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Sexta-feira, 01 de março de 2024

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Maquiadora de Cuiabá viraliza com quase 3 milhões de visualizações em vídeo de Halloween

Foto: Reprodução

Maquiadora de Cuiabá viraliza com quase 3 milhões de visualizações em vídeo de Halloween
Nos vídeos de maquiagens artísticas que publica no Instagram, a maquiadora Jeanyne Petrova, de 24 anos, mostra a habilidade que tem para transformar o próprio rosto em uma criatura assustadora. O resultado da mistura de produtos e técnicas é realçado pela performance da influenciadora em frente às câmeras. Em um deles, Jeanyne interpreta uma música do cantor Matuê, que foi uma das quase 3 milhões de pessoas que assistiram o vídeo da cuiabana. 

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Atualmente, Jeanyne tem mais de 69 mil seguidores no Instagram. Cada vez que um vídeo viraliza, ela vê os números do perfil aumentarem rapidamente, como conta. O trabalho como influenciadora digital começou despretensiosamente quando ela decidiu usar o Instagram como uma “vitrine” do seu potencial na maquiagem artística. 

“Agora que está caindo a ficha. Nunca me imaginei trabalhando como influenciadora. Estava com 26 mil e fui para 69 mil, foi um crescimento de mais de 40 mil seguidores. É uma mistura de algoritmos e de um trabalho feito com coração. Aprendi muito sobre marketing, tudo que sei hoje foi buscando essas informações”. 

Outro vídeo em que Jeanyne aparece acompanhada de uma cobra e caracterizada como Cleópatra já contabiliza mais de 500 mil visualizações. Apesar das publicações no Instagram terem pouco mais de um minuto, a maquiadora conta que algumas vezes leva três dias para terminar de gravar e editar o conteúdo, caso da interpretação da música do Matuê. 

“Como eram três personagens, fiz dois em um dia, um no outro e, por último, a maquiagem artística. Pego para fazer de noite, às vezes vou até 3h. Como fui modelo de maquiadores, aprendi a ter essa desenvoltura no vídeo, é uma atuação mesmo. Esse vídeo o Matuê e o WIU curtiram. É meu vídeo mais estourado. Quem assiste não imagina o trabalho que dá para fazer”. 

Como também é fã do Halloween e do potencial artístico da data no universo da maquiagem, Jeanyne tem deixado a criatividade falar mais alto em seu perfil no Instagram e já planeja novos conteúdos assustadores. Caveiras, bruxas, Coringa e Chuck são alguns dos personagens pedidos na sala comercial em que ela atende, no bairro Jardim Cuiabá, em Cuiabá.
 

“Agora com o Halloween estou ficando doida, sou uma das maquiadoras que tem referência pela maquiagem artística. Na cidade está tendo bastante movimento de festa, neste ano estou feliz, porque cada final de semana tem uma festa de Halloween, quase o mês inteiro está tendo festas temáticas”. 

A maquiadora explica que por conta da complexidade das maquiagens artísticas, é necessário até 1h30 para concluir o trabalho. O preço começa em R$ 260, mas sofre alterações quando clientes pedem algo mais elaborado, como uma pintura do colo. Jeanyne ressalta que a maquiagem artística é composta por muitos processos trabalhosos. 

“Falo para os maquiadores, se você gosta de fazer um delineado caprichoso, na maquiagem artística são dez delineados bem feitos, porque são muito detalhes. Se a pessoa vem pelo meu Instagram, já sei que ela não quer um negócio simples, porque gosto de vender o mais elaborado no Instagram, se a pessoa entende que estou entregando o melhor de mim, vai saber que consigo fazer o que ela quer”. 

Apesar da experiência que tem com as maquiagens artísticas e com a temática de Halloween, Jeanyne também faz maquiagem para ensaios fotográficos, casamentos e outros eventos. Ela brinca que tem clientes tão fiéis que, antes de viajar, passam para se maquiar com a cuiabana. 

