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COMEMORAÇÃO SEGURA

Devido à covid-19, mato-grossenses optam por comemoração entre familiares mais próximos no Natal

Da Redação - José Lucas Salvani

24 Dez 2020 - 10:00

Foto: Reprodução

Mariana ao lado do marido e filho

Mariana ao lado do marido e filho

O número de casos de infectados por Covid-19 fez com que alguns mato-grossenses optassem por mudar completamente os planos de comemoração de Natal em 2020. Enquanto a família da fotógrafa Vitória Molina cancelou a viagem para o interior de São Paulo, a família de Mariana da Rosa havia planejado até mesmo que os familiares fizessem testes de covid-19 antes da data, mas a descoberta de que quatro pessoas já estavam infectadas fez com que a ideia inicial fosse totalmente repensada.

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Em entrevista ao Olhar Conceito, Mariana, que é médica veterinária, conta que esta é a primeira vez em anos que a família toda não irá passar a data comemorativa junta. Moradora de Rondonópolis (a 217 km de Cuiabá), ela explica que havia alugado uma casa para que cerca de 30 pessoas fossem festejar. Visando ter uma maior biossegurança, até mesmo a realização testes de covid foi cogitada.

Os planos mudaram completamente quando quatro familiares testaram positivo. Agora, o Natal numeroso será muito mais intimista, somente entre ela, seu marido, filho, mãe e irmã. “O covid tem nos dado um baita susto e mudou simplesmente a nossa vida. De todos os anos que passamos juntos, essa vai ser primeira vez da minha vida que vamos nos separar”.

“Temos muitos idosos, pessoas hipertensas e diabéticas. Além disso, [cancelamos] em respeito às pessoas que não poderiam estar presentes porque estão em isolamento. Eu acho que isso é algo que pesou muito. Tem tanta gente da nossa família em casa e nós estaríamos celebrando o Natal, enquanto eles não podem nem muitas vezes saírem do próprio quarto”.

Se a família de Mariana decidiu mudar os planos somente quando alguns familiares testaram positivo, a família de Vitória decidiu que iria permanecer em casa desde o começo. Natural de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, Vitória e os pais sempre viajam para o interior de São Paulo e reúnem a família inteira, mas por eles serem pessoas de risco, o casal está em isolamento desde o início da pandemia. 

“Como meu pai é de risco, eles estão isolados desde março. Eles não cogitam fazer nada até ter uma vacina. Zero cogitação de passar com meus avós, que são de mais risco ainda”, explica. Neste ano, a comemoração será entre Vitória, seus pais e seu namorado.

O médico Bruno Ferraz de Oliveira, de 36 anos, também terá um Natal diferente, longe da família, porém não em razão ao covid-19, mas devido ao plantão que precisa cumprir nesta quinta-feira (24) e sexta-feira (25). Diretor técnico da Policlínica do bairro Pedra 90, em Cuiabá, ele também trabalha duas vezes por semana no Centro de Triagem Covid-19, na Arena Pantanal, e alerta aos jovens sobre a segunda onda.

“O que eu tenho mais preocupação é quanto aos jovens. Eles acham que não complicam, mas complicam sim. A maioria das infecções que estão acontecendo agora são com os jovens. Eles se infectando, eles também passam para seus avós e pais. Então tem que ter uma maior conscientização por parte dos jovens e pessoas saudáveis. Não estão mais usando máscaras, se preocupando em higienizar as mãos e estão se aglomerando”, diz.

Vitória e Mariana são exemplos de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Análise Fecomércio de Mato Grosso (IPF-MT). O estudo projeta que 63% dos mato-grossenses não pretendem fazer viagens de fim de ano. Já boa parte da parcela que afirmou ter pretensão para viajar informou que os destinos serão dentro do estado.

Segundo a pesquisa, 37% das pessoas entrevistadas irão viajar neste final de ano. O gasto máximo para 45% dessas pessoas é de R$ 1 mil, enquanto 30% de R$ 1 mil a R$ 5 mil e 4% de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Apenas 1% dos entrevistados pretendem gastar mais de R$ 10 mil.

Os dados do IPF-MT também apontam que 53% das pessoas que irão viajar tem como destino cidades de Mato Grosso. As viagens dentro do estado devem movimentar cerca de R$ 150 milhões, enquanto o destino mais citado é Cuiabá. Segundo o economista Maurício Munhoz Ferraz, a vinda de pessoas para a capital se deve a familiares que residem no município, realizando então visitas devido as festividades de final de ano.

A pesquisa entrevistou 603 pessoas de Cuiabá, Acorizal e Campo Verde e teve como maior parcela integrantes da classe média e alta. Os dados ainda revelam que 74% das pessoas com ensino médio entendem que a pandemia mudou seus hábitos de consumo, assim como 70% do nível superior e 89% do ensino fundamental. No total, 36% responderam que a pandemia mudou os hábitos para sempre.
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