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Segunda-feira, 22 de julho de 2024

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Dermatologista de Cuiabá explica peeling de fenol: ‘feito em centro cirúrgico, por médicos e com exames prévios’

Foto: Reprodução

Dermatologista de Cuiabá explica peeling de fenol: ‘feito em centro cirúrgico, por médicos e com exames prévios’
Por se tratar de uma substância tóxica para o organismo, o peeling de fenol deve ser realizado em centro cirúrgico e exames prévios para checagem de possíveis problemas no coração, rim ou fígado, são obrigatórios, como explica a dermatologista Elaine Tugoe. O procedimento repercutiu nacionalmente após a morte do empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, em São Paulo (SP), no começo do mês. 


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Especializada em tratamentos estéticos como o peeling de fenol, Elaine Tugoe atende na Clínica Luvittê, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Ao Olhar Conceito, a dermatologista ressalta que o fenol chega nas camadas mais profundas da pele e entra na corrente sanguínea. Por isso, além dos exames prévios, a realização do procedimento em um centro cirúrgico é importante para evitar riscos de vida. 

“Tudo que você passa na pele é absorvido pelo organismo. [No caso de Henrique] Precisava ter feito exames, analisar e investigar se a pessoa tem uma saúde adequada e nunca ser realizado dentro de consultório, sempre em centro cirúrgico, porque se acontecer alguma intercorrência, devido a toxicidade, você consegue salvar essa pessoa”. 

Em imagens divulgadas pela imprensa, o rosto do empresário aparece com cortes, mas Elaine Tugoe explica que, de qualquer forma, o produto é absorvido pelo organismo. “Tudo que a gente usa na pele é absorvido, a gente tem poros minúsculos e cai onde? Na circulação sanguínea. O que acontece? Foi para o fígado, foi para o rim, absorveu. O coração não deu conta porque é uma substância tóxica”. 

 

Aula virtual e peeling de fenol por R$ 4,5 mil 

No caso que ganhou repercussão nacional, o peeling de fenol foi realizado pela influenciadora e esteticista Natália Fabiana de Freitas Antonio, de 29 anos, proprietária do Studio Natália Becker. A clínica não tinha licença para aplicar o peeling de fenol e, em sua defesa, Natália disse que o produto está disponível em sites de venda na internet. 

No depoimento à polícia, Natália afirmou que começou a realizar o peeling de fenol em dezembro do ano passado, depois de ter feito um curso online da farmacêutica paranaense Daniele Stuart. Intitulado “Aula peeling de fenol atenuado", o curso é hospedado na plataforma online Hotmart e, segundo o site, teve mais de mil alunos matriculados. A aula é vendida por R$ 500. 

Para Elaine Tugoe, a área médica está sendo invadida por pessoas sem formação, que começam a fazer um procedimento médico sem conhecimento sobre as complicações ou como conduzi-las em caso de emergência.

“Existe uma profundidade, uma quantidade e uma camada correta [para aplicar o fenol], isso tem que ser aprendido na prática, até para você aprender a sensibilidade da profundidade. Esse peeling é antigo, desde quando fiz minha residência médica, a gente já treinava o peeling de fenol. Sempre faço os exames certos, respeito a quantidade de produto que vou usar para não aprofundar muito, tudo isso tem que contar. Você não vê casos de uma pessoa que faleceu por causa de peeling de fenol feito por bons médicos”. 

Na clínica em São Paulo, Natália cobrava R$ 4,5 mil por aplicação, valor que foi pago por Henrique antes do procedimento que foi realizado no consultório. A dermatologista ressalta que o valor está abaixo do praticado por médicos especializados no peeling de fenol. 

“Geralmente é mais alto o valor, porque é feito em hospital, tem vários profissionais, cada um cobre o que quer, mas tem que ser no centro cirúrgico, tem que ser com tudo de primeiros socorros, não pode ser feito assim”. 

“ Às vezes é caso de não avaliar e ver por questão de preço, o médico trabalha e estuda tanto tempo, pratica tanto antes de colocar as mãos em uma pessoa, é questão de dar mais valor a vida delas mesmo. Se é um procedimento médico, procure a área médica, procure o profissional correto”, alerta Elaine Tugoe.

A dermatologista avalia que, no caso de Henrique que decidiu fazer o peeling de fenol para aliviar marcas de acne no rosto, outros procedimentos menos invasivos poderiam ter sido utilizados e alcançariam o resultado desejado pelo empresário. 

“Existem outros tratamentos para cicatriz de acne que um médico que tem conhecimento da estética indicaria antes de fazer o peeling de fenol como primeira opção. Tem outros tratamentos bem menos agressivos que daria para ser aplicado”
 
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