“Tenho clientes desde ensaios fotográficos, as clientes que vão viajar e não deixam de fazer maquiagem comigo, fazem aqui para irem viajar. Então, às vezes começo a atender 6h e depois vem a galera da noite, das 16h em diante, mas o máximo que atendo em um dia são 12”. 

Carreira no mundo da maquiagem 

Mesmo com medo de escolher uma carreira artística, Jeanyne lembra que começou a fazer os primeiros atendimentos quando ainda tinha 16 anos. Na escola, ela já tinha algumas clientes nos finais de semana ou amigas que pediam ajuda para fazer um delineado simétrico. 

“Sempre tive essa precisão de delineado, é uma coisa que é difícil dentro do mundo da maquiagem, acredito que porque eu pintava e desenhava. Fiz meu primeiro curso ano passado, já sendo maquiadora, é questão mesmo de ir testando”. 

Quando terminou o ensino médico, aos 17 anos, Jeanyne começou a cursar Direito em uma faculdade particular. No entanto, com a pandemia da covid-19, pagar as mensalidades tornou-se algo insustentável financeiramente. 

“Um amigo falou que estava com alguns atendimentos, me chamou para testar e treinar com ele, fui como maquiadora mesmo para esse salão. Já tinha sido auxiliar quando estava no 8º semestre, eu era modelo de maquiadores e já conhecia um pouco dos profissionais. Comecei a auxiliar fazendo peles e já olhando como era dentro de um salão”. 

Com o avanço do coronavírus em 2020, Jeanyne logo deixou o cargo de auxiliar no salão de beleza, que perdeu a demanda de clientes, já que uma das medidas de segurança contra a covid-19 era o isolamento social.  

“Foi o desespero dos maquiadores. Iniciei como maquiadora nesse momento, na pior fase da era dos maquiadores, porque todos dependem de festas e do final de semana. Fiquei um tempo nesse salão, treinei muito. Agora está dando certo, se eu me arrepender, vai ser por ter tentado, não por não ter conseguido.”

O apoio da mãe, Jucilene Aparecida Jacinto, de 50 anos, que também faz algumas aparições nos conteúdos do Instagram, foi imprescindível para que a maquiadora não desistisse do sonho. A crescimento na rede social é comemorado por Jucilene a cada novo seguidor que chega no perfil, conta Jeanyne. 

“Cada dia que chegava em casa ela comemorava: ‘mais 10 mil seguidores’. Ela vibra junto comigo, me deu uma luz nova de presente. Sou de uma família bem humilde, não tenho luxo com nada. Não tenho culpa de ter nascido pobre, mas tenho culpa de continuar. É tudo questão de estudo, psicológico, você tem que estar bem para lidar com tudo, estar focado em fazer”. 

Ela lembra que quando começou a trabalhar como modelo de maquiadores, não recebia nenhum tipo de cachê ou auxílio, chegando a tirar o dinheiro da passagem de ônibus do próprio bolso. 

“Era desse jeito, mas eu entendia o lado deles. Falava para ela que um dia ela veria o retorno disso, eu sentia que não era uma coisa banal, muita gente achava que eu só queria uma maquiagem de graça, mas eu via o quanto eu queria permanecer ali”

Infância em Várzea Grande 

Por trás de Jeanyne Petrova com quase 70 mil seguidores, Jeanyne Ellen da Silva cresceu no bairro Ponte Nova, em Várzea Grande, onde ainda mora com a mãe, o padrasto, o irmão mais novo e a avó. 

Ela conta que a família nunca teve dinheiro para luxos, mas descreve a mãe, que a criou sozinha, como uma heroína. Um dos sonhos da maquiadora para o futuro é abrir o próprio salão, com espaço para contratar mais profissionais do ramo da beleza. 

“Me inspiro muito nela por conta dessa garra. Não posso falar que estou ‘luxando’, trabalho para pagar conta. Cresci na Ponte Nova, em Várzea Grande, fomos morar com minha avó, minha mãe e eu morávamos no Canelas, não é uma casa de luxo, mas hoje ficamos lá, cuidando da minha avó. Olho para minha mãe e falo que vou conseguir tirar todo mundo dessa”. 
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