A cuiabana Raquel Rodrigues da Silva, de 23 anos, encontrou nos incensos artesanais um caminho de reconexão consigo mesma. Criadora da Alquimoon, marca lançada em dezembro do ano passado, ela produz e comercializa incensos naturais feitos à mão, apostando na presença no dia a dia como proposta central do negócio. Lavanda, canela, breu branco e palo santo estão entre as essências.
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A relação com o feito à mão começou ainda na adolescência, quando vendia cupcakes, mas foi interrompida ao entrar no mercado de trabalho formal. O interesse pelos incensos permaneceu de forma pontual até uma viagem ao Rio de Janeiro, quando conheceu um incenso natural da marca Nirvana e percebeu a diferença em relação aos produtos industrializados vendidos em supermercados.
A jovem acabou se afastando do hábito de comprar incensos naturais por não encontrá-los com facilidade em Cuiabá, já que o produto é feito artesanalmente. Para suprir a própria necessidade, Raquel fez um curso para aprender o processo de produção e passou a sonhar em criar uma marca.
“Foi um ano marcado como de muitas descobertas de autoconhecimento, conheci muito mais a mim mesma e tinha uma necessidade de achar um pouco de presença na minha rotina, porque sentia que estava vivendo muito no automático. O incenso veio nessa busca”, contou Raquel ao
Olhar Conceito.
A escolha das ervas segue essa lógica: lavanda para acalmar, alecrim para foco e disposição, canela para trabalhar questões ligadas à prosperidade. A mesma percepção orienta o uso de banhos energéticos e outros rituais associados à marca.
“Não temos muito esse hábito dos incensos naturais aqui em Cuiabá ainda, é um produto que as pessoas ainda estão conhecendo e se conectando. Ainda estão percebendo as diferenças de um incenso 100% natural para o industrializado, ele não tem nada tóxico, sem essência ou aditivo de queima, é um incenso que não vai fazer mal para sua saúde. Você vai sentir o cheiro mesmo da planta, não o cheio de uma essência”.
Nas feiras em que participou ao longo do ano, Raquel começou a notar, no entanto, que o público tem buscado com mais frequência por incensos naturais. “Participei do Bazar na Vila e uma moça chegou para conversar, ela tinha ganhado um incenso meu de presente, mas estava sem o perfil do Instagram, só o nome da marca. Ela falou que não conseguia encontrar, mas tinha gostado muito e queria comprar para dar de presente. Sinto que estou no caminho certo… As pessoas estão me conhecendo”.
Quando conversa com os clientes, que costumam voltar de duas em duas semanas ou uma vez por mês para garantirem os incensos naturais, a jovem explica que tenta reforçar a importância de momentos de conexão e presença. Para o fim de ano, ela preparou o lançamento de um kit voltado à prosperidade.
“Acender um incenso é tirar um momento do dia para se conectar com você mesmo e com o que você está sentindo, é permitir se acalmar e se concentrar, utilizando a magia das ervas, uma magia que está na natureza. É algo que está se perdendo com o tempo, as pessoas não conhecem mais as propriedades das plantas. Se perguntar para uma avó, por exemplo, ela vai saber qual chá é bom para tal doença ou tal dor. Hoje em dia a gente só taca remédio para dentro: para dormir, para dar disposição. Sendo que temos o que precisamos na natureza”.
Sem loja própria atualmente, é nas feiras de artesanato que Raquel tem contato com os clientes, tanto os fieis quanto os novos. Para a jovem, eventos do tipo ajudam a conectar pessoas que empreendem com o feito à mão do público que admira esse tipo de trabalho.
“Existem vários tipos de feiras, algumas em shoppings, que são de empreendedorismo, mas as feiras de artesanato são muito importantes porque chegam no nosso público-alvo. Elas conectam toda uma rede de artesãos, pessoas que fazem cerâmica, vela, cadernos, bijuterias, cosméticos… Isso ajuda a ter a consciência de apoiar mais esses empreendedores”.
Depois que entrou para o ramo do feito à mão, Raquel também adotou um novo estilo de vida: priorizar produtos que são feitos por outros pequenos empreendedores. “Vi o quão importante é apoiar a economia de quem pensa como a gente. Os perfumes que uso são de amigas empreendedoras, cosméticos, velas, cerâmicas… Compro tudo de pessoas que conheço”.