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Segunda-feira, 22 de julho de 2024

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intercâmbio musical

Festivais Vambora de MT e Psica do Pará promovem conexão de artistas com shows de Keila e Calorosa

Foto: Reprodução

Festivais Vambora de MT e Psica do Pará promovem conexão de artistas com shows de Keila e Calorosa
A paraense Keila foi anunciada como atração da 4ª edição do Festival Vambora, que acontece entre 6 e 7 de setembro, em Cuiabá. Para promover a conexão entre artistas amazônicos, a banda cuiabana Calorosa vai se apresentar no Festival Psica, considerado um dos maiores festivais independentes do Brasil, em dezembro, em Belém (PA). A "troca" é resultado do intercâmbio entre os eventos. 


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O Festival Vambora também confirmou nomes importantes da música brasileira como Planet Hemp, Chico César, Gaby Amarantos, MC Soffia, Cynthia Luz, além de diversos artistas mato-grossenses, como a banda Calorosa. O local e a programação completa serão divulgados em breve, mas os ingressos já estão sendo vendidos

Os dois estados, além de vizinhos, têm em comum artistas que despontam exaltando as suas identidades, a partir da fusão de gêneros musicais contemporâneos e ritmos tradicionais. Keila é uma das responsáveis por promover a mistura inovadora entre o tecnobrega de Belém do Pará e sonoridades de outras periferias do Brasil, como o hip-hop, o funk carioca e o batidão romântico do Nordeste. 

Sua voz marcante e os ritmos dançantes estão presentes nos discos Keila (2017) e Malaka (2019), além dos singles "Vai Tremer" e "Brega Doido". Produções de uma carreira pautada não apenas pela música, mas também pela habilidade e talento com a dança. "Participei de grupos de hip-hop, fui b-girl e depois mergulhei na dança pop. Tempos depois, veio a febre do 'Treme' e percebi que poderia usar as danças de aparelhagens para inovar", conta a artista. 

Em Belém, a banda Calorosa vai compor um line-up que celebra a sonoridade Pan Amazônica, região composta por Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname, além do Brasil. "Pop tropical pantamazônico" é o conceito utilizado pela Calorosa para descrever uma original fusão de ritmos tradicionais da cultura popular de Mato Grosso, como o cururu, siriri, rasqueado e lambadão, como gêneros como o reggae, rock e eletrônico.

Por onde ecoa, o som “ardidinho, dançante e politizado” cativa um público a fim de dançar e se divertir, aberto a sonoridades e temas que vão além do que o mainstream entrega. Já são diversas participações em festivais, feiras de música e uma recente turnê nacional desde que a banda surgiu em contexto de pandemia.

"A gente tem construído uma identidade em sintonia com o contexto social e político. Falamos de afeto, liberdade de corpos, amor fora dos padrões e realçamos pautas da agenda de enfrentamento à crise climática", destaca Karola Nunes, vocalista e compositora da Calorosa. Um dos destaques que integra o primeiro EP da banda, Pacu e Pequi (2021), o "Manifesto Calorista", por exemplo, abusa de um humor ácido para questionar a monocultura de pensamento, defendendo que a ancestralidade negra, indígena e ribeirinha.

Conexão Mato Grosso e Pará

Coordenadora artística do Festival Vambora, Alessandra Grandini, explica que o contato entre o Festival Psica e o Festival Vambora aconteceu quando ela esteve em Belém no final do ano passado, para participar da terceira edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR). Lá, as produções se conectaram através de uma rede de festivais da Amazônia.

"Nós entendemos que Mato Grosso tem tudo a ver com o Pará. Além da maior parte do território mato-grossense estar na Amazônia, nossa cultura também foi formada pelos encontros e fluxos migratórios com o Pará, que tem a lambada; e nós, o lambadão. O Vambora é um festival que compreende essas questões territoriais, priorizando ritmos e fazeres artísticos nossos, e o Festival Psica também tem essa característica", explica a produtora do Vambora. 

Realizado há 11 anos em Belém, o Festival Psica conecta a cultura popular, grandes nomes da música brasileira com a história dos povos tradicionais da Amazônia, reverenciando quilombos, aldeias e a identidade cabocla da região. Durante três dias, o evento ocupa as ruas da Cidade Velha e o estádio olímpico Mangueirão com cinco palcos, numa experiência imersiva, colocando o grave das Aparelhagens, o Brega, a MPB e o tambor no mesmo nível.

"Essa conexão que estamos realizando com o Vambora, como temos feito com festivais de outras regiões, como o Feira Preta (SP) e o Afropunk (BA), é importante pra gente aquecer a cena. Queremos fazer os artistas circularem para que possamos expandir cada vez mais as nossas culturas entre diferentes regiões", destaca Gerson Júnior, produtor cultural e diretor do Festival Psica

Para Alessandra Grandini, a proposta de conexão entre os festivais mato-grossense e paraense é um reconhecimento das identidades culturais e, portanto, um ato de resistência. "Geográfica e culturalmente, estamos muito mais próximos do Pará do que do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, por exemplo. E mesmo que o nosso estado componha uma parte gigantesca do país, estamos, entre aspas, na periferia do Brasil. Então, é urgente nos conectar", destaca.

 
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