Sob os pés de quem passa apressado pelo Centro Histórico, um capítulo essencial da história de Cuiabá permanece quase invisível. No subsolo da Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, uma cripta guarda não apenas restos mortais, mas personagens que ajudaram a moldar os rumos da capital mato-grossense, um detalhe que ainda passa despercebido por grande parte da população.
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Nos 307 anos da cidade, celebrados neste 8 de abril, o local revela um de seus segredos mais simbólicos: ali está enterrado Pascoal Moreira Cabral, bandeirante que liderou, no século XVIII, o processo de ocupação que daria origem à capital.
A formação de Cuiabá está diretamente ligada às expedições que avançavam pelo interior do país em busca de ouro e na captura de indígenas. Foi nesse cenário que Cabral se destacou, dando início ao povoamento da região. Mas ele não está sozinho na cripta.
O espaço reúne nomes que atravessam diferentes períodos da história de Mato Grosso. Entre eles, Miguel Sutil de Oliveira, associado às descobertas auríferas que impulsionaram o crescimento local, e Dom Francisco de Aquino Corrêa, uma das figuras mais influentes na política, na cultura e na religião do estado.
Também estão sepultados Dom Carlos Luiz D'Amour e Dom José Antônio dos Reis, que tiveram papel na consolidação da Igreja Católica na região. Já Dom Orlando Chaves marcou a condução religiosa no século XX, enquanto Frei José Maria de Macerata ficou conhecido pela atuação missionária.
A atual estrutura da catedral foi inaugurada em 1973, após a demolição da antiga igreja, em 1968. A cripta, no entanto, resistiu às mudanças e permanece preservada, um espaço silencioso que concentra parte significativa da memória cuiabana, escondida logo abaixo da rotina de quem circula pela região central.