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Notícias / Literatura

Formada em letras, garota de programa de MT lança manual para ensinar novatas na profissão

Da Redação - Isabela Mercuri

Quando Nina* começou a trabalhar como garota de programa, precisou fazer uma pesquisa longa. Não sabia quanto poderia cobrar, como deveria se portar, onde poderia encontrar clientes. O que achou em diversos sites – e relatos de mulheres como Lola Benvenutti e Claudia Marchiori, por exemplo – a ajudou, mas ela percebeu que precisava de mais. Conseguiu se virar, e segue na profissão há dois anos e meio, mas foi pensando em outras garotas que desejam entrar neste mundo que ela escreveu o livro ‘Manual do Sexo Pago’, disponível na Amazon (AQUI).

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A mato-grossense, natural de Tangará da Serra, é formada em letras, e já trabalhou como professora, além de ter tentado comandar um negócio próprio logo depois que se separou do marido. “E eu fiquei um ano fazendo isso, mas a renda era muito pequena”. 

Quando estava em um ‘beco sem saída’, ela tomou a decisão. “Eu estava no banho, pensando, ‘o que eu vou fazer pra resolver minha situação?’... Porque estava crítica”, lembra. “Do nada veio o pensamento: eu sou magra, eu gosto muito de sexo, gosto muito de sair com outras pessoas... desde que eu tinha 18, 19 anos, eu já entrava no chat para conversar com pessoas desconhecidas, e saía para encontrar com elas, mas eu nunca cobrei por isso... então decidi”.

Foram cinco meses de pesquisa até que Nina realmente saísse para seu primeiro programa – com um rapaz que ela já tinha conversado, antes de ser 'garota' (como ela mesma nomeia a profissão), no chat da Uol. Foi lá que ela o encontrou novamente. Segundo Nina, o encontro foi um ‘desastre’.  

“Primeiro que eu já sabia que era ele, sabia que ele era mais velho. Mas eu realmente não sabia como me comportar dentro do quarto. Eu achava que eu tinha que ser estilo Bruna Surfistinha... e eu não sou assim. Cheguei no quarto e não conversei muita coisa. Num primeiro momento a gente chegou e eu já fui tirando a roupa”, conta.

O tempo para o encontro estava ‘apertado’, já que o cliente só tinha uma hora disponível. “E ele estava super preocupado porque tinha que pegar a esposa depois. Eu tirei a roupa, fui tirando a dele, fiz sexo oral nele, mas ele brochou. Eu fiz o que eu pude, mas ele disse, ‘Ah, não, eu estou muito nervoso, tenho medo da minha esposa descobrir... e a gente ficou no máximo 30 minutos no quarto”.

O preço combinado era de R$200, mas, devido ao acontecido, o cliente pediu um desconto, na brincadeira, e Nina, inexperiente, fez por R$150. “Ele ficou com vergonha pela situação toda, mas me deu o dinheiro”, lembra. Com o dinheiro na mão, a mato-grossense teve certeza de que era aquela a profissão a seguir. “Quando eu tive o meu negócio, eu trabalhava o dia inteiro para conseguir ganhar R$150, R$200... e eu tinha que fazer tudo sozinha. Então no dia que e ganhei R$150 em menos de uma hora, eu falei: ‘é isso que eu quero fazer da minha vida’”.

Com o tempo, Nina foi aperfeiçoando as técnicas de trabalho. Criou um blog, um Instagram e um canal no Youtube, onde passou a ensinar e dar dicas para outras garotas – tudo com uma máscara preta, que dava o ar misterioso. A resposta foi imediata, e muitas mulheres, de todos os lugares do Brasil, passaram a mandar mensagens pedindo ajuda para começar a trabalhar. Foi aí que surgiu a ideia do livro.

“O livro é um pouquinho da minha história, de como eu comecei, como eu tive a ideia, e também ensino as garotas a se tornarem garotas de programa”, explica. “É um manual mesmo. Eu falo desde sobre a preparação psicológica, o tipo de anúncio, tipo de foto, tipo de roupa, tipo de comportamento, coloquei uma referência para pesquisar sobre doenças que elas estão à mercê, os remédios que existem no posto de saúde que elas podem recorrer... tem muita informação”.



Além do manual para as garotas, o livro também fornece informações de como homens e mulheres devem se portar ao contratar um serviço sexual. Nina, por exemplo, é seletiva, e não atende quem for mal educado. Além disso, faz no máximo três atendimentos por dia, para não desgastar tanto o corpo quanto a mente.

Sobre a fantasia de que as garotas de programa ganham rios de dinheiro, ela é sincera: “A imagem que as pessoas têm de que GP ganha muito bem, é falsa. Para ganhar R$10 mil por mês, só se for aquelas que ganham R$1 mil a hora, uma de São Paulo, que trabalha nos Jardins. Mas aqui em Cuiabá fica de R$5 a R$7 mil por mês no máximo. E depende da época”.

Nina também é autora de outros livros, de contos e de autoajuda, disponíveis na Amazon. Este, no entanto, é especial. “O que eu trago no livro é um conteúdo que ainda não tem no mercado. Se você for pesquisar como se tornar uma garota de programa, você vai encontrar coisas muito supérfluas. E no livro eu narro isso dos dois pontos de vista, da mulher que quer aprender, e dos curiosos, que querem saber como uma garota de programa trabalha”, finaliza.

Serviço

Nina Honorato
YOUTUBE; INSTAGRAM; SITE
Compre o livro AQUI

*Nome fictício usado por ela. 
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