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Brasil – Peru de carro: uma aventura de paisagens inesquecíveis pela “Estrada do Pacífico”

Especial para o Olhar Conceito - Thalita Araújo

23 Jun 2013 - 11:13

Foto: Thalita Araújo

Brasil – Peru de carro: uma aventura de paisagens inesquecíveis pela “Estrada do Pacífico”
Se viajar ao Peru já é algo interessante, chegar lá de carro pode ser mais incrível ainda. As paisagens visitadas pelo trajeto da Carretera Interoceanica (em espanhol), por nós mais conhecida como “Estrada do Pacífico”, tornam a viagem uma aventura inesquecível.

Neste mês de junho finalmente coloquei em prática este sonho planejado. Saímos de carro da cidade de Ji-Paraná, em Rondônia, rumo ao país vizinho, que acessaríamos pelo Acre . Em dois dias e meio de viagem chegaríamos a Cusco, Peru.

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Trafegamos pela BR-364, passando por Porto Velho (onde dormimos a primeira noite), até chegar ao Acre, passando por uma balsa no caminho. Seguimos pelo Acre na BR-317 até chegar à última cidade do lado brasileiro, Assis Brasil.


Na aduana, tranquilidade ao fazer a migração e ali mesmo, nos botecos que margeiam os escritórios oficiais, realizamos o câmbio de reais por soles, como haviam nos indicado. Naquele local os preços são mais interessantes que nas casas de câmbio nas cidades. A recomendação, que cumprimos e replicamos, é a compra de soles no bar da Tuka.

Para entrada do carro brasileiro em território peruano, o “buraco” foi um pouco mais embaixo. Esperamos em torno de 1h30 para a liberação da autorização. Não é nada complicado, mas é que, ao que pareceu, a boa vontade em agilizar o atendimento aconteceu apenas após pagamento de propina. Coisa pouca, mas é assim que funciona. Alguns peruanos nos disseram posteriormente que a polícia local é muito corrupta e tudo acontece à base de propina.

Da fronteira, seguimos a Puerto Maldonado, cidade com mais estrutura, onde poderíamos dormir. No caminho até lá, vegetação densa da selva, garimpos, rios sem água e poucas opções de alimentação. Importante levar água e mantimentos no carro. Levamos e ficamos muito aliviados em não precisar comer o que aparecia pelo caminho.

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Postos de gasolina são em boa quantidade. Mesmo nos vilarejos mais feios e desestruturados, você pode encontrar combustível para abastecer seu veículo. A Carretera Interoceanica é pedagiada, muito conservada, bem sinalizada, um show de estrada em comparação às rodovias encontradas no lado brasileiro. Não encontramos um só buraco em todo o trajeto peruano. Já na parte brasileira, a estrada tem alguns trechos em conservação ruim.

Puerto Maldonado

Em Puerto Maldonado, já nos haviam dado uma importante dica (que vale para todo o Peru): Cuidado com a comida! Comemos pizza em um lugar que parecida limpo e seguro e conseguimos um hotel muito simples para dormir.

Na cidade, irresistível andar de Tuk Tuk, um táxi feito a partir de uma moto, que carrega até 3 pessoas e que contamina a maior parte do (caótico) trânsito da cidade.

Ao amanhecer, também em Puerto Maldonado, fomos atrás de um escritório para elaboração do SOAT, o seguro obrigatório do país (como nosso DPVAT), que custa apenas 8 dólares. É importante fazer, os policiais pedem nas blitz.

A grande subida

No terceiro dia de viagem, teríamos de percorrer apenas 430 Km até chegar a Cusco, mas este trajeto nos custou longas e lindas 11 horas de viagem. É que saímos de 200 e poucos metros acima do nível do mar e subimos a quase 5 mil, depois descendo um pouco a 3,4 mil metros, altitude de Cusco.

Difícil passar dos 80 km por hora. Em alguns momentos, as placas indicam velocidade obrigatória de 20 km por hora. Curvas e mais curvas, algumas de 180 graus, perigosas e intrigantes.

Na subida, vamos saindo da selva peruana e vamos encontrando montanhas verdes, com cachoeiras abundantes. Na sequência, a vegetação vai ficando cada vez mais escassa e a paisagem verde vai dando lugar a rochas e montanhas terrosas. Até que, a quase 5 mil metros de altitude, encontramos neve! Os picos nevados da Cordilheira dos Andes são uma atração que emociona.

No caminho, as roupas de frio vão encontrando seu lugar e também é importante se proteger do mal da altitude, o Soroche. Compramos folhas de coca e uma bomba de oxigênio (Oxishot, em torno de R$ 40 em um vilarejo, durou a viagem toda para 4 pessoas) e fomos mascando as folhas por toda a subida, utilizando o oxigênio nos pontos mais críticos.

Chegamos a Cusco no final do terceiro dia, extasiados com a beleza da estrada. E estávamos apenas começando... Resumindo, foram exatamente 1.811 km de Ji-Paraná, Rondônia, até Cusco, Peru, em dois dias e meio de viagem. De Ji-Paraná a Cuiabá, são mais 2 horas de vôo ou 1.100 km.

A viagem é um pouco cansativa, sobretudo para quem está ao volante. Para os passageiros, as curvas insistentes causam desconforto. Mas, tudo isso fica bem pequeno perto da grandeza das belezas do caminho. Logo mais volto a escrever sobre o restante da viagem, primeiramente Cusco, centro administrativo e cultural do incrível Império Inca!


Fotos: Thalita Araújo


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