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Quinta-feira, 23 de maio de 2024

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Copa do mundo feminina

Morador do CPA II decora casa e pinta bandeira do Brasil: ‘sinto falta da rua cheia de torcedores'

Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto

Morador do CPA II decora casa e pinta bandeira do Brasil: ‘sinto falta da rua cheia de torcedores'
Desde que se mudou para o bairro CPA II, em Cuiabá, em 1981, João Raimundo Alves de Figueiredo, de 65 anos, já decorou e coloriu a rua São Félix do Araguaia, onde mora, de verde e amarelo dezenas de vezes para torcer pelo Brasil em torneios mundiais. Na Copa do Mundo Feminina, Raimundo também não deixa o espírito de torcedor de lado. 


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Com ajuda da esposa e da filha, Ana Caroline Rodrigues Figueiredo, de 36, Raimundo pintou uma bandeira gigante do Brasil no asfalto da rua, para torcer para o jogo da seleção feminina nesta segunda-feira (24). 

No quintal de casa, o cuiabano pendurou enfeites para deixar tudo em “clima de Copa”, como ele conta. Raimundo explica que antigamente, todos os moradores da rua se envolviam na preparação para assistir aos jogos da seleção brasileira em época de Copa do Mundo. 

Ele passava nas casas fazendo uma “vaquinha” para comprar o material para decoração e lembra com saudade da animação dos velhos tempos. Raimundo lamenta que manifestações com a bandeira do Brasil, agora, façam referência ao governo Bolsonaro. 

“Antes todo mundo participava aqui na rua. Fiquei uns três quatro dias ali na rua pintando, ninguém se envolveu. Passaram bastante pessoas parabenizando. Alguns quiseram envolver o nome de Bolsonaro e eu dizia: 'não tem nada de Bolsonaro aqui, é Brasil'”. 

Raimundo sempre gostou de acompanhar os jogos da seleção brasileira feminina e se alegrou com a convocação da mato-grossense Ana Vitória. Ele afirma que o time tem grandes chances de vencer a competição. 

“Sempre acreditei na seleção feminina. Elas têm uma boa treinadora, que entende muito de futebol. A Marta entrou no segundo tempo, não é igual na seleção brasileira que somos dependentes do Neymar. O time cheio de craques que não são preparados como a feminina fez. A Marta é uma super atleta”. 

Para o cuiabano, as milhares de mortes causadas pela covid-19 durante a pandemia também desmotivaram grandes manifestações durante a Copa do Mundo do ano passado e agora. 

Desde 2020, o luto faz parte da família de Raimundo, que perdeu a filha mais nova, Aline, aos 27 anos. Quando ele e Caroline falam sobre Aline, as lágrimas chegam aos olhos rapidamente. A filha mais velha de Raimundo explica que a irmã era tão animada quanto o pai. 

“Aqui no CPA nasceram minhas duas filhas. A Aline nasceu com Síndrome de Down, perdi ela na pandemia da covid-19, era muito nova. Você precisava ver, ela gostava muito da vida. Ela queria fazer curso de estética, não queria nem saber o que o povo ia falar, até faria com ela”, conta Raimundo.

Raimundo disse que sente falta do envolvimento de torcedores durante a Copa do Mundo. (Foto: Bruna Barbosa/Olhar Direto)

Copa do Mundo Feminina 

A Copa do Mundo Feminina começou a ser realizada pela FIFA em 1991, mas o número recorde de seleções, visibilidade e investimento nas atletas chegou apenas com a edição de 2023. No Brasil, a seleção feminina entra em campo em um momento de ascensão e fortalecimento da modalidade, que sempre foi marcada por barreiras históricas. 

A edição de 2023 vai contar, pela primeira vez, com premiação individual mínima garantida para as jogadoras participantes. O valor varia entre R$ 147 mil para as que deixarem a Copa do Mundo ainda na primeira fase e R$ 1,3 milhão para as campeãs. 

A Copa do Mundo Feminina está sendo sediada pela primeira vez em dois países: Austrália e Nova Zelândia. Na Era Vargas, um artigo regulamentado durante a Ditadura do Estado Novo, em 1941, restringia a participação das mulheres no esporte. 

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”, dizia o decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941.

Foram quatro décadas de proibição por lei, que impedia mulheres de jogar futebol ou praticar qualquer tipo de esporte. Na época, a principal justificativa era uma "preocupação" com os impactos da prática de esportes. 

O próximo jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina acontece no sábado (29), às 6h, e o time entre em campo para enfrentar a França. A edição também marca a última Copa do Mundo de Marta, que acumula recordes aos 37 anos. Ela foi eleita a melhor jogadora do mundo pela FIFA em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018. 
 
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