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Segunda-feira, 13 de abril de 2026

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referência à escravidão

Placa que descreve pelourinho da Praça da Mandioca como lugar de castigo para criminosos indigna coletivo antirracista: “afronta”

Foto: Reprodução

Placa que descreve pelourinho da Praça da Mandioca como lugar de castigo para criminosos indigna coletivo antirracista: “afronta”
Uma placa que teria sido confeccionada há mais de 15 anos dá boas-vindas a quem chega na Praça da Mandioca, no Centro Histórico de Cuiabá, em três idiomas diferentes: português, espanhol e inglês. Depois de ter sido retirada do local durante uma reforma, ela foi recolocada há algumas semanas e passou a incomodar a fundadora da Casa das Pretas, que funciona em frente à praça desde 2020, Antonieta Batista. 


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Na parte de trás da placa, a Praça da Mandioca é citada como o “temível Pelourinho, onde eram expostos e castigados os criminosos e outros contraventores da lei”. Para Antonieta, o trecho apaga o principal uso histórico do instrumento, que foi a violência contra pessoas escravizadas.

Para ela, não contextualizar a escravidão pode gerar uma interpretação distorcida sobre quem eram as pessoas submetidas a esse tipo de punição pública. Antonieta afirma que ignorar a questão racial revela uma falta de leitura histórica sobre o tema.

“Meus ancestrais não eram criminosos e contraventores, isso é uma afronta às nossas lutas. Os turistas que vão chegar, vão olhar e entender que aquela é a história. Não podemos pegar uma placa de 15 ou 20 anos e colocá-la no mesmo lugar. Eu, enquanto uma mulher preta que possui leitura racial, não vou silenciar diante de situações como essa”. 

“É uma placa de muito anos atrás que diz que nós negros somos criminosos. Muitas pessoas não acreditam que aqui era o pelourinho, nós precisamos entender a história. Essa praça é muito significativa para o povo negro. Essas casas eram usadas para comercializar pessoas escravizadas”. 

De acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Praça da Mandioca, Guto Vieira, a placa sempre esteve no local e foi retirada apenas para a reforma. Ele entende que o texto escrito na estrutura não faz menção a questões raciais. A placa teria sido confeccionada por volta de 2015 por Nestor Defletas. 


 
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