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Sábado, 18 de maio de 2024

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Clipes ajudam a divulgar artistas de MT para novos públicos e valorizam audiovisual regional; confira retrospectiva

Foto: Ju Queiroz

Clipes ajudam a divulgar artistas de MT para novos públicos e valorizam audiovisual regional; confira retrospectiva
Nas últimas semanas, nomes da música regional como A Luisa Lamar e Paulo Monarco e as bandas O Mormaço Severino e Calorosa lançaram clipes com composições autorais e elementos culturais mato-grossenses. Diretor criativo da Lambuza Musical, responsável pela produção executiva de projetos em geral e gerenciamento de carreiras, Pedro Brites explica que os clipes são uma ferramenta importante para projetar os artistas de Mato Grosso para novos públicos, além de valorizarem a produção audiovisual local. 


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Pedro, que também é produtor audiovisual, fundador da Cachara Estúdio e membro do Instituto de Audiovisual Negro Quariterê, ressalta que os clipes possibilitam acesso democrático do público, voltando os olhos para as produções que estão sendo feitas em outras regiões do Brasil. 

“Existe um circuito de festivais e mostras de videoclipes bastante efervescente no país que ajuda o trabalho tanto dos artistas que produzem a música, quanto dos profissionais do audiovisual a terem seus projetos exibidos em telas do Brasil e do mundo afora. É mais uma ferramenta importante para conhecerem nossa cultura áudio e visual mato-grossense”. 

Pedro Brites fez parte da equipe dos clipes "A Pressa", "Malemá Tentiano", "Treme" e "O Clarim". (Foto: Pê Mutz)

Nos clipes “Eu quero ver o pôr do Sol da Sete de Setembro”, da banda Mormaço Severino, “Malemá Tentiano”, da Calorosa e “O Clarim”, de Paulo Monarco” aspectos regionais estão presentes, seja através de localidades que possibilitam o público a se reconhecer em determinado território, do sotaque cuiabano ou da problemática que envolve o avanço desenfreado do agronegócio. 

Além dos lançamentos recentes, Estela Ceregatti, que canta sobre o Pantanal e usa instrumentos da cultura mato-grossense como o mocho, também disponibilizou o clipe “Amparo”. Pacha Ana tem os clipes de “Suor e Melanina” e “Orgulho”, mas também aparece em “Chorar”, música composta por ela e gravada em parceria com Karola Nunes. A cantora Paula Shaira lançou o clipe de “Menina” com Gabi Shima. 

Para Pedro, os elementos regionais na tela funcionam como uma maneira de registro do presente, além de evidenciarem as belezas, riquezas e singularidades de Mato Grosso. Brites também fez parte da equipe responsável pela produção de Malemá Tentiano, que mostra um personagem recorrendo a um altar, algo tradicional nas casas cuiabanas tradicionais e andando de ônibus pelas ruas de Cuiabá. 

“Quando vemos nossa arquitetura, culinária ou ritmo musical em um videoclipe a gente se sente pertencente ao nosso lugar e isso nos conecta com nossos antepassados, fortalece nossa identidade, nos motiva a seguir na produção de cultura em Mato Grosso e expandir nossas fronteiras também. É importante a gente continuar o legado de Chico Gil, Roberto Lucialdo, Jejé de Oyá e tantos outros”. 

Festival Pras Bandas de Cá 

Com o Festival Pras Bandas de Cá, resultado de uma parceria entre a Central das Organizações do Estado de Mato Grosso (Cordemato) e a secretaria estadual de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), 30 clipes de dez artistas regionais foram gravados no Mirante Alto do Céu, em Chapada dos Guimarães. Sertanejo, pop e country estão entre os estilos musicais das produções. 

Além dos cantores e músicos, que somaram mais de 50 pessoas, o Festival envolveu produção de palco, de áudio e vídeo e equipe de apoio, somando mais 16 contratações diretas, além das indiretas, como a empresa responsável pelo Mirante Alto do Céu. 

“É importante nós nos vermos na tela cada vez mais, pouco nos vemos nas mídias de alcance nacional. Precisamos ocupar esses lugares e sabendo que Mato Grosso é um estado com maioria negra e parda, nós priorizamos não somente colocar essas pessoas em frente às câmeras como protagonistas, mas também priorizamos uma equipe que seja majoritariamente negra, LGBTQIAP+, que reclamam por esses espaços e que tem oportunidade de desenvolver suas habilidades criativas e técnicas”, ressalta Pedro. 

