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Quando bate o frio, cuiabano parte para o improviso e "remedeia co que tem"

Da Redação - Lidiane Barros/Bruna Gomes

23 Jul 2013 - 19:20

Você acorda seis da manhã e a temperatura é de 13°. Abre o guarda roupa e não sabe por onde começa a se arrumar, tudo cheira naftalina e parece cair como fantasia no seu corpo. Esse é desespero do cuiabano, acaso chegue um temido frio. Ainda que não dure mais de uma semana, o dilema de como se aquecer de modo coerente e de forma minimamente agradável aos próprios olhos, ocupa as cabeças cuiabanas durante estes poucos dias gelados.



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Foi pensando nisso que a reportagem do Olhar Direto/Conceito correu para as ruas do Centro de Cuiabá para investigar o visual dos transeuntes. Entre gente cheia de estilo, encontramos muitos equívocos, claro, mas com costume de se vestir para temperaturas que giram em torno de 30° e 40°, há que se esperar que os “tchápecruz” não disponham de um guarda-roupa satisfatório para esta mini-temporada de frio, mas é capaz de se virar. E é aí que o ditado cuiabano ganha ainda mais sentido: o cidadão que não pode ficar em casa debaixo das cobertas, “remedeia co que tem” e vai para as ruas.

Entre os personagens que assistimos zanzar pelo calçadão da cidade, alguns tipos são bem definidos: o trabalhador que precisa coordenar o uniforme com peças que o protejam do frio; os vendedores que aproveitaram a baixa temperatura e levaram o mesmo estoque de anos para as ruas; aqueles que se preparam e desfilam orgulhosos suas combinações coerentes e elegantes pro frio e aqueles que não se preparam mesmo, mas desfilam a graça do improviso pelas ruas com direito a cachecóis emprestados, toucas irreverentes e sandalinha nos pés. 



Sabe-se que são as extremidades que mais sofrem com o frio, mas vai explicar isso para quem não dispensa uma boa sandália para agüentar o bate-perna do calor? Entre um sapato fechado e algo mais ventilado, ganha a segunda opção, claro. As evangélicas também não abriram mão das saias. 

Além de avaliar o visual de quem tem que ficar exposto nas ruas enquanto trabalha, tem ainda aqueles que trabalham para ofertar estilo, como é o caso da ambulante Cleide que trocou seu estoque de roupas para o calor por itens para agasalhar possíveis compradores. “Tenho touca, manta, luva, mas tudo estava guardado esperando para ser vendido. O estoque é do ano passado”. Alguém aí duvida que o cuiabano não se prepara para o frio? As lojas também não ficam para trás e seus manequins ostentam calças, blusas de lã e até cachecóis de pele. Alguns modelitos são no mínimo duvidosos, mas parecem se adequar ao calor cuiabano.

O mototaxista Mário Reis de Almeida, que também trabalha nas ruas, disse que ao invés de proteger do calor, agora teve que se proteger do frio. “Troquei a camiseta leve por este casaco que já não usava há seis meses”, disse ele.



Entre os que a reportagem encontrou pelo caminho, haviam ainda "os resistentes". Entre os corajosos, um paulista fazia questão de dizer que cuiabano sente frio além do que deveria. “Estou pensando em tirar essa blusa de frio”, disse o rapaz que estava trajando uma bermuda.

Já outro paulista, Anacleto Ramos de Oliveira, disse que já virou cuiabano, porque estava com muito frio. “Há muitos anos que não vejo um frio desses por aqui”, garantiu. Para adaptar o boné de todo dia, ele usou uma touca e ficou com um estilo que bem lembra um rapper.

Para finalizar, encontramos um casal de estrangeiros bem habituados ao frio que pareciam achar tudo isso uma brincadeira. Os artistas circenses que se apresentam nos semáforos estão de passagem, Lunaira de Sousa veio da Colômbia e Juan Pablo Aviles, da Argentina. “Estamos gostando muito do clima”. Afinal, para quem "habita" os cruzamentos da cidade, ao meio dia, com 40 graus... Deve estar bem bom mesmo!

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