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Quarta-feira, 01 de dezembro de 2021

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TRADIÇÃO MULÇUMANA

Com cenário pandêmico, festa do desjejum ainda é incerta ao fim do Ramadã em Cuiabá

Da Redação - José Lucas Salvani

01 Mai 2021 - 10:45

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Com cenário pandêmico, festa do desjejum ainda é incerta ao fim do Ramadã em Cuiabá
Com cenário pandêmico em alta, a festa do desjejum, a maior celebração muçulmana, é incerta para a finalização do Ramadã - mês de sacrifícios, que é um dos pilares da religião muçulmana - na capital mato-grossense. Em 2020, a Mesquita Islâmica de Cuiabá  permanceu parte do ano de portas fechadas, o que impediu que fiéis realizassem suas orações no local, durante este período.

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Ao final do Ramadã, os mulçumanos seguem duas tradições. A primeira delas consiste na ajuda ao próximo, em especial aqueles que possuem carência. Anualmente, a Mesquita de Cuiabá organiza doações de cestas básicas a partir da contribuição dos fiéis, visto que cada um precisa doar, em dinheiro, o valor correspondente a três quilos de alimento.

Já a segunda tradição é festa de desjejum, conhecida também como Eid Al-Fitr, momento de celebração entre os fiéis, podendo ser realizada tanto em suas casas, como também são comuns reuniões nas mesquitas. Em 2021, a comemoração organizada pelo templo mulçumano em Cuiabá está ameaçada devido ao cenário atual da pandemia do novo coronavírus. O Ramadã chega ao fim em 12 de maio.

Em Cuiabá há seis anos, o sheik Abdussalam explica que o Ramadã só começa quando é possível ver a lua crescente no céu, o que indica o início do nono mês no calendário lunar muçulmano. “É obrigação para cada muçulmano jejuar nesse mês. E nesse mês, nos ensinamentos islâmicos, Allah abre as portas do paraíso, fecha as portas do inferno, temos a misericórdia de Allah, o perdão de Allah. Então os muçulmanos ficam mais próximos de Allah, mais próximos de Deus”, explica.

Durante um mês, os islâmicos terão a obrigação de não comer nem beber nada, e nem praticar relações sexuais, da alvorada até o pôr-do-sol. Além disso, poderão realizar uma oração noturna, além das cinco que já são obrigatórias durante o dia, caso quiserem. “O que é jejum? Para nós é uma adoração”, explica. “Jejum é deixar de comer, beber e ter relações sexuais com intenção de adorar Allah. Intenção que vem do coração”.

Esta rotina é mantida durante um mês, até quando se puder ver novamente a lua crescente no céu. Durante este tempo, os fiéis se reúnem algumas noites na Mesquita durante a semana para fazer as orações, conversar e ouvir as palestras.

Redução de visitas

Em 2020, no início da pandemia do novo coronavírus, a Mesquita Islâmica de Cuiabá permaneceu parcialmente fechada, fazendo com que os mulçumanos não pudessem visitá-la durante o mês do Ramadã. Já em 2021, com as portas abertas, o sheik explica que há uma redução de pessoas no local de culto, seja em decorrência do medo de contrair covid-19 ou devido às medidas restritivas que determinaram redução na capacidade de visitantes.

“Quando começou essa pandemia, cancelamos todas as novas visitas, atividades, e aulas. Cancelamos tudo, antes do governo decidir e sair decreto. Nós percebemos o perigo antes de perceber”, alega. “Agora nós realizamos na Mesquita nossas orações noturnas e reuniões semanais ao meio-dia e meio. Usamos máscaras, cada um traz seu tapete e mantemos distância de um ou dois metros”, detalha ao Olhar Conceito.

Abdussalam afirma que diariamente, são cerca de 20 pessoas que visitam o templo para realizar as orações do Ramadã. Já nas reuniões semanais, sempre às sextas-feiras, entre 50 e 70 pessoas. Para efeito de comparação, em momentos pré-pandemia, a capacidade que a Mesquita comporta era em torno de 300 pessoas. Durante a festa do desjejum, esse número pode ser ainda maior.

“O Ramadã é um mês especial. As pessoas não vêm [na Mesquita] desse jeito”, explica. “Eu acredito que as pessoas não estão frequentando as igrejas, em geral, por causa do medo da covid-19. Isso é bom porque não queremos que as pessoas contraiam a doença, entendeu? Ficar em perigo. Nós sempre apoiamos as medidas e preocupações que salvam as vidas”, avalia.
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