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Domingo, 14 de julho de 2024

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Em Sandero 1.0, casal viaja 63 dias por MT: ‘Vila Bela é uma das mais lindas do Centro-Oeste'

Foto: Reprodução

Em Sandero 1.0, casal viaja 63 dias por MT: ‘Vila Bela é uma das mais lindas do Centro-Oeste'
No Sandero 1.0 que já viajou por países da América do Sul e centenas de estradas brasileiras, João Paulo Mileski e Carina Furlanetto, ambos de 35 anos, desbravaram Mato Grosso durante 63 dias de viagem. Para Carina, Vila Bela da Santíssima Trindade (562 km de Cuiabá) está na lista de cidades mais lindas do Centro-Oeste. 


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Durante a passagem por terras mato-grossenses, seis dias e cinco noites foram destinados a absorver a cultura pantaneira. João Paulo descreve o privilégio de terem dormido às margens da Transpantaneira, acordando com o nascer do Sol e ouvindo o canto dos pássaros. 

“Quisemos sentir o máximo possível da Transpantaneira, então fomos dormindo às margens dela. Acordar vendo o Sol nascer e ouvindo os pássaros cantar foi uma sensação indescritível. Acho que conseguimos absorver bem”. 

João Paulo e Carina compartilham a vida juntos desde 2010. Os dois são gaúchos e moravam em Bento Gonçalves (RS), onde trabalhavam como jornalistas na imprensa regional. O Sandero também foi responsável por fazer o casal chegar ao Uruguai, onde passaram 15 dias durante o recesso de final de ano em 2015. 

Durante o planejamento da viagem de férias, eles começaram a pesquisar sobre as documentações que precisavam e outros procedimentos necessários para  uma viagem de carro para outro país. Foi quando a possibilidade de conhecer a América do Sul a bordo do Sandero começou a brilhar os olhos do casal. 

“Começamos a conhecer alguns perfis [nas redes sociais] de quem estava viajando e surgiu a ideia de fazermos algo assim, mas foi algo adiado. Em 2018 decidimos que estava na hora de fazer acontecer, já tínhamos completado 30 anos, sem filhos… Decidimos aproveitar, se ficássemos esperando as condições ideais nunca faríamos. Nosso sonho era ter um motorhome, por exemplo, mas é caro, não ia caber na nossa realidade”, lembra Carina. 

Eles decidiram investir um dinheiro que estava guardado para começarem a viagem em vez de comprar um veículo para pegar a estrada, por exemplo. O Sandero que estava na garagem pareceu a solução perfeita para o casal. Com a decisão tomada, eles pediram demissão dos empregos e trancaram os cursos que estavam fazendo. 

“Eu fazia Psicologia e o João Filosofia. Estávamos trabalhando há 10 anos na imprensa, em jornais da cidade do interior, volta e meia as pautas vão se repetindo, não tinha muita perspectiva de crescer na empresa. A vida seria meio que essa previsibilidade que tinha no jornalismo, embora gostássemos muito do que fazíamos. Decidimos aproveitar o agora”. 
 

Mato Grosso surpreendeu os viajantes

Além da Transpantaneira e da beleza de Vila Bela da Santíssima Trindade, o casal também se impressionou com os paredões de Chapada dos Guimarães (a 64 km de Cuiabá) e da Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN) do Cristalino, em Alta Floresta (a 789 km da Capital). 

“Foi um estado que nos surpreendeu pela diversidade de paisagens, em Alta Floresta ficamos na RBMP do Cristalino, conseguimos ver bastante floresta preservada e diversidade. O Pantanal também é algo espetacular, os paredões de Chapada dos Guimarães são muito bonitos”, elogiou Carina. 

Antes de chegarem em Cuiabá, o casal de gaúchos foi alertado por conta do calor que costuma fazer na cidade. Uma das curiosidades da passagem pela capital de Mato Grosso descrita pelos jornalistas foi terem curtido dias de frio que chegaram a marcar 10ºC. 

Para eles, vivenciar as variações culturais, alimentares e climáticas das diversas regiões brasileiras é uma das melhores oportunidades da vida na estrada. Em Poconé (104 km da Capital), eles conheceram o sotaque pantaneiro, por exemplo. 

“O sotaque do Pantanal é bem característico. Às vezes ouvíamos alguma conversa nas ruas e custamos para entender algumas palavras quando o pessoal falava rápido. Isso é muito legal no Brasil, cada lugar tem seu sotaque e seus costumes. Até mesmo o jeito de pedir pão na padaria em cada estado é diferente. No Sul chamamos de ‘cacetinho’, mas em outras regiões não vão entender”, explica a jornalista. 

Casal passou 63 dias viajando de Sandero por cidades mato-grossenses. (Foto: Aquivo pessoal)

Ano sabático atravessado pela covid-19 

Depois de pedirem demissão, passar um ano sabático na estrada com o Sandero era a ideia inicial dos jornalistas, que pretendiam voltar para Bento Gonçalves e “retomar a vida”. No entanto, depois de 14 meses de viagem e dez países visitados, a experiência foi atravessada pela pandemia quando eles pretendiam começar a conhecer todos os estados brasileiros. 

“Na América do Sul ficamos na estrada por 421 dias, passamos por 10 países, saímos em 18 de fevereiro de 2019. Fomos até o Ushuaia, na Argentina, subimos para o Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e, da Venezuela, voltamos para o Brasil. A ideia era sair do Rio Grande do Sul novamente para conhecer todos os estados brasileiros, mas veio a pandemia”. 

O casal ficou mais de um ano em casa, em Bento Gonçalves. Assim como o Sandero, que depois de desbravar a América do Sul voltou a ficar estacionado na garagem. Durante o período pandêmico, João Paulo e Carina desenvolveram produtos digitais e físicos, como um livro, para poderem custear a segunda parte da viagem, que agora seria pelo Brasil. 

“Voltamos a viajar em 3 de maio de 2021 e estamos até hoje. Já passamos por todos eles e, agora, estamos voltando para casa. Mato Grosso foi o estado que mais ficamos, porque é gigantesco. Fizemos alguns ‘zigue-zagues’, tentamos experimentar um pouco de cada bioma, fomos por todos os cantos. Mato Grosso tem essa peculiaridade de ter Amazônia, Cerrado e Pantanal”, explica João Paulo. 

Na primeira experiência da vida nômade, o casal usou a plataforma CouchSurfing, que permite que viajantes encontrem estadia gratuita nos “sofás” dos membros da comunidade. No entanto, quando decidiram voltar para a estrada, as incertezas geradas pela pandemia fizeram com que eles resolvessem modificar o Sandero para que ele se parecesse mais com uma “casa”. 

“Quisemos nos adaptar, não tinha vacina ainda. Tiramos os bancos de trás e fizemos uma cama. Então, dormimos dentro do carro, temos uma bateria extra que permite carregar os eletrônicos e temos uma panela elétrica para cozinhar”, conta Carina. 

Ela ressalta que a experiência de viajar e conhecer novos lugares é transformadora. Na estrada, Carina e João Paulo já conheceram dezenas de viajantes que deixaram as vidas “tradicionais” para trás e se arriscaram. De bicicleta ou ônibus equipado, todos buscam por novas vivências. 

“Acho que a experiência de viajar, se a pessoa estiver aberta, pode te transformar. O ato de viajar por si só pode ser só lazer, não ter contato com cultura, ver um lugar bonito, bater uma foto e voltar para casa. Mas, se nos permitimos, pode ser uma oportunidade de ver o mundo com outros olhos”. 
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