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Quinta-feira, 04 de junho de 2020

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​Por que devemos fazer o exame de Risco Cirúrgico?

Dr. Juliano Slhessarenko

13 Ago 2018 - 14:43

Foto: Reprodução

​Por que devemos fazer o exame de Risco Cirúrgico?
Dona Josefa vem a sua primeira consulta com cardiologista para uma avaliação de risco cirúrgico. Ela tem 72 anos, hipertensa, diabética, dislipidemica e tem história de infarto do pai com 50 anos.Ela está com pressa quer operar logo de uma hérnia na coluna, uma cirugia que demora 04 horas com anestesia geral. Me diz na consulta que está ótima e que tem apenas um cansaço aos esforços, mas que toma todos os remédios regularmente.

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Explico para ela os perigos de uma anestesia na sua idade e a necessidade de fazer exames cardiológicos complementares, como uma angiotomografia coronariana. Ela sai muito brava e relutante mas  faz o exame. No retorno observo pelos exames que ela tem duas placas graves nas coronárias do coração  com risco de infarto iminentes. Explico que precisa realizar urgente o tratamento primeiramente do coração com revascularização usando Stents e após 06 meses reavaliar para poder tratar a coluna.

Esse é um caso típico que encontramos no consultório e  que as pessoas dão pouco valor ao risco cirúrgico. Mas oque devemos lembrar que como ocorreu neste caso e em outros estamos salvando vidas e evitando o infarto e morte.

Um dos pedidos mais comuns feitas aos cardiologistas  é avaliar os riscos cardíacos perioperatórios de cirurgia não cardíaca. Uma vez que o médico estima o risco de um paciente, ele ou ela pode ser capaz de aplicar medidas para diminuir o risco para o paciente e melhorar o resultado da cirurgia.

Frequentemente, nestes casos, uma avaliação é feita pela primeira vez para tratar os fatores de risco cardíacos no paciente submetido a cirurgia. Esta oportunidade é muitas vezes limitada por restrições de tempo e um breve contato com o paciente, especialmente se a cirurgia é semi-urgente ou pré-agendada em curto prazo.

O principal objetivo do risco cirúrgico  é avaliar o risco de infarto do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca (IC), parada cardíaca ou morte cardíaca durante o perioperatório, que são as causas mais comuns de morbidade e mortalidade com a cirurgia não cardíaca. A taxa de mortalidade dos pacientes no perioperatório com infarto do miocárdio prévio é substancial, variando de 30% a 50%.

Existem vários fatores a serem considerados na avaliação dos riscos cardíacos de anestesia e cirurgia. Estes são geralmente divididos em riscos relacionados ao paciente e específico da cirurgia e assim devem ser levados em consideração para a realização de exames cardiológicos específicos. Os fatores a serem considerados na avaliação do risco cardíaco:

1-Fatores relacionados aos pacientes

-Idade (>70 anos)
-As doenças crônicas (por exemplo, doença arterial coronariana, diabetes mellitus, hipertensão)
- Estado funcional
- Uso de medicamentos
- Os dispositivos implantáveis (como marcapasso)
- Cirurgias anteriores

2- Fatores relacionados à cirurgia

-Tipo de cirurgia (por exemplo, vascular, endoscopia, abdominal)
-Urgência da operação (por exemplo, emergência (<24 horas), urgente (>24 horas) ou eletiva)
-Duração da operação, possibilidade de perda de sangue e de fluidos
3- Fatores relacionados com o teste cardiológicos solicitados
- A sensibilidade e a especificidade de um teste cardiológico
 
O cardiologista deve juntar todos estes fatores citados previamente como tipo de cirurgia, características clínicas do pacientes e exames complementares cardiológicos (se necessários) e estipular o risco cardiológico. Que pode ser Baixo risco (chance de eventos <1%), Moderado Risco (chance de eventos <9%) e Alto Risco (chance de eventos <22%) segundo Goldman.


*Dr. Juliano é cardiologista intervencionista  da Santa Casa de Cuiabá (RQE- 2724) e atende na Clinmed (Coração em dia) Rua Jaques Brunini – Jd. Europa 36343888/999142255; no IOCI – Jardim Italia – 30277000; Doutor em Cardiologia pela USP.

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