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Pesquisa sobre quarto governador de Mato Grosso ganha prêmio nacional e será publicado em livro

Da Redação - Stéfanie Medeiros

17 Mar 2015 - 17:01

Foto: Reprodução

Pesquisa sobre quarto governador de Mato Grosso ganha prêmio nacional e será publicado em livro
Dois pesquisadores propuseram-se a contar a história de Luis de Albuquerque, quarto governador e capitão-general de Mato Grosso no século XVIII. O resultado deste projeto é o livro “Luis de Albuquerque - Viagens e governo na Capitania do Mato Grosso (1771 – 1791)”, de Janaína Amado e Leny Caselli Anzai.

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A obra será publicado por ter vencido o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica - Clarival do Prado Valladares, uma iniciativa da Organização Odebrecht que completa, em 2015, 12 anos de apoio à pesquisa histórica e à produção editorial brasileira.

O lançamento é da editora Versal e o livro pode ser adquirido por meio de sites das livrarias Cultura e Travessa.

De acordo com a assessoria, com 352 páginas, a obra reproduz os diários e retratam as dificuldades enfrentadas pelo capitão-general no território luso americano naquele período. Devidamente registradas, as andanças de Luís de Albuquerque dão notícia de rotas, fundação de vilas, métodos de aproximação com os habitantes locais, coleta e criação de toponímias para acidentes geográficos, fenômenos climáticos e exemplares da flora ou fauna regionais.

Luís de Albuquerque e suas viagens

De todos os seus grandes trajetos, Luís de Albuquerque produziu registros em seus diários. Viajantes oficiais, no século XVIII, costumavam fazer anotações sobre suas viagens, principalmente quando as rotas eram perigosas e pouco conhecidas; o que difere Luís de Albuquerque da maior parte desses viajantes é que ele produziu e manteve diários de viagem desde que saiu de Portugal até seu retorno a Lisboa, quase vinte anos após de lá haver partido.

Outra particularidade é que ele foi o primeiro governador que para chegar a Mato Grosso fez seu percurso por terra. A maior parte dos administradores coloniais chegava a Vila Bela pela rota das monções do sul, vindos por São Paulo, ou pelas monções do norte, saindo da atual cidade de Belém.    
 
Uma as autoras, a historiadora Leny Caselli Anzai destaca que relevância de Luís de Albuquerque no processo de ocupação do país. “Luís de Albuquerque contribuiu decisivamente para ampliar a fronteira oeste do Brasil, levando-a, em grandes linhas, ao que ela é hoje. As informações que produziu e recolheu principalmente sobre o Centro-Oeste e a Amazônia foram preciosas, e continuam a ser hoje em dia”, explica a pesquisadora.

Embora os diários tenham sido o ponto de partida para a pesquisa, a eles foram acrescidos muitos outros documentos existentes em arquivos históricos de Portugal, Estados Unidos e Brasil, como cartas pessoais, ofícios e uma rica iconografia, entre as quais mapas e planos cartográficos, aquarelas contemporâneas de rios, povoações e desenhos botânicos, além de fotografia antigas e atuais. Os textos discutem a trajetória biográfica de Luís de Albuquerque em Portugal, acompanham seus passos pelos sertões do Brasil, e destacam alguns aspectos de sua administração na capitania de Mato Grosso.

Missão de Albuquerque

O capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres foi o homem designado pelo Marquês de Pombal, em 1771, para ser o governador da capitania de Mato Grosso. A indicação desse jovem oficial militar português era crucial naquele momento histórico, no qual Portugal buscava garantir a posse de vastos territórios na região oeste do Brasil, que eram motivos de disputa com a Espanha.

Entre as missões de Luís de Albuquerque estavam as de garantir o acesso às minas de ouro e às ricas bacias hidrográficas locais, além de fortalecer as fronteiras portuguesas. Para dar conta desses desafios, Luís de Albuquerque, que havia sido designado para um mandato de três anos, permaneceu à frente da capitania por 17 anos, período ao longo do qual realizou com êxito as missões que lhe foram confiadas pelo Marquês de Pombal e construiu diversas edificações, entre as quais o Real Forte Príncipe da Beira, joia da arquitetura militar brasileira, localizado às margens do rio Guaporé, no atual estado de Rondônia.

Sobre o prêmio Odebrecht

Criado em 2003, o Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica - Clarival do Prado Valladares é uma iniciativa cultural da Organização Odebrecht conferida anualmente a um projeto de pesquisa inédito que trate de tema ligado à história do Brasil.

A Organização Odebrecht é responsável pelos recursos necessários à realização completa do projeto selecionado, da pesquisa à edição de livro ilustrado – sempre com o apurado tratamento gráfico que caracteriza a coleção de Edições Culturais da Odebrecht.

As pesquisas patrocinadas resultam na edição de livros de arte, que são distribuídos para bibliotecas e entidades públicas e privadas, do Brasil e de outros países.

2 comentários

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  • Ricardo Simões de Arruda
    18 Mar 2015 às 12:02

    Excelente exemplo de pesquisa histórica. O trabalho irá aumentar e facilitar a compreensão da história de Mato Grosso e de como funcionava o controle de Portugal sobre seu território. Bela fonte de informações de geografia, sociologia, antropologia, filosofia e outras áreas.

  • Gilmar Maldonado Roman
    18 Mar 2015 às 11:52

    O 4.º Capitão General Governador de Mato Grosso, fez uma excelente administração. Fundou Santa Maria do Paraguai, hoje Cáceres, Vila de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, hoje Corumbá, mandou construir o Forte Príncipe da Beira no baixo Guaporé (hoje em Rondônia) e o Forte de Coimbra, hoje no Mato Grosso do Sul, entre outros feitos. Bem merecido o trabalho sobre a pessoa. Parabéns aos pesquisadores!

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