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Sexta-feira, 19 de julho de 2024

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Engenheira agrônoma de Cuiabá cria marca de velas aromáticas em potes que podem ser reutilizados

Foto: Reprodução

Engenheira agrônoma de Cuiabá cria marca de velas aromáticas em potes que podem ser reutilizados
Como engenheira agrônoma, área que atua desde que se formou, em 2018, Lethicia Souza Ferracin, de 28 anos, não conseguia vislumbrar muitas possibilidades de expressar sua criatividade, já que a profissão exige um trabalho mais técnico. A vontade de ter o próprio negócio e a urgência de externar a personalidade em um trabalho manual, fez com que Lethicia mergulhasse de cabeça no mundo das velas aromáticas. 


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“Precisava de algo para externar minha personalidade, gosto de fazer trabalhos manuais, sempre gostei. Sempre estava fazendo algo, tentando bordar ou macramê, por exemplo, sempre algo fora da minha área. Sempre gostei de mexer no Illustrator, sempre fiz logo para as pessoas mais próximas, só que era algo difícil de conciliar com minha profissão”. 

A busca criativa fez com nascesse a Zélo, jogo de palavras com vela e zelo. Lethicia conta que com as velas espera passar aos clientes a sensação de autocuidado. Pela experiência no campo como engenheira agrônoma, ela também teve o uso de produtos e essências biodegradáveis como uma das principais preocupações. 

“É o zelo com você mesmo, autocuidado e tempo de qualidade. É chegar em casa e relaxar, ter um tempo com a gente mesmo, acender uma vela e fazer skincare, por exemplo. Acho que a gente merece sim um tempo de pausa nessa correria louca. Faz diferente chegar em casa cansada e acender uma velinha, mas sou suspeita de falar, né? Eu amo”, brinca. 

Além da preocupação com o impacto que as velas produzidas artesanalmente por ela causaram no meio ambiente, Lethicia também tinha ambição de lançar um produto novo no mercado mato-grossense. Ela explica que queria uma vela aromática que realmente exalasse a essência proposta. 

Lethicia busca essências diferentes do usual como a Tropicália, com notas de laranja, manga e limão thaiti. (Foto: Arquivo pessoal)

No catálogo da Zélo, ela possui velas com cheiros variados, como a Tropicália, com notas de laranja, manga e limão thaiti. Lethicia também busca ser criativa nas essências que cria para as velas, como no Natal, quando produziu uma edição especial com cheiro de cookies (notas de caramelo, chocolate e patchouli). 

“Me preocupei muito com a qualidade do cheiro das velas, por isso que fui estudar para entender. Meu fornecedor inicial era uma revendedora, então ele pegava da fábrica, mudava um pouco para ter uma diluição melhor sem perder a qualidade e revendia. Mas eu acho que dava muita diferença de cheiro de um lote para o outro. Eu prezo para o cheiro exalar mesmo”. 

Atualmente, ela compra as essências que utiliza na marca de velas artesanais direto com uma fábrica. Para Lethicia, o fornecedor também foi uma das grandes conquistas na trajetória como empreendedora, já que os propósitos dele se alinham com o da Zelo com relação às questões ambientais. 

“Tenho um certificado de garantia agora das essências. A fábrica controla emissão de carbono, compensa emissão de carbono das entregas. Eles emitem uma quantidade de carbono e fazem o reflorestamento. O cuidado com a causa animal também está muito alinhado com meu propósito. Não adianta eu falar que tenho essa preocupação, mas meu materiais e fornecedores não”. 

Desejo de empreender 

A vontade de empreender sempre foi uma constante para Lethicia, que acompanha a trajetória dos pais na empresa de sistema de informação que eles comandam. Além dela, a irmã também concilia a carreira na Nutrição com a própria loja de roupas. Quando decidiu tirar a Zélo do plano dos sonhos, além de um lugar para depositar sua energia criativa, Lethicia queria ter algo que fosse dela.

“Foi um desejo de ter algo meu, sempre gostei de artesanato e buscava algo que conseguisse conciliar com minha carreira na agronomia. A vela foi algo que senti esse déficit aqui em Cuiabá, não conhecia empresas que fornecessem velas cheirosas e biodegradáveis”. 

Ela brinca que, no início, os pais estranharam o desejo pelas velas. Para eles, não fazia muito sentido vendê-las em uma cidade quente como Cuiabá. No entanto, Lethicia sempre recebeu o apoio que precisou para se dedicar à marca e, agora, comemora o orgulho dos pais em observar cada passo que ela dá com a Zélo.  


Linha de spray aromático é novidade da Zélo. (Foto: Arquivo pessoal)

“Hoje em dia eles ficam super empolgados, estão vendo que está dando certo e que empresas me convidam para fazer brindes, por exemplo. Fiz uma parceria com o ateliê Barro e Fogo. Quando eles começaram a ver o interesse das pessoas, se empolgaram. Agora querem me ajudar e participar também”. 

A Zélo nasceu em agosto do ano passado, quando Lethicia decidiu investir parte do dinheiro que tinha guardado após deixar o antigo emprego. Assim que comprou todos os materiais, foi chamada para o processo de seleção do atual trabalho. Mesmo assim, ela não deixou o sonho criativo para depois e decidiu tentar conciliar as duas coisas. 

“Faço a produção em um final de semana que tiro para isso e depois só vou repondo. A logo da Zélo foi eu quem fiz, eu que penso tudo. Sou eu e eu: faço a produção, faço as velas, vendo, entrego, cuido das redes sociais. Mas é gratificante e tem sido uma realização. Cada passinho que dou é uma afirmação de que estou dando certo e que sou capaz. É uma realização diferente do meu trabalho”. 

Para aprender a fazer as velas aromáticas biodegradáveis, Lethicia precisou estudar muito. Ela fez três cursos e confessa que não deixa de ler sobre o assunto para ficar sempre atualizada. Ela ainda contou com a ajuda do namorado, que é químico, para aprender sobre o processo de criação das velas. 

“Porque tem uma porcentagem certa que a cera aguenta, a temperatura certa para colocar a essência, a temperatura certa para colocar no pote… No começo achei que seria só derreter e fazer as velas. Mas, fiz o primeiro curso e vi que teria que me aprofundar mais. Agora tenho uma noção, mas estou sempre em busca de informação”. 

Vela biodegradável 

Diferente das velas que tradicionalmente são vendidas em supermercado, as artesanais produzidas pela engenheira agrônoma não levam parafina. Por conta da preocupação com o meio ambiente, Lethicia usa uma mistura de cera de coco, palma e arroz. 

A vela de mercado é oriunda do petróleo, não exala tanto cheiro… Fui atrás de material biodegradável para fazer diferente. É cruelty free (não tem produtos testados em animais) também, meu pavio é de algodão e quis fazer algo diferente, em um lugar que a pessoa pudesse reutilizar o recipiente e optei por velas no pote”. 

Com pouco tempo de marca, Lethicia já sonha com os próximos passos e não tem medo de ser ambiciosa. Ela planeja ter o próprio ateliê com espaço de loja, para que os clientes possam sentir de perto as deliciosas essências das velas feitas por ela. 

"É uma coisa olfativa, a pessoa precisa sentir. Comecei com vela e tenho home spray, quero aumentar as linhas da Zélo. Penso em dar cursos e oficinas também, porque é algo que não vemos aqui. Mas quero manter o caminho do ecológico”. 

As velas podem ser compradas pelo perfil da Zélo no Instagram, com valores que variam entre R$ 55 e R$ 70. 
 
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