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Domingo, 23 de junho de 2024

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Carnavalesco desde a adolescência, cuiabano é conhecido por fazer fantasias há decadas

Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto

Carnavalesco desde a adolescência, cuiabano é conhecido por fazer fantasias há decadas
A primeira lembrança que o carnavalesco Rosino Sebastião, conhecido como Marry Zaidan, de 58 anos, tem com o carnaval é de quando ainda era adolescente, aos 13. Na época, ele observava de longe a movimentação de um dos blocos que ficavam perto da casa onde morava com a família, no bairro Dom Aquino, em Cuiabá. Com 20, ele entrou de vez para os bastidores da folia e passou a confeccionar alegorias e fantasias para as escolas de samba cuiabanas. 


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O carnavalesco não se importa de ser chamado pelo nome ou pelo apelido, que já o acompanha a tanto tempo que se tornou uma segunda identidade. Ele lembra que recebeu a alcunha de uma das vizinhas que juntou o nome da mãe de Rosino, que se chamava Maria, com um dos personagens da novela Sassaricando, Bóris Zaidan. 

“Podem me chamar de Marry ou Rosino, tanto faz, mas de 90 para cá só me conhecem como Marry mesmo. Sempre sofri preconceito, mas não pegava para gente, às vezes a gente nem sentia o que era isso, falavam, a gente não se importava e pronto, ou brigava na hora e passava”. 


Com 13 anos, Marry começou a se encantar pelo carnaval das escolas de samba de Cuiabá. (Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto)

Marry é cuiabano e cresceu no Morro do Tambor, como era conhecido o bairro Dom Aquino nos anos 70, e estudou na Escola Estadual Maria Eliza Bocayuva Corrêa da Costa. A região faz parte das primeiras memórias que tem com o carnaval de Cuiabá. 

“Naquela época tudo era feito na mão mesmo, não tinham muitos materiais como hoje, não tinha EVA, a gente cortava cartolina, passava cola branca e jogava brocal. Era fissurado desde criança pelo carnaval, as fantasias me atraiam, a alegria, o povo sambando”. 

Quando completou 20 anos, por volta de 1986, o carnavalesco passou a auxiliar na confecção das alegorias e fantasias do Bloco do Pacheco. Desde então, Marry se tornou um dos personagens tradicionais da folia cuiabana. 

Em um dos cômodos da Casa das Pretas, na Praça da Mandioca, no Centro Histórico de Cuiabá, o carnavalesco confecciona adereços de cabeça para mais um ano de folia. Enquanto corta cartolinas e separa aviamentos, Marry conta que hoje em dia a produção está mais fácil. Em uma das memórias de carnaval, ele se lembra de ter desfiado mais de 20 sacos para conseguir fazer uma fantasia. 

“A gente não tinha muito recurso, o tema era ‘Véu das Noivas’. Essa fantasia que precisei desfiar 20 sacos de frango, nós conseguimos os sacos no sábado a noite e o desfile era na terça, ficamos fazendo isso de madrugada para ficar tudo pronto. Eu trabalhava como cozinheiro durante o dia na Lanchonete do Maranha, com o carnaval não ganhava dinheiro, era mais para curtir mesmo, ferveção e alegria”. 

Entre as dificuldades que enfrentava para conseguir colocar as fantasias que criava na rua, Marry também se lembra do grude de farinha de trigo que, por conta da necessidade, era usado como cola. 

“As fantasias eram bem feitas mesmo, as cabeças muito bem elaboradas. Naquela época não tinha cola silicone, era tudo na cola branca, grude de farinha de trigo, o que tinha mais ou menos parecido com a cola de hoje era quando a gente rasgava a figueira, mas demorava muito e dava muito trabalho”. 

Carnavalesco continua criando fantasias para a folia cuiabana, agora na Casa das Pretas, na Praça da Mandioca. (Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto)

Do carnaval cuiabano de antigamente, Marry também se lembra de como a folia era compromisso para toda a família. “A família inteira saía no carnaval, a mãe como baiana, o pai na bateria e a criança na Ala das Crianças”. 

Em 2008, ele abriu o Canto Cuiabano, na Praça da Mandioca, onde abriu um ateliê com o costureiro e carnavalesco Zé de Paula. “Aprendi muita coisa com ele. Depois comecei aqui na Casa das Pretas. Tinha o Canto Cuiabano, o ateliê meu e do Zé de Paula, do lado era uma danceteria, tinha cozinha para fazer lanches”.

As fantasias e adereços de cabeça que enfeitam os cômodos da Casa das Pretas foram produzidas por Marry com recursos próprios, que também faz produções para grupos de siriri, como o Vitória Régia do Pantanal, e chegou a confeccionar acessórios para a Parada da Diversidade. “Não precisa ser só para o carnaval”, resume. 

No carnaval de 2024, além de fazer as fantasias para dois blocos, Marry também será responsável por decorar a Praça da Mandioca, onde os foliões vão curtir em 13 de fevereiro. Carnavalesco fiel, ele não pretende parar. “Vou até o fim da vida fazendo isso”.
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