As primeiras imagens registradas por armadilhas fotográficas instaladas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no início deste mês, revelaram parte da vida selvagem presente na unidade de conservação localizada a 64 km de Cuiabá. Os registros foram divulgados pelo Instituto Impacto em alusão ao Dia Mundial da Vida Selvagem e marcam a fase inicial de um projeto que pretende mapear a presença de onças-pintadas na região.
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As imagens foram registradas durante o período piloto, iniciado no final do ano passado e fizeram registros considerados raros, como o de um gavião-de-penacho. As imagens fazem parte de um teste que antecede um monitoramento mais amplo da fauna local.
O projeto é coordenado pelo veterinário e conservacionista Paul Raad, responsável pelo Instituto Impacto. Segundo ele, a próxima etapa será a instalação de 80 armadilhas fotográficas no parque, formando o maior grid de câmeras já implementado na área.
O objetivo é catalogar as onça-pintada que vivem na Chapada e que ainda não foram monitoradas oficialmente, mesmo após mais de três décadas da criação do parque.
“Esse parque fica a simplesmente 50 minutos da capital e todo mundo fala que tem onças-pintadas aqui que nunca foram monitoradas, desde a criação do parque, em 1989. Então vamos começar a instalar as câmeras e fazer um monitoramento durante três anos”, explica o Instituto Impacto.
Entre as metas do projeto está também a tentativa de registrar um animal que ganhou fama entre moradores e guias da região: a chamada onça-preta da Chapada, considerada por muitos como um “fantasma”. Embora haja relatos de avistamentos, nunca houve comprovação fotográfica do felino.
“O que mais queremos descobrir é o fantasma da Chapada que habita aqui. Todo mundo fala que tem uma onça preta. Por que um fantasma? Porque todo mundo fala que está aqui, mas ninguém conseguiu registrar”.
O monitoramento será realizado em parceria com o ICMBio, o WWF-Brasil, o CENAP e o Instituto Pró-Carnívoros. A iniciativa busca ampliar o conhecimento científico sobre a fauna do Cerrado, considerado a savana mais biodiversa do planeta e habitat de mais de 1.500 espécies de vertebrados.