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Sexta-feira, 30 de outubro de 2020

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Estudo aponta que jornalismo literário amplia horizonte de leitores

Da Redação - Lidiane Barros

24 Abr 2013 - 10:59

Foto: Ilustração - Reprodução Internet

Estudo aponta que jornalismo literário amplia horizonte de leitores
Quando um jornalista vai apurar e redigir uma notícia tem que se atentar para o lead, o primeiro parágrafo da matéria jornalística que responde a cinco perguntas básicas - Quem? Como? Quando? Onde? e Porquê?. Para informar, esses questionamentos buscam objetividade. Mas, será? A estudante de jornalismo Marianna Marimon acredita que esse modelo importado dos Estados Unidos deva ser repensado. A reflexão ela lança em seu projeto de conclusão de curso que apresenta à academia nesta quinta-feira (25), às 8 horas, na sala 35 do Instituto de Linguagens, na UFMT.

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Para confirmar, ela se embasa pela história. “A formação da literatura e do jornalismo no Brasil se confunde, já que apenas em 1808, com a vinda da Coroa Portuguesa para a então colônia é que será instalada a Imprensa Régia. Os primeiros impressos do país eram povoados por escritores, médicos, políticos, ou qualquer pessoa que quisesse se lançar na recém-criada profissão de jornalista, e assim, o caminho da literatura e do jornalismo se mistura, e ao defender um jornalismo autoral, com marcas literárias, defendo também a liberdade de imprensa, tão subjugada na contemporaneidade”, explica Marianna. 

Ela ressalta que grandes escritores brasileiros começaram a atuar no jornalismo antes da literatura, como José de Alencar, Machado de Assis, Mário de Andrade, João do Rio, todos eles, atuaram na literatura e no jornalismo, produzindo peças artísticas e informativas, que retrataram a sua época, com viés literário. “Não existe mais este espaço no jornalismo impresso?”, cutuca.

Segundo ela o jornalismo literário é uma outra via para produção jornalística e pode ganhar sim, o status de arte. Como exemplo, podemos citar livros-reportagens, que trouxeram novas concepções como o Novo Jornalismo, que aposta na narrativa literária para produzir uma estética que leve em consideração os preceitos do jornalismo: os fatos e a verdade, em primeiro lugar. O livro-reportagem de John Hersey “Hiroshima” produzido em 1946 para ser publicado na revista norte-americana The New Yorker, é um exemplo que mudou a concepção de como a Segunda Grande Guerra era vista pelos próprios americanos. A narrativa é baseada na experiência de sobreviventes ao primeiro ataque de bomba atômica do mundo, e a história acompanha seis personagens.

Marianna enfatiza que este jornalismo tem o poder de contribuir para além da formação e da informação ao leitor, e trazer uma visão de mundo que pode representar o que é o real. As histórias de interesse humano, abordadas pela jornalista Eliane Brum também são analisadas no trabalho sobre jornalismo literário, e é um belo exemplo a ser seguido. “Histórias pequenas” como classifica a própria jornalista, mas que tocam no fundo da alma dos seus leitores que se identificam com histórias de pessoas como a maioria dos brasileiros. É retratar o real pelo olhar amplificado do repórter que possui a liberdade para narrar com marcas estilísticas próprias da literatura, mas sem perder os preceitos jornalísticos.

Para os que duvidam que essa corrente possa ter força, ela avalia que existem muitos leitores brasileiros que são atraídos pelo modelo. “Existe sim. O que é preciso fazer, é mudar o foco da matéria informativa, e apostar em reportagens de extensão, investigativas, histórias de interesse humano, a produção de um jornalismo autoral e literário, como forma de trazer uma nova forma de leitura ao público. Forma esta, que era a principal receita do jornalismo brasileiro, que perdeu o seu caráter autoral por apostar em uma fórmula importada pelo jornalismo norte-americano. Um outro jornalismo é possível, basta acreditar, e praticar: por um mundo mais democrático e literário”, se emociona.

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