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Segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

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Depois de tocar com Clube da Esquina e 14 Bis, violinista cuiabano quer transformar erudito em rock’n’roll

da Redação - Isabela Mercuri

21 Jan 2020 - 17:01

Depois de tocar com Clube da Esquina e 14 Bis, violinista cuiabano quer transformar erudito em rock’n’roll
Foram quinze anos imerso no mundo da música erudita, tocando em três orquestras ao mesmo tempo e ensaiando e estudando cerca de quinze horas por dia, até que o violinista Yllen Almeida decidiu voltar para casa. Em 2020, comemora dez anos de seu retorno a Cuiabá e, além de tudo o que já construiu por aqui, quer agora se dedicar a um projeto de transformar música erudita em rock’n’roll.

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Sua trajetória na música começou muito cedo. Aos cinco anos de idade já acompanhava o pai nos ensaios da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (OSUFMT), e aos dez já tocava profissionalmente. Cinco anos depois, aceitou o convite do professor Edson Queiroz, da Universidade Federal de Minas Gerais, e mudou-se para Belo Horizonte, onde ficou por quinze anos.

“Fui sócio-fundador de uma cooperativa de músicos, do Sesi Minas. Depois, em 2002, eu prestei um concurso público do Estado e fiquei em terceiro lugar para ingressar na Orquestra Sinfônica de Minas  Gerais”, contou ao Olhar Conceito. “Nisso eu comecei também a entrar pelo processo de não só mexer com parte erudita, mas também na área popular. Fui Spalla de uma turnê que acompanhou o cantor Flávio Venturini por dois anos, e também, por causa dessa turnê, fui por três anos músico do 14Bis, do quarteto de cordas da banda”.

Foi nesta época, também, que ele tocou com nomes como Jota Quest e Skank, e conheceu o Clube da Esquina, passando a integrar shows de Milton Nascimento e Toninho Horta. O erudito, no entanto, não foi deixado de lado. “Prestei concurso Jovens Solistas, com prêmios - internacional e nacional - e depois entrei para a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, hoje uma grande orquestra, uma das melhores da América Latina, isso já em 2008”.

Yllen e Flávio Venturini (Foto: Luzo Reis)

Com tantos compromissos, horas de estudo e ensaio, Yllen desenvolveu diversas doenças, como tendinite, bursite e princípio de lesão por esforço repetitivo (LER). A má qualidade de vida e a saudade da família – que ele só via uma vez por ano – o trouxeram de volta a Mato Grosso. Para vir para cá, no entanto, ele queria inovar e não ser ‘só mais um’ violinista na Orquestra.

Foi pensando nisso que, ao chegar a Cuiabá, além de tornar-se Spalla da OSUFMT, entrou em uma série de outros projetos: passou a fazer eventos (como casamentos) junto à Cia Sinfônica e, com eles, também entrou no ‘E-Strings’, um produto de música eletrônica composto por um violino, tambores coloridos e um DJ.

Quatro anos depois de sua volta, decidiu também voltar-se ao rock’n’roll. “Me veio outra oportunidade de criar uma banda de rock instrumental. Isso foi uma ideia minha. Porque é aquela coisa... uma banda de rock sempre tem um vocalista, então eu queria transformar o vocalista no violinista”, explica. A banda ‘Spallas’, então, é uma banda de rock instrumental, em que quem sola é o violino. “Faço Metallica, Iron Maiden, Nirvana, faço bastante coisa, e dou essa oportunidade do público cantar”. Ainda no universo do rock, Yllen também tornou-se baixista da banda Quartal.



Com toda essa bagagem, ele quer comemorar seus 10 anos de Cuiabá com novos projetos. “Estou gostando mais da parte de fazer o violino no rock. Agora, este ano, eu quero fazer uma coisa inusitada, de outra pegada, que é pegar as músicas eruditas e transformá-las em arranjo de rock’n’roll. Vou fazer Vivaldi, que é um compositor barroco, e fazer rock’n’roll com ele no violino. Esse já é um projeto pessoal”, explica.

O projeto ainda não tem nome ou data para sair do papel, mas é uma de suas prioridades. Além disto, Yllen também quer fazer um recital de músicas eruditas (no piano e violino), um show de comemoração dos dez anos da E-Strings, além, é claro, de continuar com as inovações na OSUFMT.

Acima de tudo, sua principal comemoração é mesmo pela mudança de vida. “A minha qualidade de vida hoje é outra. Hoje eu tenho momentos que eu posso ter lazer, posso viajar, hoje eu tenho um filho que vai fazer seis anos, então tenho tempo para ele. E eu consigo dividir esses tempos para que eu possa ter todas as noites livres”, comemora.

Veja as diferentes facetas de Yllen:









(Fotos:  André Rondon, Thiago Alt, Luzo Reis e Bruna Synger)

Serviço

Yllen Almeida
Instagram: @yllen_violinist
Facebook: /yllenalmeidaoficial
Youtube: Yllen Almeida Oficial
Site: yllenalmeida.com.br

 

6 comentários

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  • Jeves Bejame
    22 Jan 2020 às 09:14

    Isso é criar um novo conceito de música, mas o erudito e o rock não deixarão suas características Na minha opinião creio que se tornarmos erudito mais popular, nas periferias, escolas e praças não haverá a necessidade de tranvesti-lo de rock que também é um excelente conceito musical. Parabéns pelas atitudes inovadoras pela música.

  • Johnny Everson
    22 Jan 2020 às 05:32

    Mais que um dos maiores músicos de nossa história em Mato Grosso, um ser humano generoso. Parabéns pelo profissionalismo exemplar, Yllen!

  • Gabriela
    22 Jan 2020 às 05:21

    Excelente trabalho, já tive o prazer de ver algumas performances dele na Orquestra Sinfônica da UFMT e os shows no Malcom Pub, não perco por nada.

  • Renato T.
    21 Jan 2020 às 23:15

    Excelente matéria valorizando além de um grande artista da nossa terra, uma inovação no mercado musical. Com certeza irei aplaudi-lo em breve.

  • Alessandro Maciel
    21 Jan 2020 às 18:08

    Já o vi tocando por diversas vezes com a Orquestra da UFMT, e virei fã por ele sempre estar inovando e apresentando formas inusitadas no seu violino. Parabéns!

  • Daniel S.
    21 Jan 2020 às 17:42

    Parabéns pela carreira e trabalhos desenvolvidos meu amigo. Currículo ímpar! Quem te conhece pessoalmente sabe do teu caráter e profissionalismo. Quem já te viu tocar sabe do teu talento e liderança. Sucesso sempre!

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