Olhar Conceito

Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Notícias | Artes visuais

'A jornada do corpo'

Exposição reúne 20 fotografias e textos realizados por mulheres que possuem corpos dissidentes

Exposição reúne 20 fotografias e textos realizados por mulheres que possuem corpos dissidentes
As ruas do centro de Várzea Grande, Cuiabá de Chapada dos Guimarães, bem como alguns centros culturais nesses dois últimos municípios, recebem a partir desta segunda-feira (19) a exposição coletiva em realidade aumentada “A Jornada do Corpo”. O trabalho foca na valorização e a difusão de imagens, criações literárias e histórias de vida de 20 mulheres cuiabanas, com corpos dissidentes, como trans, travesti, negra, gorda e parda, que são realizadoras de arte e cultura.


Leia também 
Riscos das trends no TikTok: dermatologista alerta para práticas como “Caveman Skincare” e #NoSunscreen

Exibida a partir de QR Codes em adesivos e placas em braile que foram colocados em ruas com alto fluxo de transeuntes nos três municípios, a exposição foi criada a partir dos resultados produzidos no projeto “A Jornada do Corpo Presencial”, que ocorreu entre os meses de julho e agosto de 2025, em Cuiabá. As imagens e textos foram produzidos durante oito encontros do projeto, quando foram realizadas quatro oficinas, que abordaram temas como corpo, performance, escrita, imagem, auto retrato e fotografia.

As oficinas ocorreram na Casa Cuiabana e foram ministradas por quatro convidadas: Malu Jimenez, Lupita Amorim, Jaque Roque e Ju Queiroz, que também é a proponente , produtora e diretora do projeto, além de assinar a curadoria da exposição.

“Colocamos em destaque corpos que foram historicamente invisibilizados, mas que são insurgentes. Todos os processos criativos trataram da (r)existência que mulheres negras, gordas, periféricas, LGBTQIAPN+, com deficiência, idosas e que estão fora dos ditos ‘padrões de beleza’, mas que criam arte, desafiam o preconceito, buscam ocupar cada vez mais espaços para sobreviver e combater as diversas violências”, explica Ju Queiroz.

Segundo a produtora cultural, um dos principais objetivos do projeto, que é financiado com recursos do Edital Viver Cultura - Expressões Artísticas, da Lei Paulo Gustavo da Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), é criar um espaço para a narrativa das histórias de vida através de múltiplas linguagens. 

“As mulheres puderam experimentar coletivamente e artisticamente novas possibilidades de narrativas de si mesmas, compartilharam suas histórias, produziram poesia e narrativas fotográficas, que agora brindam ao público em Cuiabá, Chapada e Várzea Grande”, comenta Ju.

Em Cuiabá, os QRs codes estão afixados em postes de ruas da região da praça da Mandioca e no Centro Cultural Casa das Pretas. Na Chapada dos Guimarães, as placas e adesivos foram colocados em postes de ruas do centro e nos seguintes estabelecimentos: Casa de Vó, Sebo e Antiquário Rua Antiga, Centro Cultural Cafua, Centro Cultural Casa di Rose e Chapada Hostel. Já em VG, foram afixados na Avenida Arthur Bernardes. As obras permanecerão fixas até a sua degradação natural e possíveis intervenções do público.

Participantes relatam transformação interior

As participantes do projeto e agora autoras das fotos e textos literários que estrelam a exposição relatam que os encontros/oficinas proporcionaram, de fato, uma jornada de encontro e fortalecimento entre o caminhar interior e o caminhar coletivo. A publicitária e produtora Duda Dall Belo, por exemplo, pondera que “a Jornada do Corpo foi delicadeza, amor e mulheridade!” 

Para a atriz e dramaturga Maré, participar do projeto “foi uma experiência de me quebrar inteira, de me desmontar, de me tirar de um lugar de uma forma completamente diferente do que eu achei que seria, pra a partir daqui eu entender quais conexões eu quero fazer!” 

Já a artista Josy Campos enfatiza que “a Jornada foi uma experiência maravilhosa, de muitas transformações e de muito aprendizado. Eu aprendi muito com as meninas aqui, que contribuíram muito com essa troca afetiva e para mim tá sendo muito gratificante. Quando eu vi a publicação da Ju eu disse: eu tenho que fazer essa jornada!”

Por sua vez, Virgínia Meirelles, destaca que: “foi tão, tão incrível. Um caminho novo que se abriu, um novo olhar, uma convivência, um acolhimento, uma nova realidade, nova vivência. E é isso, tudo misturado. Uma transformação!”

Histórico - A Jornada do Corpo é um projeto criado em 2020 por Ju Queiroz, com o objetivo de conduzir as mulheres por uma experiência artística e sensorial através do autorretrato. Mais de 300 mulheres de todo o Brasil e exterior já participaram das 9 turmas do projeto, que sempre foi realizado de modo online e pela primeira vez é proposto uma vivência presencial.

 
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet