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Arte sustentável: o lixo não fede na maior feira de arte do Brasil

De São Paulo - Lucas Bólico

08 Abr 2013 - 08:00

Foto: Foto: Lucas Bólico\OD

Arte sustentável: o lixo não fede na maior feira de arte do Brasil
É quase uma tentação não fazer um jogo de palavras entre o luxo e o lixo ao falar da SP Arte, mas a poesia concreta de Augusto de Campos chegou primeiro. Fato é que na maior feira de artes visuais do hemisfério sul, que se encerra hoje às 20h na Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo, artistas se destacam pelo reaproveitamento do material descartado e o manipulam até a sujeira adquirir ao status de arte.

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O artista plástico Bernard Pras, exposto pela galeria Sérgio Gonçalves, refez a Noite Estrelada (1889) de Van Gogh com detritos. O francês faz uma montagem com o material sólido e fotografa a imagem. O efeito é chamado de anamorfose e engana o olhar. O que antes era um quadro de Van Gogh, quanto mais perto se chega, vai se transformando em um emaranhado de borrachas e tecido.



A mesma técnica de montar um quadro com uma fotografia de uma composição de lixo é feita pelo artista brasileiro Vik Muniz. No espaço reservado à galeria Xippas, no piso superior da mostra, está exposta a releitura da Criação de Adão (1511) feita por Michelangelo na Capela Sistina. Para a representação, Muniz usou toda sorte de entulho, como pneus descartados, cones, ferro distorcido, pedaços de manequim etc.



O nordestino Raimundo Rodriguez traz para a galeria o lixo em seu estado bruto. A composição “O Jardim das Delícias – Reflexões sobre questões materiais e transitórias ou simplesmente uma obra em processo” é um mosaico com um emaranhado de materiais. E como o próprio nome sugere, a “obra em processo” que não está acabada, e talvez nunca acabe.



“Quando montamos [a obra na parede], ele [Raimundo Rodriguez] olhou e achou um ponto que estava muito vazio e já queria acrescentar mais alguma coisa. Falei para ele deixar como estava e que arrumasse depois no ateliê”, conta um dos curadores da exposição da galeria Sergio Gonçalves. “Ele é um inquieto”, completa.



O Jardim das Delícias é composto basicamente por madeira, ferro e uma infinidade de pequenos artigos de plástico. Um olhar atento flagra no emaranhado de lixo cabeças de bonecas, o fragmento de uma tartaruga ninja de plástico, número, letras e signos ininteligíveis. Cada pequeno material que contribui na composição da obra como um todo, na cabeça do artista, tem uma história própria e uma energia que acumulou ao passar pelas mãos de seus antigos donos.

Sp arte

A SP Arte acontece no Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Bienal), no Parque do Ibirapuera, Portão 3. Neste ano, 122 galerias, sendo 41 estrangeiras, participam do evento, que se encerra hoje às 20h.

Estão presentes na SP Arte potências mercado cultural mundial. Gagosian, White Cube, Pace, David Zwirner e Hauser & Wirth juntas são responsáveis, de acordo com o Diário Comércio Indústria e Serviço, pelo topo do faturamento global de arte. As famosas galerias, que fazem o papel de suas próprias curadoras, trazem peças que chegam a valer R$ 14 milhões.



Os ingressos custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia.

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