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Era do Consentimento

Cecíla Neves ergue o véu da hipocrisia para falar sobre sexo e muito mais

Da Redação - Jardel P. Arruda

25 Mai 2013 - 17:00

Foto: Cecília Neves

Cecíla Neves ergue o véu da hipocrisia para falar sobre sexo e muito mais
“Existe mais sacanagem nesse mundo do que sonha vossa vã filosofia”. Essa frase anônima acima pode ser transportada para Cuiabá, cidade onde a liberdade sexual já ultrapassa as barreiras conservadoras quando as pessoas estão entre quatro paredes, mas que ainda sofre do mal da hipocrisia.

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Por medo de serem julgados, as pessoas mais livres, sexualmente falando, se escondem sob um véu de invisibilidade. Mantém tudo em segredo da sociedade aberta, a qual ainda acredita viver no milênio passado, usa dogma medievais para julgar a vida alheia e tenta reprimir as pequenas iniciativas.

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Cecília Neves, jovem que no alvorecer dos 21 anos está inconformada com as correntes que prendem as pessoas aos anos de 1900, quer levantar ao menos a ponta desse véu e ajudar os “novos adultos” a se livrarem de rótulos antigos e antiquados, se livrar do peso de não alcançar a felicidade por não poder ser ou fazer aquilo de que gostam.

“Os jovens de hoje, como os de sempre, são rotulados. O nerd, a puta, o marombado, o boy magia, etc. E se o jovem não quer ser julgado ele precisa seguir um padrão. Aí você não pode sair desse padrão que te deram. Essa é a parte mais difícil de se tornar um adulto e não ser frustrado. E tudo isso tem muito a ver com a sexualidade”, disse Cecília.

Sexo, sexualidade, aceitação social, busca pela felicidade e a fuga dos julgamentos. Essa jovem, de lábios coloridos e pensamento que voam alto em busca de respostas para questões comuns, mas ocultas, vai dar as caras por aqui todos os domingos para deixar a vista aquilo que as pessoas fingem não ver.

A ideia dela é compartilhar experiências próprias, de amigos e de qualquer pessoa comum com um problema comum, trazer opiniões diferentes sobre o assunto. “Em geral as pessoas tratam sobre o sexo e a sexualidade falando de figuras polêmicas, mas esquecem de falar das pessoas comuns. Quero falar das pessoas com problemas comuns. Quero trazer opiniões diferentes. Perguntar a uma prostituta, por exemplo, como ela não enjoa. Ela não tem TPM?”

Exemplos para tudo isso não faltam a Cecília. Cercada pela juventude da aristocracia dos anos 2000, a classe média alta, e serpenteando por entre todas as outras classes sociais, ela vê tudo isso acontecer com seus pares – quando não consigo mesma.“Eu tenho muitas amigas que tem fantasias lésbicas extremamente loucas, mas não se permitem e são frustradas por isso. Acham que vão ser rotuladas por isso, não elas não precisam ser.”

Para nossa jovem iconoclasta, tudo isso tem solução. Basta as pessoas terem consentimento em ser o que quiser, não se envergonhar, ter “aquela coisa interior que não julga”. “Uso como exemplo a Catarina, a Grande (imperatriz déspota Russa do século XVIII), que teve inúmero amantes e, dizem rumores, até transou com um cavalo. E é lembrada como 'a Grande'! Existem muitas qualidades pelas quais alguém pode ser lembrado”, explicou.

E esse consentimento em ser o que quiser dá o nome ao local onde Cecília passará a existir, juntos dos leitores, aos domingos, para pintar um cenário de como anda a sociedade em relação ao sexo e a sexualidade: Era do Consentimento. Um nome que faz referência a “idade do consentimento”, um termo jurídico para a idade na qual a pessoa está legalmente apta a ter relações sexuais. “Agora nós precisamos é de uma Era do Consentimento”.

E terão. Todos os domingos.
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