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Sábado, 13 de agosto de 2022

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Praça Ipiranga já foi palco de enforcamentos e ficou conhecida como Largo da Cruz das Almas

Foto: Reprodução

Praça Ipiranga já foi palco de enforcamentos e ficou conhecida como Largo da Cruz das Almas
Quem frequenta hoje a Praça Ipiranga, localizada entre a Avenida Tenente Coronel Duarte e Rua Treze de Junho, certamente não imagina que inúmeras vidas foram tiradas de forma cruel, como forma de punição em uma época que a pena de morte era frequentemente praticada. Condenados pelos juízes de fora, essas pessoas morreram por lá e deram fama ao local, que ficou conhecido como Largo da Cruz das Almas.

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Escritor e pesquisador, Aníbal Alencastro, explica em entrevista ao Olhar Conceito as execuções na atual Praça Ipiranga aconteceram entre os séculos 18 e 19. Era comum acontecerem muitas execuções em um dia porque as sentenças eram determinadas por juízes de outras regiões do país, como Minas Gerais e São Paulo. Com muitas mortes, na época o local chegou a ter fama de ser assombrado.

“Ele vinha de Minas Gerais ou São Paulo, e passava por todas as capitanias, julgando os casos. Nessa época, onde hoje é a Praça da República, tinha a Casa do Juiz. (...) Os casos eram acumulados durante um período e quando vinha o juiz eram feitas as condenações. Quando era condenado à morte — porque aqui existia  era levado para a forca, que ficava localizada no largo”, explica.



Entre uma execução e outra, o córrego da Prainha se tornava navegável em períodos de cheia provocada pela chuva. Assim, navegadores vinham com seus barcos e se instalavam no Largo para a venda de peixes. Não demorou muito para que a atividade se tornasse frequente, inclusive com a venda de outros produtos, formando assim as primeiras feiras de Cuiabá.

Ao longo desses anos, o lugar acabou perdendo sua fama de Cruz das Almas, principalmente porque o ponto de execução foi transferido para a região do Campo D'ourique. Não há uma data específica que marcou a transferência, mas Anibal explica que a mudança aconteceu por volta do início do século 19.

O nono e último governador da Capitania de Mato Grosso, Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, foi o responsável por finalmente transformar o largo em uma praça. Inicialmente, Ipiranga não foi seu nome de batismo, e sim Marquês de Aracati, em homenagem ao próprio governador. O local só se tornou Praça Ipiranga após a independência do Brasil, em 1822.

Augusto João Manuel Leverger, à época presidente da província de Mato Grosso conhecido como Barão de Melgaço, percebeu o potencial econômico e mandou construir um prédio para abrigar os feirantes, de modo que a feira tivesse um ponto fixo. Isso aconteceu por volta de 1859. Esse local é conhecido atualmente como Ganha Tempo pelos cuiabanos, mas a feira nesse espaço não durou muito tempo.

A Guerra do Paraguai explodiu em dezembro de 1864. Ao longo dos seis anos de guerra, os feirantes foram “expulsos” do prédio para dar espaço a uma enfermaria. À época, Cuiabá contava apenas com a Santa Casa de Misericórdia, que surgiu a partir de uma herança, e a epidemia de varíola assustava a população, então fez-se necessário ter uma nova unidade de saúde. Posteriormente, o prédio se tornou quartel militar.



Os feirantes ficaram sem um espaço próprio até 1910 quando foi construído um mercado na Rua Joaquim Murtinho com a Rua Generoso Ponce. Atualmente, os feirantes estão instalados no Mercado do Porto.
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