Elas se conheceram adolescentes, em 2010, em uma escola de Cuiabá, pelo amor em comum por Lady Gaga. A conexão foi instantânea, alimentada por um sentimento forte de fã. Desde então, Pollyana Rodrigues, 28 anos, e Thays Amorim, 27 anos, nunca mais se desgrudaram, mesmo com a distância, mudanças e fases da vida. Agora, 15 anos depois, vão se reencontrar no Rio de Janeiro para viver, juntas, o maior show de suas vidas, em Copacabana.
Leia mais
Feijoada de Inverno 2025 divulga programação completa com show de Guilherme & Benuto em Chapada dos Guimarães
“A gente se conheceu como ‘little monsters’ e nunca mais se desgrudou. É muito simbólico poder viver isso juntas agora, tantos anos depois”, diz Pollyana, realizadora audiovisual e estudante de Cinema.
Já a jornalista e mestranda em Comunicação, Thays, que atualmente mora em Brasília, define a experiência como um reencontro não só com a amiga, mas com sua versão de 12 anos. “A Gaga representa aceitação, liberdade, a fúria dos rejeitados. Crescer como uma mulher LGBT+ foi solitário em muitos momentos. E ela me resgatou, me deu colo. O show é um sonho de 15 anos se tornando realidade”, afirma.
Mas até chegar lá, teve perrengue com hospedagem e passagens disputadíssimas. Thays fará um bate-volta para não faltar ao trabalho e Pollyana precisou equilibrar a viagem com a produção do TCC. Ambas relatam altos custos, mas afirmam que “vale cada centavo”. “É justo que muito custe o que muito vale”, resume Thays.
Além da emoção do show, Thays também está engajada em uma campanha nas redes sociais para conseguir acesso VIP e ficar mais perto da cantora. No X (antigo Twitter), com a hashtag #VIPpraThays, onde conta sua trajetória de fã e pede apoio para realizar esse desejo. Outros fãs cuiabanos também se mobilizam online com campanhas criativas e vídeos emocionantes na esperança de um lugar privilegiado na multidão.
Pollyana coleciona histórias curiosas em sua trajetória como fã. Em 2012, aos 15 anos, trabalhou durante mais de um ano numa drogaria para pagar a viagem e o ingresso do show da Gaga em São Paulo — comprando, inclusive, a pista premium escondido da mãe. “Foi meu primeiro emprego. Juntei tudo pra realizar esse sonho. Contei pra minha mãe só depois de voltar”.
Em 2013, ela e um amigo imprimiram centenas de cartazes para divulgar o álbum Artpop nas ruas de Cuiabá. Durante a pandemia, presa na Colômbia por conta do lockdown, foi ouvindo Chromatica no repeat que encontrou forças para voltar ao Brasil. “O álbum foi minha trilha sonora de volta pra casa. Gaga me salvou.”
Já Thays guarda uma memória amarga de 2017, quando estava no Rock in Rio esperando pela artista que precisou cancelar por problemas de saúde. “Passei mal de tanto chorar. Agora, com ela no Brasil, eu nem consegui dormir de tanta ansiedade. É real.”
Neste sábado (3), as amigas vão estar entre os mais de 1 milhão de fãs aguardados em Copacabana, vivendo o que descrevem como “um carnaval dos little monsters”.