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Quarta-feira, 18 de maio de 2022

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“Djeito” cuiabano de falar seria resultado da chegada dos bandeirantes, com influência no espanhol e povo bororo

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

“Djeito” cuiabano de falar seria resultado da chegada dos bandeirantes, com influência no espanhol e povo bororo
Navegantes portugueses chegaram ao Brasil em 1500, dando início ao processo de colonização exploratória, que trouxeram inúmeros impactos como a imposição da língua portuguesa. Um território que reunia cerca de 350 falas ameríndias acabou dando espaço para um idioma europeu que, apesar de imposto, acabou se misturando com as línguas já faladas, resultando em inúmeras variações no falar. O linguajar cuiabano seria o resultado deste processo.

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Cuiabá surgiu em meio a exploração do ouro, com a chegada dos bandeirantes Pascoal Moreira Cabral e Miguel Sutil, que fundou a futura capital mato-grossense em 8 de abril de 1719. A chegada de inúmeros bandeirantes não só tirou o ouro que pertencia ao local, como também contribui para a chegada de vários migrantes, o que deu início a mistura dos “djeitos” de falar, conforme explica José Leonildo Lima no artigo “O Falar Cuiabano: A Arquitetura Morfossintática do Gênero”.

“Em se tratando da linguagem, o estado de Mato Grosso apresenta-se  marcado linguisticamente por vários falares. Dizemos diferentes falares levando em  conta o processo de ocupação do estado. Algumas microrregiões estão ocupadas por  migrantes oriundos do sul do país, outras, por migrantes de Goiás e Minas Gerais, bem como da região Nordeste. E dentre esses falares, a cidade de Cuiabá apresenta-se  também com um falar característico, isto é, a alternância do uso das africadas e  fricativas”.

A pronúncia afridada e fricativa — tchuva, catchorro, dgente — seria herança dos caipiras de São Paulo, que vieram para Mato Grosso na era dos bandeirantes e colonos portugueses. “essa pronúncia é  usada ainda, pelos caipiras de São Paulo e foi transplantada para o nosso estado  pelos bandeirantes que conservavam ainda os  modos  de pronúncia arcaicos  dos   primitivos  colonos portugueses. Desse modo, se os colonos portugueses  pronunciavam, por exemplo, tchuva, catchorro, poderiam pronunciar também dgente, djeito”.

Não somente os bandeirantes, mas estudos apontam a possibilidade do falar cuiabano ter base no espanhol e língua falada pelos índios bororo. De qualquer forma, o idioma foi se moldando ao longo de décadas, resultando em palavras e expressões que apenas os nativos podem explicar àqueles que estão tendo contato com esse “djeito” único de falar.
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