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Sexta-feira, 21 de junho de 2024

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Aos 40 anos, ela aprendeu a andar de perna de pau e sonha com Carnaval de rua em Cuiabá: ‘empoderamento’

Foto: Arquivo pessoal

Aos 40 anos, ela aprendeu a andar de perna de pau e sonha com Carnaval de rua em Cuiabá: ‘empoderamento’
Aos 40 anos, Carol Rangel, subiu em uma perna de pau pela primeira vez em um curso no Circo Escola Leite de Pedras, em Cuiabá. Depois de três semanas de aula, ela se apaixonou pela modalidade que, além de desafiar os próprios limites, convida adultos a brincarem novamente. De lá para cá, Carol já participou de cortejos do bloco de carnaval cuiabano Terra Plana Xô Cesso, peças de teatro e eventos particulares, mas ainda sonha em ver a folia tomar conta das ruas da cidade. 


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Para conseguir realizar o sonho carnavalesco, ela criou o grupo “Seriemas de Mato Grosso”, onde apresenta o universo da perna de pau para 20 pessoas que se preparam para o Carnaval de rua em Cuiabá no próximo ano. O projeto foi contemplado no edital Viver Cultura, da secretaria estadual de Cultura (Secel). 

“Carnaval para mim é a maior festa que há, me emociono de lembrar, porque acho que é onde todo mundo pode ser rei. Carnaval me emociona. Vejo que qualquer pessoa pode aprender, só precisa ter vontade de fazer com que aquele equipamento seja uma extensão do corpo dela. 'Se está acima do peso, não é padrão', não tem isso, a questão do equilíbrio é um processo. Quando não temos coragem vamos com medo mesmo, experimentar aquela sensação de olhar de cima”. 

Atualmente, Carol tem 44 anos, mas ela explica que a idade é apenas um detalhe. “Tem 59 anos e quer aprender? Então bora”, convida a pernalta. Além de ter aprendido a andar, ela também aprendeu a construir as pernas de pau, que foram desenvolvidas para os integrantes do Seriemas de Mato Grosso. 
 

Nos encontros do grupo, que começaram em novembro, os participantes tiveram aulas de construção das pernas. O cenário é diferente do que Carol encontrou quando começou a andar de perna de pau em Cuiabá, já que agora é comum ver “as seriemas” treinando na Praça da Mandioca, UFMT ou nos parques. 

“Fiquei sendo praticamente uma das poucas pessoas que praticam essa arte, a perna de pau é quase que um esporte, exige bastante do nosso corpo físico, mas é muito divertido. Quando você vê, você está andando 4 km, como já andei na Parada LGBTQIA+. Você termina satisfeita, porque você vence barreiras e obstáculos. Perna de pau, para mim, é empoderamento, é uma forma da gente se empoderar, de desafiar nossos limites, de trazer a brincadeira para o momento”. 

Paixão pelo carnaval 

Carol nasceu em Niterói (RJ), mas se mudou para cuidar da avó de 84 anos, que é cuiabana. Com a mudança, a saudade do carnaval tomou conta do coração da carioca, que tratou de se movimentar para ver a festa acontecer em Cuiabá. 

“Nessa saudade e nesse sonho de tentar fazer com que houvesse um movimento parecido com o que acontece lá há mais de uma década, já existe esse movimento da revitalização do carnaval de rua, blocos independentes que fazem cortejos, ocupam ruas e esse movimento acaba reverberando por todo o ano na cidade. Então, tinha esse sonho de fazer esse movimento acontecer”. 


Carol aprendeu a construir as pernas de pau e hoje ensina os alunos do projeto. (Foto: Cami Barros/Reprodução)

Pelo caminho, ela encontrou outros apaixonados pela folia e pelas artes circenses, como os integrantes do bloco Terra Plana Xô Cesso, do qual ela faz parte, e Humberto, que é responsável pela Escola Circo Leite de Pedras. No projeto, ela ainda conta com a ajuda da artista Amanda Homem, que também aprendeu a andar de perna de pau com ela. 

“O Humberto é meu mestre, foi quem me colocou na perna de pau pela primeira vez e que poderia escrever o projeto para fazermos acontecer. Pensei em ensinar a fazer tudo, desde a construção da perna, porque acho que o artista tem que ter essa autonomia de conhecer seu equipamento, até a arte de sair na rua, passar purpurina, fazer o figurino. Sei que o recurso não é muito, mas fazemos acontecer sem nada esses processos para o carnaval, para mim foi uma porta que se abriu, vamos fazer acontecer”. 

A menos de dois meses do carnaval, Carol se emociona ao falar sobre a festa de rua e sobre os novos pernaltas que se juntaram à ela. “Antes eu estava sozinha, com pessoas isoladas, as pessoas não se encontram para fazer, não tinham esses momentos entre a galera que pratica em Cuiabá. Temos 20 pessoas empenhadas, comprometidas em  trazer isso para a realidade, que é fazer o que digo que é um bando, porque somos aves, ir para a rua”.
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