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Quinta-feira, 23 de maio de 2024

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Familiares e amigos se despedem em velório de Ivens Cuiabano: ‘melhor irmão, poeta e médico’

Foto: Olhar Direto

Familiares e amigos se despedem em velório de Ivens Cuiabano: ‘melhor irmão, poeta e médico’
O velório do médico infectologista e poeta Ivens Cuiabano Scaff está sendo realizado nesta quinta-feira (22), na Casa Barão, sede da Academia Mato-grossense de Letras (AML), em Cuiabá. Sobrinha de Ivens, Helena Scaff Pedrosa, conta que o tio deixou grande acervo de poesias e textos não publicados, que ainda serão transformados em livros. ​


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Amigos e familiares estiveram no local para dar adeus ao escritor, que ocupou a Cadeira 7 da AML durante dez anos. Helena contou ao Olhar Conceito que os últimos dias de internação do tio em Brasília (DF) não foram fáceis. 

O médico passou por cirurgia para retirar um tumor do fígado e chegou a ter boa evolução no quadro ao ser transferido para o quarto dois dias após o procedimento.

No entanto, uma infecção seguida de pneumonia o levaram de volta à UTI. Segundo Helena, os rins pararam de funcionar e o fígado também entrou em declive, agravando o quadro do poeta. 

“Para nós, apesar de sabermos após alguns dias de UTI que as chances dele eram mínimas, porque ficou em estado muito grave, sempre acreditávamos que ele ia conseguir sair desse quadro. Mas, infelizmente, o fígado parou totalmente e devido ao estado que ele estava não havia a possibilidade de um transplante. Praticamente nesses últimos dias estávamos cientes de que ele poderia não aguentar e, a qualquer momento, fazer a passagem”. 

A sobrinha define Ivens como o “melhor irmão, melhor tio, melhor padrinho, melhor médico e melhor poeta”. Para ela, o cuiabano de família tradicional que cresceu no Porto também era a base da família. 

“Uma pessoa que foi sempre doadora, nem um pouco materialista. Hoje ficamos sabendo quantas pessoas nós não sabíamos que ele ajudava, porque as pessoas chegam em nós e contam: ‘seu tio me ajudou muito’, ‘cuidou da minha mãe’, ‘seu tio me salvou quando tive covid-19’. Assim vamos descobrindo cada vez mais o patrimônio e o legado que ele deixou”. 

Helena explica que Ivens deixou algumas obras prestes a serem publicadas aos cuidados da editora Entrelinhas. Ela acredita que, em breve, o material estará disponível. 

“Esse legado vai continuar. Tem muitas poesias não publicadas, uma série de textos e poesias catalogadas para se tornarem livros. Ele era um escritor fantástico, principalmente porque tinha a linha dele de escrever, totalmente própria dele, não é como se ele se inspirasse em alguém, era dele. Totalmente irreverente e maravilhoso”. 



Despedida de amigos da Academia 

Amigo de Ivens há mais de 40 anos, o escritor Lorenzo Falcão, que ocupa a Cadeira 12 da Academia, também esteve no velório. Entre as lembranças que guarda do poeta estão os carnavais em que se encontravam nos desfiles das escolas de samba na década de 80 e o bom humor, que sempre fazia com que as conversas terminassem em risada. 

“Sou magro e alto, ele é baixo e fofinho, uma vez combinamos que eu iria de Dom Quixote e ele de Sancho Pança no próximo carnaval, mas não deu tempo. Tudo com Ivens acabava indo para o riso, a risada dele era muito contagiante. A gente não poderia se encontrar em um velório, por exemplo, porque eram 30 segundos de conversa séria, mas descambava para a gargalhada e para o humor”. 

Para Lorenzo, a morte de Ivens deixa um “vazio imenso”. “Tem um lado que é interessante: muita gente vai procurar ler as obras dele, tem muita coisa interessante e enriquecedora ali. Mas a perda dele representa um vazio, deixa uma lacuna”. 

Advogado e diretor artístico do Cine Teatro, Flávio Ferreira, que ocupa a Cadeira 35 da Academia, exaltou o trabalho que Ivens desempenhou na década de 80 quando surgiram os primeiros casos de HIV no mundo. Como médico, ele ficou conhecido por atuar na linha de frente, acolhendo e fazendo o tratamento dos pacientes em Mato Grosso. 

“Nos anos 80, quando começou a questão do HIV no mundo, o Ivens foi uma das primeiras pessoas em Mato Grosso a atender os pacientes, ainda era uma coisa meio escabrosa e ele atendia, orientava, acolhia. Durante a pandemia também, não bastasse, ele já com quase 70 anos, atendeu muita gente, foi quando ele contraiu covid-19, ficou internado, foi para UTI. A história dele é isso: generosidade”.
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