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Quinta-feira, 23 de maio de 2024

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de kombi na estrada

Da terra de Caetano à de Alceu, com direito a nudismo em praia eternizada por Chico: um roteiro sonoro ‘Pelos Brasis’

Foto: Pelos Brasis

Da terra de Caetano à de Alceu, com direito a nudismo em praia eternizada por Chico: um roteiro sonoro ‘Pelos Brasis’
Olá, viajantes. Hoje a nossa kombi vai te levar por uma estrada diferente. Vamos seguir um roteiro sonoro que liga três pontos pelos quais passamos recentemente no Nordeste brasileiro.

 
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Nosso local de partida é Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, berço do samba de roda e cidade natal de Caetano Veloso e Maria Bethânia, filhos de Dona Canô. Estamos a pouco mais de 80 km de Salvador. Curiosamente, a estrada que nos conduzia à entrada do município, ladeada por vendedores de frutas tropicais em pequenas barracas, parecia um cenário caribenho, algo como San Andrés, na Colômbia, ou Negril, na Jamaica. Chegamos, infelizmente, logo após a Festa de Nossa Senhora da Purificação.
 
A celebração da padroeira da cidade é uma das principais festividades do município e uma das mais tradicionais da Bahia, onde ocorre a novena de Dona Canô, que por pouco não rezamos. Sim, estamos falando daquele trecho da música Reconvexo, de Caetano.
 
A mistura de fé e musicalidade são alguns elementos que atraem na cidade. Passamos por lá também porque Isabela tinha a esperança de encontrar Maria Bethânia. Não a vimos. Mas caminhamos pela tradicional feira da cidade, em que compramos camarões para o jantar, passamos pela casa de Dona Canô e de Dona Edith do Prato, ama de leite de Caetano e Bethânia e figura central do samba de roda, que fazia de uma faca e um prato de cozinha seu instrumento musical.
 
Quem viu a live de Caetano na pandemia deve se lembrar que Moreno Veloso tocou um prato em determinado momento. Era assim que Dona Edith fazia. Há em Santo Amaro um memorial dedicado a ela e também a Casa do Samba, voltada ao samba de roda da Bahia, com projetos de pesquisa e trabalhos práticos com sambadores e sambadeiras.
 
Falando em gastronomia, encontramos pelas ruas grande oferta de maniçoba, prato feito com folhas de mandioca sob longa cocção, feita com diversos tipos de carne, servida com caldo. Guarda certa semelhança com a feijoada. Mas acabamos na feijoada mesmo, que não é feita com feijão preto, mas o mulatinho. A pimenta, opcional, revigora o prato.

Veja aqui parte da passagem por Santo Amaro.
 
De Caetano para Chico…
 
Já estava na hora de ir para o litoral. E kombeiro não gosta muito de cidade grande. Então acabamos não passando por Salvador. A 150 km de Santo Amaro, no litoral norte da Bahia, fica a praia de Massarandupió, eternizada em música homônima de Chico Buarque, do álbum Caravanas, em que narra partes da infância de seu neto Chico Brown naquelas areias.
 
Mas não foi a música que nos atraiu para lá. A praia nos foi recomendada por outros viajantes, que se encantaram com a vastidão de areia branca, banhada por águas claras em um local ainda pouco frequentado por turistas - em comparação com as praias mais badaladas da região.
 


Há um diferencial também em Massarandupió para quem quer outras experiências: lá fica uma praia de naturismo. Há uma área boa para camping, distante do ponto de nudismo, onde nos instalamos no primeiro dia e pudemos aproveitar o mar com exclusividade.
 
No dia seguinte caminhamos até a praia frequentava para a prática de naturismo. Há placas indicando que você está chegando a esse local. Na entrada, há também uma faixa de areia de “transição”, onde as pessoas devem tirar a roupa antes de seguir em frente. Detalhes dessa experiência estão revelados no episódio número 6 do podcast Pelos Brasis - confira abaixo.



Reinado de Alceu Valença
 
Entre Massarandupió e Recife são 736 km, então é óbvio que não fomos direto, mas precisamos abreviar nossa história para ir direto ao ponto. Por coisas da estrada, perdemos dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, no litoral e chegamos atrasados na Festa de Nossa Senhora da Purificação, mas para o Carnaval em Recife/ Olinda chegamos a tempo.
 
Acho que o carnaval em Olinda é diferente do restante do país e um dos fatores que me faz pensar isso é que aqui, ano após ano, são sempre as mesmas músicas que tocam nos blocos, com pouco espaço para o “hit do ano”. Frevo, maracatu e manguebeat dão o tom da festa, entre as ruas estreitas e as ladeiras abarrotadas de gente.
 

O orgulho do pernambucano de suas raízes fica claro quando a multidão explode a cada começo de música regional. Nesse cenário de amor às raízes e celebração da cultura local, um artista é soberano: Alceu Valença.
 
Entre Olinda e Recife, Alceu toca mais de uma vez no carnaval, sempre arrastando uma multidão. Em Olinda, são centenas de blocos, de todos os tamanhos, para todos os gostos, mas além disso, há palcos montados com atrações locais e nacionais. Todas as apresentações são gratuitas. Parte da experiência do carnaval em Olinda é o Axé, bebida ancestral feita com infusão de cerca de 30 ervas e raízes em cachaça.
 
Em Recife, são ainda mais palcos espalhados pela cidade, em uma estrutura pensada para ser descentralizada, mas com as maiores atrações no Marco Zero. As cidades respiram e se movem no ritmo do carnaval durante os dias de folia.



Veja abaixo vídeo com dicas para planejar um carnaval lá:



A coluna Pelos Brasis é assinada pelos jornalistas Lucas Bólico e Isabela Mercuri. Acompanhe o projeto no InstagramTikTokYoutube e Spotfy
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