O 1º Festival de Dança Siriri vai movimentar Chapada dos Guimarães (64 km de Cuiabá), neste sábado (13). Os grupos Águas do Cachuá (Comunidade João Carro), Patucha (Chapada), Buriti do Cerrado (Cuiabá) e Flor do Cambambe (Comunidade Água Fria), se encontram na cidade para um dia de trocas culturais, oficinas, apresentações e debates sobre o futuro do siriri.
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Cerca de 100 participantes, entre dançarinos, músicos e equipes, integram a programação, que acontece em espaços comunitários e se encerra com apresentações abertas ao público na Praça Dom Wunibaldo, a partir das 20h.
O festival tem curadoria do artista e pesquisador Fernando Pael, que destaca o papel de Chapada como ponto de convergência das tradições. “O festival cria um espaço de visibilidade e troca entre grupos que mantêm viva a memória do siriri em diferentes regiões. É um momento de celebração, aprendizado e reconhecimento dos mestres e brincantes.”
O evento é realizado pelo Grupo Folclórico Patucha, Assembleia Legislativa de Mato Grosso e Governo do Estado, via Secel-MT, com apoio da Prefeitura de Chapada dos Guimarães e instituições culturais.
O siriri em foco
Tradicional em Cuiabá e em comunidades mato-grossenses, o siriri tem raízes indígenas, africanas e europeias, conforme estudo de Sônia Gonçalina Pereira e Carlos Rinaldi (RCC, 2025). A dança, marcada pelo ritmo da viola de cocho, ganzá e mocho, preserva memórias, identidades e modos de vida. Os passos simples e coletivos reforçam o caráter festivo e o vínculo comunitário, elementos fortemente presentes nas comunidades chapadenses.
Grupos participantes de Chapada
Grupo Folclórico de Siriri Patucha – Chapada dos Guimarães
Referência da cultura popular local, o Patucha nasceu em 2000, na Escola Estadual Ana Tereza Albernaz, a partir das vivências musicais dos professores Deijanil Maria do Nascimento (Deja) e Pedro Boaventura da Silva (Pedrinho). O nome remete ao antigo Panorama Turístico de Chapada, dos anos 1970, onde o siriri era presença constante.
Em 25 anos, o grupo se consolidou como espaço de formação, convivência e preservação cultural, difundindo siriri, cururu e tradições chapadenses. Foi tema de websérie, livro e, em 2024, ganhou o curta Pelo Cururu e Siriri em Chapada dos Guimarães.
Grupo Águas do Cachuá – Comunidade João Carro
Fundado em 2022, o Águas do Cachuá é símbolo do protagonismo feminino no siriri. Surgiu de encontros comunitários conduzidos pelas filhas do professor Jacondino Bezerra e é liderado por Dona Luísa Bezerra e Dona Matilde Bezerra, com direção artística de Fernando Pael.
Com 12 dançarinas, 9 músicos e equipe de produção, o grupo mantém ensaios semanais e une fé, resistência e memória coletiva. O nome homenageia o músico Carlito Cachuá e o antigo córrego Cachuá, reforçando a ligação com o território próximo ao Lago do Manso.
Grupo Flor do Cambambe – Comunidade Água Fria
O mais antigo dos grupos chapadenses participantes, o Flor do Cambambe foi criado em 1967 durante uma festa de santo na comunidade de Água Fria. O nome faz referência ao Morro do Cambambe, marco geográfico da região.
Pesquisas de Giordanna Santos (2010) descrevem Água Fria como um distrito de formação garimpeira, historicamente ligado à cultura popular. Liderado por Deodato Alves de Oliveira e Regina Márcia Fernandes, o grupo mantém a tradição como prática comunitária há mais de cinco décadas. Regina resume o processo de valorização cultural ao afirmar:
“O interesse começou quando descobriram que o siriri também dá voto.”
Demais participantes
Grupo Buriti do Cerrado – Cuiabá
Criado em 2016 por educadores da rede municipal, o grupo surgiu de memórias afetivas e se fortaleceu em ações pedagógicas, ensinando siriri a alunos e comunidades escolares. Hoje, mantém uma associação cultural, 20 integrantes e participa de eventos em todo o estado, sustentado por ações comunitárias.
PROGRAMAÇÃO – Sábado (13) em Chapada dos Guimarães
Atividades formativas – CMEI Magia do Saber “Anita Goulart” (Bairro São Sebastião)
11h às 16h
11h – Recepção dos participantes
12h – Almoço
14h – Roda de conversa
Desafios enfrentados pelos grupos
Construção de carta-compromisso com o poder público e sociedade civil
16h – Oficina de instrumentos tradicionais
Viola de cocho
Ganzá
Mocho
Após a oficina – Ensaio dos grupos
Apresentações públicas – Praça Dom Wunibaldo
20h – Festival de Siriri (aberto ao público)