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Quinta-feira, 26 de novembro de 2020

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Filme resgata memórias empoeiradas de legionários sedentos por música

Da Redação - Katiana Pereira

04 Mai 2013 - 16:00

Foto: Divulgação

Thiago Mendonça em 'Somos tão jovens'

Thiago Mendonça em 'Somos tão jovens'

Sessões lotadas e muita emoção marcaram a estreia no filme “Somos tão Jovens”, que narra parte da história de Renato Russo e a criação da banda Legião Urbana. Lançado na sexta-feira (3), o longa de produção nacional tem reunido milhares de legionários em salas de cinemas espalhadas por todo o Brasil.

 "Somos Tão Jovens" retrata Renato Russo pré-legião urbana e o surgimento do rock em Brasília

A produção cinematográfica não surpreendeu, contou o que todo legionário já sabe. O filme não entra nos detalhes da vida particular de um dos maiores ídolos do rock nacional. Mas, aos poucos mostra cada um dos elementos que criaram a persona Renato Russo.

“Somos tão Jovens” não cai na simplicidade de retratar um Renato Russo perfeito, acima do bem e do mal. Estão na tela o egoísmo, de quem soube aproveitar a influência cultural dos amigos, o alcoolismo juvenil, que o levava a pagar mico, a rebeldia de menino mimado e os ataques de estrelismo.

Quem espera uma investigação, apontando os motivos que moviam a critividade de Renato Russo, além da disposição para a contestação da Ditadura, vai ter que esperar mais. O longa não chega nesse ponto. Thiago Mendonça que, em 2005, viveu o sertanejo Luciano em "Dois filhos de Francisco" é bom como Renato Russo.

Mais que os detalhes do filme, assistir “Somos tão Jovens” é fazer um resgate do rock nacional e de toda uma geração, que tinha na música mais que uma diversão, era uma ideologia de vida. Reunir para discutir música, o sentido das letras, era comum para jovens que não se contentavam com pouco.

Assistindo ao filme é possível resgatar memórias empoeiradas de uma legião que aprendeu a ouvir música boa, que refletia os anseios de uma sociedade oprimida- chocar era preciso.

Esses movimentos aconteciam em reuniões com amigos nas praças, quadras, festas de garagem, encontros de uma juventude que era embalada ao som das fitas cassetes, que tocavam além da Legião, Capital Inicial, Lobão, Nenhum de Nós, Engenheiros do Hawai, Paralamas do Sucesso, RPM e tantos outros, que foram parte essencial na formação de milhares de legionários.

Naquela época, toda turma tinha pelo menos um integrante que tocava violão. As letras já estavam na ponta da língua. Uma geração "Coca-Cola" e que foi muito bem servida, com profissionais que tinham o compromisso com fazer música de verdade.

Os pontos altos no filme são os momentos em que as músicas da Legião Urbana ecoam pela sala de cinema, revelando pés e mãos, que de forma instintiva, começam a acompanhar o ritmo, um som que está gravado na memória de quem faz parte dessa Legião e viveu aquela época, hoje já nostálgica.

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