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Sábado, 18 de maio de 2024

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sabor de infância

Inspirado nos sogros, paranaense vende raspadinha no Centro de Cuiabá: ‘muitas pessoas não conhecem’

Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto

Inspirado nos sogros, paranaense vende raspadinha no Centro de Cuiabá: ‘muitas pessoas não conhecem’
O colorido das oito essências que ficam expostas em garrafas de vidro no carrinho de raspadinhas do vendedor Julio Cesar Lovi, de 44 anos, contrastam com os comércios na rua Joaquim Murtinho, no Centro Histórico de Cuiabá. As raspadinhas feitas por Julio se tornaram uma opção refrescante, principalmente nos últimos dias, em que um onda de calor tem feito os cuiabanos sofrerem com temperaturas de mais de 40ºC. 


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Os sabores são variados e vão de groselha azul a hortelã e frutas tropicais. Julio conta que se inspirou no trabalho dos sogros para começar a vender as raspadinhas no centro de Cuiabá. Natural de Cascavel (PR), ele se mudou com a família para Mato Grosso quando a rede de hotéis em que trabalha comprou uma unidade na capital. 

“Meus sogros sempre venderam em Cascavel, acompanhava o trabalho deles quando ia visitá-los no final de ano, via como era o preparo das essências. Como meu sogro tem esses contatos, ele conseguiu um carrinho usado e duas máquinas de triturar gelo. Fui comprando e trazendo as coisas”. 

A raspadinha é de origem antiga é foi criada durante o verão japonês, que é conhecido por ser úmido e com altas temperaturas. De acordo com a Japan House - São Paulo, a sobremesa logo se popularizou com possibilidades infinitas de sabores entre os japoneses. Matchá (chá verde), kinako (farinha doce de soja moída e torrada) e anjo (pasta doce de feijão azuki) são alguns dos ingredientes tipicamente usados por lá. 

Raspadinha de Julio tem feito sucesso no Centro de Cuiabá. (Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto)

No período Heian, no século XI, no Japão, a sobremesa era feita com gelo natural formado nas montanhas durante o inverno e armazenado para ser consumido. Como o processo encarecia a raspadinha, ela era um luxo destinado apenas à nobreza. 

A raspadinha de Julio é vendida em dois tamanhos 300 ml e 500 ml, por R$ 5 e R$ 8, respectivamente. O leite condensado também pode ser acrescentado gratuitamente e o vendedor ainda permite que os clientes misturem dois sabores. 

O paranaense conta que não conhecia a raspadinha e sequer tinha experimentado a sobremesa feita com gelo triturado. Apesar de antiga, a raspadinha também é desconhecida por muitos dos clientes que se enfileiram para garantir um copo feito por Julio no Centro de Cuiabá. 

“O que acho interessante é que a grande maioria das pessoas que passam por aqui não conhecem a raspadinha, acho que mais da metade dos clientes que passam e experimentam. Para algumas pessoas tem sabor de infância, os carrinhos passavam na frente da escola e tal, mas a grande maioria acha que é uma novidade”. 

Julio se surpreendeu com a aceitação dos clientes, mas a onda de calor que tem assolado Cuiabá nos últimos dias também prejudica as vendas, apesar de muitos acharem o contrário, brinca o vendedor. 

“As pessoas até imaginam que quanto mais quente, melhor, mas na verdade atrapalha. O centro está vazio, as pessoas parecem que somem. Nos últimos dias o calor está extremo em Cuiabá. Trago gelo para ficar o dia inteiro, mas não tem como, ele vai derretendo”.
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