A Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) premiou em 18 categorias na última terça-feira (9), artistas visuais, curadores, críticos, pesquisadores, gestores e instituições culturais que mais contribuíram para a cultura nacional em 2024, no SESC Vila Mariana em São Paulo. Mato Grosso levou a categoria "Destaque Regional - Centro Oeste", através da Casa Vítuka, espaço de formação artística e cultural.
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As nomeações foram elaboradas a partir de indicações dos associados da organização, que atualmente conta com quase 170 críticos de arte de todas as regiões do Brasil e a escolha dos agraciados foi feita por votação realizada entre os sócios da ABCA, a partir do reconhecimento da contribuição para a cultura nacional de personalidades atuantes na área das artes visuais, a ABCA instituiu sua premiação anual em 1978.
A ABCA é a mais antiga associação brasileira de profissionais da área das artes visuais, criada em 1949 pelos críticos Sérgio Milliet, Mário Barata, Antonio Bento, Mário Pedrosa, entre outros importantes intelectuais atuantes na crítica de arte.
Já a Casa Vìtuka abriu as portas para o público em novembro de 2024, investindo na presença indígena na capital de Mato Grosso. Sua atuação pretende aproximar a população dos indígena, que só em Mato Grosso é representada por mais de 40 povos. Isso se dá a partir de atividades de mediação e formação cultural, que envolve o reconhecimento das culturas indígenas, mas também, de profissionais indígenas em suas áreas de atuação, em especial em atividades que possam apoiar jovens e mulheres de Mato Grosso.
A Casa abriga o Ponto de Cultura Acervo e Memória indígena e indigenista, cujo foco é a difusão online e presencial do acervo e memória do indigenista Antonio João de Jesus e o Ateliê do artista Gustavo Caboco. De origem Wapixana (Roraima), Caboco viveu em Curitiba e se fixou em Cuiabá, onde faz a gestão da Casa e desenvolve seus trabalhos artísticos que circulam pelo mundo.
Durante a cerimônia de premiação fez uma fala agradecendo 'todas as coisas' que alimentam a cultura indígena e os teimosos que seguem tecendo as redes, mencionando os Parixara (cantos, danças), para celebrar os teimosos que seguem tecendo as redes, aprendizado tido em Canauani, território de origem de Gustavo em Roraima.
Além deles, alguns colaboradores estão vinculados às atividades, seja como formadores, assessores e pensadores, como Libério Boe Bororo, Helena Corezomaé e, Anita Leocádia.
Em sua fala, Naine Terena, idealizadora do espaço e filha do indigenista Antonio João, contou que seus avós e pais, às margens dos rios Cuiabá, Coxipó e Aquidauana, sempre foram boas 'Casas', recebendo e acolhendo pessoas durante a vida.
Isso perpassa também a década de 1990, quando tiveram um Grupo de Teatro no Bairro Parque Cuiabá. "Entre erros e acertos, esta experiência atravessou as décadas como um momento de formação para a vida e acordou nesse novo ciclo, tendo arte e cultura como bem viver", explica ela.
Alexandre Tochetto, psicólogo, fez parte deste momento, onde o quintal da casa de Antônio João, era o local de se fazer arte. Ele se lembra que sua mãe explicava que por serem indígenas, a família de Terena vivia junto, enquanto os não indígenas brigavam e iam vivendo separados.
"Eu sabia que era uma família indígena e achava o máximo. O pai da Naine me ensinou a falar sol e lua em língua indígena. Sabia o significado dos nomes dos filhos, tinha paciência, cumprimentava, conversava, ensinava", explica ele.
Jakeline Sol, jornalista e escritora, conta que em 1999, o grupo de teatro Vida lhe devolveu a vida novamente, restaurando a autonomia, autoconfiança e criatividade. Na sua lembrança, a simplicidade daquele movimento se estendia por todos os lados naquele lar, começando com a atenção, o cuidado, os bolos e sucos, ofertados por Anita, as conversas inspiradoras e as artes expostas.
"Hoje, o nome mudou para Casa Vìtuka, e o que me impressiona é que 'Vida' é tudo aquilo que se vê, vive e é palpável. Embora o nome tenha mudado, o sentido permanece o mesmo. 'Vituka' significa 'bem te vi', todos podem enxergar, mas poucos são os sensíveis que permanecem e se doam ao outro. Esses são os que veem o invisível, o impossível, o inalcançável", finaliza.
Sobre a Casa: As atividades ocorrem uma vez ao mês e a programação pode ser acompanhada no perfil: @kena_vituka [instagram] e Oráculo Comunicação, educação e cultura no facebook.