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Sábado, 25 de junho de 2022

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Empresário do turismo no Pantanal critica falta de estudo sobre sotaque e hábitos em novela da Globo

Foto: Reprodução/Ilustração

Empresário do turismo no Pantanal critica falta de estudo sobre sotaque e hábitos em novela da Globo
Gravada pela primeira vez em 1990 pela TV Manchete, a novela Pantanal estreou nova versão nas telinhas nesta segunda-feira (28), 32 anos depois, regravada pela Rede Globo. Agora sob adaptação de Bruno Luperi, a nova novela das nove tem chamado atenção de mato-grossenses por apresentar aspectos da cultura, do modo de falar, de vestir, fazer e sentir de forma pouco estudada e orientada, com ênfase nas deslumbrantes fotografias. Olhar Conceito conversou com André Thuronyi, proprietário da pousada Araras Eco Lodge e do Haras Bafo de Onça, que vive no pantanal desde há trinta anos, e disse ter ficado chocado com o pouco cuidado que a produção teve no remake.   
 
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Segundo Thuronyi, ficou perceptível a carência de estudos e orientações sobre, por exemplo, o linguajar pantaneiro que é carregado de regionalismo – ausente nos diálogos do folhetim.

Outro ponto destacado foi o uso da raça pampa para os boiadeiros. Segundo André, o correto seria gravar com o símbolo do pantanal, o cavalo Pantaneiro, usado pelos trabalhadores na lida diária no bioma.

Quando a novela Paraíso foi gravada, em 2009 no Pantanal, também por Bruno Luperi, houve uma preocupação para uma reprodução mais elaborada e estudada sobre os aspectos culturais, de costume, linguagens do povo pantaneiro.

“Fiquei particularmente chocado porque Bruno Luperi, fez aqui em MT, comigo, a novela Paraíso. Então achei que ele teria adquirido muito conhecimento”, acrescentou André.

Sobre os diálogos travados pelos personagens que representam os peões,Thuronyi percebeu que as falas se assemelham com conversas “de cidade, tipo de conversa totalmente diferente do que seria os peões se encontrando aqui”.

Quando questionado se as críticas aos primeiros episódios à novela não seriam precipitadas, André assertou que é a segunda vez que gravam no Pantanal e que cuidados quanto aos costumes, posturas e cultura do povo pantaneiro não deveriam ser minimizadas em comparação ao destaque dado para fotografias e imagens deslumbrantes.  

“Talvez seja uma maneira de corrigir de que nós não estamos sentindo representados na cultura, postura e nosso respeito. Apesar das belas imagens, e dos ganhos no setor turístico, como destino”, finalizou.

O jornalista especializado em meio ambiente, André Trigueiro, da Globo, também teceu críticas à história.      Em seu perfil de twitter, Trigueiro pontuou sobre a glamourização dada à questão pecuária, principalmente no trato das boiadas.

Para embasar seu comentário, explicou sobre os estragos causados pelas queimadas e desmatamentos que são associados à extensão da pecuária no bioma. “[...] Além das pastagens degradas que equivalem ao tamanho de MG”, tuitou.  
 
André Thuronyi é proprietário da pousada Arara Eco Lodge, instalada há 30 anos no pantanal e também faz parte da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Pantaneiro. Para ele, a espécie é insuperável na água.


André Thuronyi, de azul, acariciando um cavalo pantaneiro. 

André ainda indica o cavalo para criação familiar por conta do baixo custo dos cuidados exigidos. Não bastasse a economia, o animal se destaca pela disposição de enfrentar grandes distâncias carregando um trabalhador. Por essas qualidades, cria a espécie há mais de 15 anos.
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