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Sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

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Mesmo com versões digitais, livro físico não chegará ao fim, acredita escritor de Cuiabá

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Mesmo com versões digitais, livro físico não chegará ao fim, acredita escritor de Cuiabá
O mercado de ebooks - livros digitais - está cada vez mais forte. Segundo uma pesquisa anual feita pela consultoria Nielsen, em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional de Editores de Livros (via CNN), houve um aumento de 83% nas vendas de ebook em 2020, em comparação a 2019. Apesar do grande salto, o escritor e imortal da Academia Mato-grossense de Letras, Eduardo Mahon, defende que os livros físicos não estão com seus dias contados.

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“Acho que os livros de conhecimento científico, por exemplo, estão caminhando para serem todos digitais. Os livros de arte e literatura são difíceis de serem apenas digitais. O próprio artista faz questão de materializar sua obra. O livro é um objeto artístico. Só por essa fundamentação, o livro não acaba”, pontua Mahon. O escritor ainda ressalta que os livros são objetos sacralizados, utilizados em rituais religiosos, o que fortalece o seu permanecimento.

O imortal da AML possui um acervo que contabiliza por volta de 15 mil livros e não esconde sua preferência pelas versões físicas. “O livro é um corpo. Você está flertando com ele. O livro é meio que uma encarnação do autor. Ler digital é fantasmagórico. Você não cheira, sente ou ouve”, conta Mahon em entrevista ao Olhar Conceito.



Apesar da preferência, o escritor assume que os livros digitais são mais acessíveis. É muito comum encontrar em lojas virtuais a versão digital de uma obra por um preço mais baixo e há empresas que, inclusive, fazem planos de assinatura que dão acesso a um grande acervo, como a Amazon, proporcionando espaço para novos escritores publicarem suas obras.

“Estamos vivendo em tempos de polarização - ou isso ou aquilo. Acho que temos que deixar de ser exclusivista para ser inclusivo. Viva o livro digital! É um livro mais acessível”, defende o escritor.

Mesmo com valores geralmente mais baixos, Vitória Pires, de 24 anos, ainda tem preferência pela versão física. Ela começou a ler entre os 9 e 10 anos. Os primeiros contatos aconteceram na escola e logo muito jovem já lia “Dom Casmurro” e “Alice No País das Maravilhas”, e desde então nunca mais parou de procurar por obras, internacionais e nacionais, que pudessem despertar o seu interesse. 



Entre as 20 obras que leu entre janeiro e outubro de 2021, apenas cinco foram digitais. “Temos que nos adaptar às novas tecnologias, mas a experiência do livro físico é sem igual”, conta. “Eu realmente gosto dessa experiência de [comprar online], esperar o pedido, chegar em casa e eu sentir o cheiro de livro novo, marcar página e trechos que eu gosto", pontua ao Olhar Conceito.

Edson Xavier, proprietário do Raro Ruído, percebe que há uma diminuição pela procura dos livros físicos em sua loja, mas não aponta que o crescimento dos ebooks seja o único fator determinante. Para ele, as compras pelas lojas online também influenciam.

“Esse aumento de ebooks já acontece há algum tempo. Há uns três anos houve uma investida grande do segmento editorial, então já há muita oferta. Acho que isso não tenha afetado as vendas [em lojas físicas]. Acho que além dos ebooks, são as plataformas online, com compras diretamente e ofertas muito maiores. Isso faz com que haja uma diminuição nas vendas físicas, no nosso caso”.



A Livraria Janina, de Cuiabá, quando anunciou o fechamento de sua unidade no Pantanal Shopping, no primeiro semestre de 2021, explicou em uma nota que a decisão partiu de alguns fatores como o aumento das vendas online. Segundo a Janina, houve um aumento de 50% neste tipo de venda, após o investimento de novas tecnologias para melhorar a experiência dos clientes.

Vendas altas

O aumento de 83% da venda de ebooks ainda é pequeno quando comparado ao número dos livros físicos vendidos em 2020. A cada um livro digital vendido, outros 42 físicos foram vendidos, segundo uma reportagem veiculada pela CNN. São 8,4 milhões de ebooks contra 354 milhões das versões “tradicionais”.

Apesar da evidente força dos livros físicos, a pesquisa da Nielsen aponta que entre 2019 e 2020 a diferença na comparação diminui. Em 2019, era um ebook para 93 livros físicos.
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