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Sábado, 24 de janeiro de 2026

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Rondonópolis ganha livro sobre patrimônio da cidade escrito por alunos da rede pública

Rondonópolis ganha livro sobre patrimônio da cidade escrito por alunos da rede pública
Os patrimônios materiais, imateriais e ambientais da cidade são o tema do livro “Rondonópolis – A cidade da gente”, que será lançado nesta segunda-feira (9). Os autores são os alunos da rede pública de ensino do município. Foram doze turmas de três escolas envolvidas no projeto: EMEF Vila Paulista, Maria Ursulina de Miranda e EMEB Odorico Leocádio da Rosa.


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Para construir o livro, cada turma cuidou de um tema e, em suas pesquisas, os alunos visitaram os patrimônios e receberam pessoas para falar nas escolas sobre cada assunto. O projeto envolve ainda a parceria com a escritora Luciana Nabuco e com os ilustradores Olavo Costa e Jordí para dar ao livro o acabamento de uma obra profissional.

O projeto “A cidade da gente” é produzido pela Editora Olhares e viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet – sob responsabilidade do Ministério da Cultura. O livro de Rondonópolis teve o patrocínio da ADM, líder global em comercialização de grãos, insumos e nutrição humana e animal, e contou com parceria da Secretaria Municipal de Educação.

Cada turma escolheu um tema dentre os patrimônios materiais, imateriais e ambientais da cidade para investigar e  tematizar em produções textuais de diversos gêneros, do poema à fanfic. A Exposul, a Praça dos Carreiros, a Rodovia do Peixe e a Aldeia Tadarimana foram alguns deles.

Para contar a história do Correio Velho, os alunos produziram cartas,  expressando a sua preocupação com a continuidade de espaços relevantes à cidade e, por extensão, aos próprios alunos-autores, como é possível ver no texto da aluna Emily Vitória Almeida Freitas: “Peço que reformem o Correio Velho, por favor. Existem pessoas que moram longe demais e não têm condições de adquirir um dispositivo para enviar mensagens, por isso precisam do correio.”
 
Em seu texto de apresentação, o Secretário Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Carlos Alberto Pereira Júnior, comenta o impacto do projeto para a rede municipal de ensino, que receberá a doação de 2650 exemplares para uso didático: “Vocês vão perceber que as poesias, os desenhos, as pinturas e as músicas falam de pessoas, lugares, bichos e coisas que vocês já viram, já imaginaram, já experimentaram e, o mais importante, já conheceram, pois tudo isso é Rondonópolis – a cidade da gente! O livro foi especialmente desenvolvido pelos alunos da Rede Municipal de Ensino, possibilitando a eles protagonismo e despertando encantamento, pertencimento e apreço por sua gente, seu patrimônio e sua cidade.”

A distribuição para uso didático garante que o livro fará parte da educação de gerações de novos cidadãos de Rondonópolis, que poderão aprender sobre a cidade a partir do olhar de outras crianças e adolescentes locais, como os autores da edição. Uma versão digital do livro pode ser acessada também no site do projeto, www.acidadedagente.com.br.

Sobre o projeto

Com livros já publicados em mais de 40 cidades nas cinco regiões do país, a coleção A cidade da gente propõe uma parceria de escritores e ilustradores profissionais com professores e alunos das escolas públicas de cada cidade abordada para contar as histórias de seus patrimônios materiais, imateriais e ambientais. O projeto foi vencedor do prêmio Retratos da Leitura 2019, promovido pelo Instituto Pró-Livro para reconhecer ações destacadas de incentivo à leitura em todo o país. Idealizado pela Editora Olhares, o projeto A cidade da gente completou 10 anos de publicações em 2025.

Processo de trabalho com as escolas é um dos valores da coleção

Cada livro da coleção conta a história de um município brasileiro a partir de seus patrimônios e o roteiro de temas locais surge a partir da interação com gestores da educação e professores das redes municipais de ensino. Cada tema se torna o projeto de uma turma e os alunos são incentivados a investigar e dissertar sobre eles, tornando-se guias literários dos escritores na cidade. Assim, viram protagonistas de suas próprias histórias quando o livro toma forma.

Ao narrar as histórias dos patrimônios locais com o ponto de vista das crianças, os livros da coleção têm como objetivo apoiar a perpetuação e a disseminação da história das cidades abordadas, valorizando lugares e atividades importantes da memória coletiva da cidade, além de ampliar as noções das crianças sobre sua identidade e sobre o pertencimento à cidade e à região onde vivem. O projeto é também um importante apoio ao aprendizado, trazendo uma oportunidade de que ele aconteça a partir de temas locais e de interesse próximo para as crianças, como preconiza a Base Nacional Curricular Comum, do Ministério da Educação.

“O projeto investe em uma via de mão dupla, com a pesquisa, a leitura e a escrita ajudando as crianças a valorizarem seus locais de origem e, ao mesmo tempo, aproveitando esse vínculo geográfico para estimular o aprendizado”, considera a coordenadora pedagógica do projeto Giselle Germano.

Para a ADM, apoiar o projeto é uma forma de contribuir com a educação, o desenvolvimento social e a preservação da memória de um dos municípios onde a companhia possui atuação. “É com muita satisfação que colaboramos com essa iniciativa que estimula o engajamento das crianças com a cultura local e reforça o papel da aprendizagem ativa na formação de cidadãos conscientes sobre a história e o legado das regiões onde vivem. Esse é o nosso objetivo: ajudar as comunidades a prosperarem, por meio de geração de conhecimento e da inclusão, para construção de um futuro melhor”, ressalta Caroline Hoth, especialista em Sustentabilidade da ADM para a América Latina.

Livros da coleção se tornam referências locais

Produzido em geral em pequenos e médios municípios, os livros da coleção tendem a se tornar importantes referências de conhecimento para as cidades participantes, com linguagem acessível mesmo para quem não tem hábito de leitura e com a vantagem de trazer o ponto de vista das crianças locais.

Para garantir que o livro se perpetue nas escolas da rede pública de cada cidade, são distribuídos gratuitamente entre elas 2.600 exemplares de sua tiragem e oferecida uma formação de professores para reunir ideias de uso em diferentes disciplinas, estimulando o uso pelas turmas ano a ano, em temas diversos, por muitas gerações.

Sobre os profissionais envolvidos

Luciana Nabuco

Jornalista, tradutora, escritora e artista visual, nasceu no Acre e desde 2003 trabalha com a temática afro-indígena brasileira.

Olavo Costa

Quadrinista e ilustrador paulistano, adora desenhar desde criança. Formou-se em Artes Plásticas pela ECA-USP e, em mais de dez anos de carreira, ilustrou para revistas, jornais, álbuns de quadrinhos e dezenas de livros infantis e infanto-juvenis em parceria com escritores e artistas como Lourenço Mutarelli, Vincent Villari e Regiane Alves.
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