Um conjunto raro de filmes em 16mm que registra momentos marcantes da história, da cultura e da vida social de Mato Grosso foi preservado por meio do projeto “Digitalização de Acervos Audiovisuais do Cineclube Coxiponés”. Entre os registros preservados em 16mm estão imagens da visita do governador Fernando Corrêa da Costa a Vila Bela da Santíssima Trindade nos anos 1950, o filme “Marechal Rondon: Patrono das Comunicações” de Amaury Valério, realizado em 1969, diversos acontecimentos sociais e culturais de Cuiabá e outras cidades, como desfiles cívicos, casamentos e bailes de debutantes, além de dois filmes estrangeiros da série "Chroniques de France", do ano de 1973.
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Já dentre os filmes de 8mm e Super-8 há registros históricos do grupo musical Cinco Morenos, da Escola de Samba Mocidade da UFMT e do Grupo Sarã, imagens da festa do Divino em Água Fria, além de acontecimentos artísticos e culturais, como recitais, saraus, espetáculos de balé da cia Aldo Lotufo e apresentações musicais. Todos eles datam dos anos 1970.
Realizada pelo Instituto Pantaneiras em parceria com o Cineclube Coxiponés da UFMT, a iniciativa foi viabilizada com recursos da secretaria estadual de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, via Lei Paulo Gustavo, e marca um passo decisivo na salvaguarda da memória audiovisual do estado.
A partir do recurso financeiro disponibilizado via edital da Secel, o projeto priorizou a digitalização dos acervos de 16mm. As bitolas menores, em 8mm e Super 8, serão digitalizadas em 2026, por meio de parceria com o INCT- PresRes, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração do Audiovisual. Aprovado pelo CNPq em 2025, o INCT reúne 11 instituições brasileiras, dentre elas a UFMT por meio do Grupo de Pesquisa em Cinemas e Audiovisuais - GECAS, coordenado pela professora Letícia Capanema, também supervisora do Cineclube Coxiponés.
Para as coordenadoras do projeto, a digitalização representa um marco para a preservação do cinema e audiovisual mato-grossense.
“Essas películas trazem fragmentos importantes da história do estado e estavam sob risco de deterioração. O apoio da SECEL-MT foi fundamental para viabilizar sua preservação e permitir que esse material esteja disponível para pesquisa, educação e difusão cultural.”
O projeto também contou com atividades públicas que reforçam seu caráter formativo e de acesso democrático à cultura. De outubro a dezembro, foram realizadas duas mostras audiovisuais — uma no IFMT Bela Vista e outra no Cineclube Coxiponés. Também foram ofertadas as oficinas “Cinema de Arquivo”, ministrada pela professora do Curso de Cinema e Audiovisual da UFMT Sabrina Tenório Luna, e “Audiodescrição”, realizada por Aline Wendpap. As atividades promoveram, respectivamente, práticas criativas de produção audiovisual a partir de filmes de arquivo e a realização de exercícios de audiodescriação, resultando em 5 filmes do acervo com recursos audiodescritivos.
O catálogo dos filmes de 16mm digitalizados pelo projeto está disponibilizado no site e redes sociais do Cineclube Coxiponés (
https://shre.ink/5MdR) permitindo que pesquisadores, estudantes e o público em geral possam consultar as fichas técnicas e algumas imagens provenientes dos filmes. O catálogo também inclui uma chamada pública para a identificação de pessoas retratadas, dos filmes e de seus realizadores e realizadoras, já que grande parte dos rolos foram encontrados sem informações.
Com 49 anos de atuação, o Cineclube Coxiponés é um dos principais espaços de difusão e preservação do cinema em Mato Grosso, vinculado à Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Vivência da Universidade Federal de Mato Grosso. O projeto de digitalização fortalece sua função como centro científico e cultural de referência e garante que parte importante da memória audiovisual do estado continue viva.
O acervo, composto por cerca de 75 rolos de filmes em 8mm, Super-8 e 16mm — datados dos anos 1950, 1960 e 1970 — foi encontrado nos arquivos do Cineclube Coxiponés e passou por triagem técnica. Vinte seis dessas películas de 16mm, em melhor estado de conservação, foram digitalizadas por laboratório especializado e catalogadas, garantindo que possam ser consultadas e difundidas para novos públicos.
Coordenado pelas pesquisadoras Aline Wendpap, presidente do Instituto Pantaneiras e professora do PPGECCO/UFMT, e Letícia Capanema, supervisora do Cineclube Coxiponés e professora do PPGCOM e do curso de Cinema e Audiovisual da UFMT, o projeto aprovado no Edital N.06/2023 Cinemotion/SECEL-MT - Edição Lei Paulo Gustavo conta com a parceria do LUPA - Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense. Os vinte e seis rolos de 16 mm passaram por revisão técnica, higienização e digitalização realizadas pela equipe do LUPA, coordenada pelo professor da UFF Rafael de Luna Freire. Todo o processo foi supervisionado pelos professores e pesquisadores da Faculdade de Comunicação e Artes da UFMT Diego Baraldi, Letícia Capanema e Aline Wendpap .