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Quarta-feira, 28 de julho de 2021

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Espetáculo audiovisual denuncia intolerância contra religião de matriz africana

Da Redação - José Lucas Salvani

05 Mai 2021 - 09:16

Foto: Rodolfo Luiz

Espetáculo audiovisual denuncia intolerância contra religião de matriz africana
O espetáculo audiovisual “Encruza”, que estreia no YouTube na próxima sexta-feira (7), denuncia intolerância contra a umbanda. O projeto conta com recursos da Lei Aldir Blanc, por meio do Edital MT Nascentes, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), e se trata da adaptação de um espetáculo de 2019 performado por Andreel Ferreira.

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Em ‘Encruza’, Andreel traduz e protagoniza histórias como a sua, a partir das vivências de um corpo inserido na umbanda. Dentre os elementos ritualísticos que compõem o espetáculo, estão os pontos cantados e o ponto riscado (cânticos sagrados e desenho de representação das entidades espirituais), o toque do atabaque, a defumação, a dança, as velas coloridas. E representando uma personagem, Maria Boipeva, em certa altura Andreel se coloca em cena como a entidade Exu Mulher. 

Com o trabalho, o objetivo é proporcionar uma experiência sensorial para quem assiste, ao mesmo tempo que desconstrói uma interpretação “demonizada” das religiões de matriz africana. “Um preconceito sobre nós, de que cultivamos o demônio, de que o povo preto acredita em diabo e que coisas negativas estão do nosso lado”, denuncia o ator. 

“Mas faço minhas as palavras de mãe Flávia Pinto: eles [os intolerantes] não entendem de onde vem a nossa força, acreditam que estamos do lado do mal porque nós somos resistência. Resistimos a mais de 400 anos de escravidão e continuamos resistindo ao racismo religioso”, complementa.

A intolerância religiosa é, portanto, o principal disparador do espetáculo, baseado em casos reais vividos pelo Centro Espírita Nossa Senhora da Guia-Seara Pai Joaquim de Angola, terreiro de Andreel. Mas para o ator, ‘Encruza’ é, também, uma mensagem de reação. 

Do terreiro para as telas

O espetáculo nasceu em 2019 em um Território Livre, módulo em que os alunos da MT Escola de Teatro podem criar a partir do tema e linguagem que preferirem. Ainda naquele ano, a performance foi apresenta ao público pela primeira vez na Leviana Bar, espaço cultural da família de Andreel na Praça da Mandioca, em Cuiabá, e, em novembro, integrou a programação do renomado festival Satyrianas, em São Paulo.

Nesse percurso, o espetáculo contou com o trabalho de Benone Lopes, da Solta Cia de Teatro, que exerceu a função de encenador, diferentemente de uma direção de teatro e audiovisual tradicional. Já neste novo formato, “Encruza” cresceu com uma estrutura de cenário, figurino, iluminação, captação de imagem e som, de profissionais sensíveis e capacitados para registrar o espetáculo em um espaço diferente de um palco de teatro. O espetáculo foi gravado diretamente do terreiro de Andreel, sem que a performance perdesse a potência do “encontro” com o público.

“A performance tem uma coisa muito forte que é o acolhimento, que faz com que as pessoas se sintam participantes daquele ritual, justamente o que faz com que os não umbandistas possam refletir como é essa prática religiosa. Foi preciso pensar em uma experiência audiovisual para o online que fosse próxima da imersão”, reforça Benone.

Com o projeto também foi possível realizar um mini documentário que retrata o espaço do Centro Espírita Nossa Senhora da Guia-Seara Pai Joaquim de Angola a vida de Andreel junto a sua mãe de santo e outros frequentadores do terreiro. O material será disponibilizado ao público em breve.

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