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Domingo, 23 de junho de 2024

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arroz carreteiro, banana frita e quitutes

Cozinheira transforma quebra-torto pantaneiro em cardápio de festas cuiabanas: 'muitos sabores para explorar'

Foto: Olhar Direto

Cozinheira transforma quebra-torto pantaneiro em cardápio de festas cuiabanas: 'muitos sabores para explorar'
O arroz carreteiro com ovos fritos, um dos pratos que compõem o quebra-torto, café da manhã reforçado que se popularizou no Pantanal mato-grossense, vira uma das estrelas da festa no menu criado pela cozinheira Ana Paula Mesquita Olegário, de 44 anos. Para ela, a culinária cuiabana e pantaneira tem muitos sabores a serem explorados. O quebra-torto preparado por Ana Paula nos eventos ainda pode contar bolo de arroz e de queijo cuiabano, banana da terra assada, revirado cuiabano e soda cuiabana. 


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“A culinária cuiabana é muito rica, nosso ‘trio cuiabano’, com Maria Isabel, feijão empamonado e farofa de banana’, o quebra-torto com arroz carreteiro e ovos fritos, além de algumas variações com banana frita e queijo coalho. Fica maravilhoso, vai muito da criatividade. O quebra torto é um café da manhã reforçado comido pelos peões pantaneiros, eles diziam que o estômago já estava ‘torto’ de fome”.

A cozinheira também agrega toques contemporâneos aos pratos tradicionais de Cuiabá, seja com decorações feitas com flores comestíveis, ervas e empratamentos que valorizam ainda mais a gastronomia regional. Ana Paula conta que se inspira nas memórias afetivas que tem da mãe, que já é falecida, na cozinha. 



“Minha mãe era mineira e cozinhava muito bem, além do modo que ela tratava o alimento, o modo que ela servia a mesa era encantador. Mesmo que tivesse só arroz e feijão, ela fazia questão de servir a mesa e decorar os pratos. A gente conseguia sentir esse amor que ela tinha em cozinhar pela família e isso ficou guardado dentro de mim”. 

Ana Paula trabalha como personal chef e atende encomendas para o buffet de eventos ou festas. A ideia surgiu quando os amigos e os familiares começaram a divulgar e indicar as receitas preparadas por ela. Apesar de ainda não ter conhecimento técnico sobre gastronomia, a cozinheira conta que decidiu arregaçar as mangas para conseguir melhorar a realidade financeira. 

“Quando meu filho tinha dois anos eu resolvi vir para Cuiabá e aqui, como toda cidade grande, nós tivemos muitos perrengues, mas muitas pessoas daqui nos apoiaram. Quando perdi meu emprego, tive que me virar, meu filho tinha sete anos. Comecei a fazer para os amigos e comecei a divulgar. Não estava segura e nem confiante, mas diante das minhas dificuldades financeiras, eu tive que arregaçar as mangas”. 

“A gastronomia me salvou” 

Ana Paula conta que foi “salva” pela gastronomia em duas situações em que precisou lidar com o luto. Primeiro foi a perda da mãe, pouco antes dela engravidar. Depois, em 2022, a cozinheira perdeu o filho, João Paulo Mesquita de Olegário Silva, que tinha 21 anos, quando a moto pilotada pela namorada foi atropelada por um ônibus no bairro Lixeira, em Cuiabá.

Ana Paula ainda se lembra de uma das últimas conversas que teve com João Paulo, que era seu único filho. Ela conta que o jovem pediu que ela investisse em si mesma e em conhecimento. 



“Era meu maior incentivador. Ele me disse: ‘mãe, investe em conhecimento, investe em você. Você é muito boa no que faz, as pessoas conseguem sentir seu amor pela culinária’. Hoje levo essas frases comigo. A gastronomia me ajuda muito a enfrentar meu luto”. 

Recentemente, ela concluiu um curso de cozinheira pelo Senac. Por conta do orçamento reduzido, ela aproveitou algumas especializações gratuitas para conseguir aprender sobre as técnicas gastronômicas. 

“A habilidade e o amor pela gastronomia, eu já tenho, mas me faltava a técnica e o conhecimento. Até os 18 anos não sabia fazer nada na cozinha, nem café. O dia que perdi minha mãe e me vi sozinha, enfrentando o luto e a depressão, resolvi aprender o que ela mais amava fazer, que era cozinhar”.  

Ana Paula ainda sonha em fazer uma faculdade de Gastronomia, meta que pretende realizar no próximo ano. Por enquanto, ela continua atendendo eventos com o Dahora Bistrô e Eventos Personalizados, com quebra-torto ou outras receitas ela comemora a demanda que tem recebido dos clientes. “Sou a prova viva que a gastronomia salva vidas”. 
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