalentadores.
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