Bastidores da gravação de "Treme", com A Luisa Lamar e Sharamandaya. (Foto: Pê Mutz)

Editais de financiamento 

O diretor criativo da Lambuza Musical explica que a luta do audiovisual é para que haja cada vez mais investimentos do Poder Público e das instituições privadas, que vão possibilitar que projetos como os clipes saiam do papel. Desde o edital da lei Aldir Blanc, em 2020, que contemplou projetos audiovisuais, Pedro conta que a Lambuza Musical já realizou quatro clipes e duas live sessions. 

“Continuamos na luta para que se mantenha essa política de investimentos, não somente no segmento audiovisual, como em todos os outros da nossa cultura. É importante também fortalecer as ações afirmativas nesses editais para que produtores culturais que estão à margem do acesso à arte, seja por raça, gênero, sexualidade ou renda, tenham a oportunidade de realizar seus projetos”. 

“A iniciativa privada também precisa se atentar ao nosso trabalho e reconhecer a importância de investir recursos nos artistas e na cultura de Mato Grosso, dessa forma todo mundo sai ganhando”, ressalta. 

De acordo com Pedro, editais como o da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo, lançado na última segunda-feira (2), em Cuiabá, também fazem a economia girar e movimentam a cadeia artística. 

“Com os editais nós conseguimos executar ideias criativas da melhor forma, com mais recursos, mais qualidade, mais profissionais e tempo necessário pra esse processo. O edital público movimenta nossa cadeia artística, fomenta nossa cultura e permite que os realizadores se expressem com total liberdade e autonomia. É uma forma de viabilizar esse registro que vai ficar pra sempre na história da nossa cultura”. 

Processos e detalhes 

Para produzir clipes como “A Pressa”, que mistura a voz de Karola Nunes com as ilustrações de Hugo Alberto, e “Treme”, da Luisa Lamar, que aborda a violência doméstica, são necessários no mínimo seis meses de execução, explica o diretor criativo. 

Começando pela criação do roteiro, etapa fundamental e criteriosa, já que precisa ser adequada às possibilidades e limitações da equipe. Depois, é a vez da produção correr atrás de viabilizar a equipe e o equipamento cinematográfico necessário para as começar as gravações. 

“Trabalhando simultaneamente com os departamentos de direção de arte, figurino e direção de fotografia, é necessário deixar tudo planejado, alinhado para que não haja desperdício de tempo e dinheiro durante a gravação, tudo deve estar pronto para o dia em que todos estarão reunidos e disponíveis para execução”. 

Clipe de "Eu quero ver o pôr do Sol da Sete de Setembro" foi gravado em Cáceres com recurso da Lei Aldir Blanc. (Foto: Maria Reis)

Sobre a produção do roteiro, Pedro explica que geralmente são necessários dois dias “cansativos e de muita coletividade” em que a comunicação e a conexão da equipe estejam “afiadas”. 

O processo de pós-produção também exige muito cuidado e tempo, para que as cenas se encaixem de forma harmônica com o ritmo da música, mas sem desrespeitar a dramaticidade do roteiro. “É um processo criativo, mas bastante técnico”, destaca.  

“E existe também o processo de finalização que é a adição dos créditos finais, dos letreiros inseridos no vídeo, é onde busco destacar o nome de cada um que compôs elenco e a equipe técnica, procuro colocar uma versão diferente da música oficial do clipe para chamar a atenção do espectador a continuar assistindo os créditos e notar o nome e a função de cada profissional envolvido no processo de construção desses produtos audiovisuais”. 

Assista aos clipes:

Malemá Tentiano - Calorosa 



Eu quero ver o pôr do Sol da Sete de Setembro - O Mormaço Severino 



O Clarim - Paulo Monarco 



Treme - A Luisa Lamar 



Suor e Melanina - Pacha Ana 



Orgulho - Pacha Ana 



Chorar - Karola Nunes e Pacha Ana 



A Pressa - Karola Nunes (ilustrado por Hugo Alberto)



Menina - Paula Shaira e Gabi Shima 



Estela Ceregatti - Amparo 



Mariana Borealis - Harpa Negra 


 

Meu Nome é Francisca - Cris Chaves



Aposta - Cão do Mato

 

Fala Sério - Pacha Ana 

 
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