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Segunda-feira, 24 de junho de 2024

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'forasteiros de cristo'

De MT, casal de evangélicos viaja de kombi pelas estradas e leva 'palavra de Deus' para caminhoneiros

Foto: Arquivo Pessoal

De MT, casal de evangélicos viaja de kombi pelas estradas e leva 'palavra de Deus' para caminhoneiros
Desde outubro de 2022, Erli Zequini Terezinha dos Santos, de 56 anos, e o marido, Paulo Roberto Ramalho, de 62, viajam de kombi pelas estradas do Brasil com o trabalho missionário para acolher caminhoneiros em postos de gasolina. A casa em que moravam em Rondonópolis está alugada e, desde então, o casal mora nas rodovias com o projeto “Forasteiros de Cristo”. 


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Ao Olhar Conceito, Erli explica que o marido é cantor e já chegou a ter uma dupla sertaneja antes de se converter. A música é a forma que o casal encontrou de levar conforto para os caminhoneiros nas estradas mato-grossenses e do Brasil. 

“Somos evangélicos da Primeira Igreja Batista Nacional desde o final de 2012, quando fomos convertidos, meu esposo é levita, ele trabalhou, na verdade, quase 40 anos no secular [como chamam as músicas que não são do universo gospel], foi cantor de banda, de dupla, depois separou adulto e depois voltou para Jesus. Ele ficou 30 anos longe dos caminhos do Senhor, como falamos. Com ele, também fui para igreja”.

Quando se converteu, Paulo começou a trabalhar no Ministério de Louvor Gospel e fazia algumas viagens. Na época, Erli trabalhava formalmente e tinha receio de deixar o emprego para viver nas estradas com o marido. Para ela, a vida de viajante significa “viver pela fé”, já que eles não possuem renda fixa. 

“Fizemos um evento há alguns anos em um posto de gasolina com caminhoneiros e o pessoal da nossa igreja, acho que floresceu em nosso coração trabalhar com eles, estar ali no posto, levar uma palavra de carinho, falar do amor de Deus. Mas a gente não sabia ainda como fazer algo parecido”. 

Foi em março de 2020, quando o marido viajou para participar de eventos em igrejas de Mato Grosso do Sul que a ideia de viajar pelas estradas como missionários surgiu entre o casal. Erli conta que Paulo voltou da viagem animado com a possibilidade deles construírem um motorhome para fazerem o mesmo. 

“No momento a gente pensava em uma coisa maior, porque sair do conforto de uma casa e viver na estrada, em uma kombi, não é fácil. Mas optamos por uma kombi, por conta das nossas condições, compramos ela em fevereiro de 2022. Em outubro de 2022 saímos para nossa primeira viagem, fizemos Rondônia e uma parte de Mato Grosso, por Sapezal, Campo Novo dos Parecis, Goiânia, Mato Grosso do Sul e uma parte do Paraná”. 

No final do ano passado, o acolhimento de caminhoneiros em postos de gasolina voltou a acontecer em Rondônia. Agora, o casal está de volta a Mato Grosso, onde pretendem passar por Primavera do Leste, Alto Taquari e Rondonópolis, onde vão estacionar a kombi até abril. 
 

“Vamos voltar porque nossa filha mora em Portugal e vai chegar em 3 de março, vamos parar esse mês, mas não temos mais casa, está alugada, então definitivamente moramos na kombi. Ficamos na casa de parentes e amigos. Em abril retornamos, temos agenda para Mato Grosso, em Jauru, Tangará da Serra, Sapezal, vamos fazer o Nortão, subir para Sorriso, Sinop”. 

Erli explica que, em seguida, pretendem levar o projeto Forasteiros de Cristo para o Sul ou para o Nordeste do Brasil. “Temos uma proposta para ir para João Pessoa. Vamos definir, porque na verdade vivemos na direção de Deus mesmo, temos um plano, mas às vezes Deus tem outro e de repente mudamos nossa rota”. 

Desbravando as estradas com música 

A primeira viagem que fizeram de kombi serviu para “desbravar” as estradas, como define Erli. Ela conta que não tinha noção de como funcionaria a vida de viajante e como seria realizar o trabalho de missionários nos postos de gasolina. Agora, além das abordagens que fazem com os caminhoneiros, o casal também participa das igrejas que encontram pelo caminho. 

“Achamos que a música é a forma mais fácil de abordá-los, porque eles estão sempre correndo, às vezes chegam tarde para jantar. Acontecem os momentos de louvor, desabafos, testemunhos, não chega a ser um culto, fazemos culto quando conseguimos uma parceria com o posto de gasolina, mas geralmente trabalhamos solo, eu, ele e a viola”. 

Como ainda não são aposentados, ela explica que o que mantém financeiramente o casal na estrada são “as ofertas das igrejas” e as ajudas que recebem dos caminhoneiros, que costumam proporcionar refeições depois dos momentos de louvor. 

“É muito de Deus, tudo que eles têm no caminhão querem nos doar, almoçar, jantar, filmam a gente na estrada. Temos muitas histórias e muitos testemunhos”. 

Apesar do foco do projeto serem as ações com caminhoneiros, o casal frequentemente é abordado por outras pessoas que estão nas estradas, como andarilhos, por exemplo. Uma das histórias que marcaram Erli é de uma mulher que estava embriagada em um posto de gasolina e se emocionou quando o marido cantou “Raridade”. 



“Naquele dia uma mulher estava embriagada naquele posto, estava tomando coca-cola com gasolina, ela chegou e a gente não sabia se os caminhoneiros iriam receber ela ou não, já chegou pedindo para meu esposo tocar uma moda, falou um palavrão para ele. Meu marido começou a tocar Raridade, ela ficou prestando atenção e se sentou no chão, sabe quando a pessoa recebe uma rajada de fogo de Deus? Ela ficou ali ouvindo”. 

Algumas vezes o casal precisa lidar com a frustração de roteiros que saem do controle, mas Erli explica que aprendeu a entender sobre onde Deus espera que ela e o marido estejam. Certa vez, em Campo Grande (MS), eles não conseguiram participar do culto de uma das igrejas da região e voltaram para o posto. Ela conta que o marido ficou frustrado com a situação. 

Apesar da frustração, Erli insistiu para que o marido abordasse uma roda de caminhoneiros, sempre tocando a viola. O resultado foi um momento de “louvor” no posto de gasolina que emocionou o casal. 

“Deus deu uma palavra para meu esposo com relação a um dos caminhoneiros, a gente nem sabia pelo que ele estava passando, era uma situação familiar, ele pôde abrir o coração dele para gente, pôde expor e vimos que realmente Deus fez aquele momento. Entendemos que Deus realmente não queria que fossemos para uma igreja, que era ali que deveríamos estar”.
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