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Sábado, 19 de setembro de 2020

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Coletivo negro ‘Quariterê’ traz oito curtas à Temporada de Filmes Online desta semana

Da Redação - Isabela Mercuri

28 Jul 2020 - 14:30

Foto: Reprodução

'Pandorga' será um dos filmes exibidos

'Pandorga' será um dos filmes exibidos

Oito produções do coletivo audiovisual negro Quariterê serão exibidas a partir desta terça-feira (28) pela Temporada de Filmes Online do Cine Teatro de Cuiabá. Todas as transmissões acontecem online, pelas redes sociais. Dentre os filmes estão, por exemplo, ‘Como ser racista em dez passos’ e ‘Memórias de Toni’.

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O coletivo é formado por produtores e entusiastas do audiovisual mato-grossense, todos afrodescendentes, e tem por objetivo discutir temáticas relacionadas às questões raciais e suas interseccionalidades. O nome veio em homenagem ao Quilombo do Quariterê, localizado na região de Vila Bela, primeira capital do Estado.

“A história do quilombo é a história de Teresa de Benguela, rainha do Quariterê. Sua resistência heroica e seu espírito democrático foram inspirações para a criação desse lugar de aquilombamento para os profissionais do audiovisual mato-grossense, esse lugar onde podem chegar e se reconhecer entre pares”, explica o coletivo.

O grupo surgiu em 19 de setembro de 2017, depois de uma participação na Oficina de Cinema Negro ministrada pelo Prof. Dr. Celso Prudente na Universidade Federal de Mato Grosso, entre 11 e 14 de setembro do mesmo ano.

Cerca de um ano antes, em 2016, chamou a atenção dos profissionais negros do audiovisual o fato de a I Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso, marcada para acontecer no mês da Consciência Negra, em novembro de 2016, ter sido pensada, planejada e protagonizada por uma empresa produtora local onde todas as pessoas envolvidas no projeto eram brancas.

Além disso, os convidados para compor as mesas e palestras eram majoritariamente pessoas brancas, que se propunham a discutir narrativas e experiências negras, em filmes repletos de representações estereotipadas, objetificadas e subalternizadas. A justificativa era de que não havia, no estado de Mato Grosso, profissionais negros no setor audiovisual aptos para debater os temas.

A situação gerou protestos nas redes sociais, que exigiram da Secretaria de Cultura do Estado retratação e providências para solucionar a questão. Diante da situação, a I Mostra de Cinema Negro foi suspensa. Houve muitas reuniões e por fim, após muitos debates, ocorreu uma reorganização.

“Naquele momento a SEC-MT acatou que era necessário tratar das temáticas e pautas raciais contando com a experiência de profissionais e os argumentos de pessoas que vivenciam na pele estas questões e que, exatamente por isso, possuem propriedade argumentativa. Diante disso, foram convidados profissionais negros para compor a equipe organizadora da I Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso, que foi realizada cerca de 20 dias após o Dia Nacional da Consciência Negra”, lembram.

Em quatro anos de existência, o Coletivo Quariterê já organizou três edições Mostras de Cinema Negro, e atualmente prepara-se para realizar a nova edição, que em razão da pandemia de COVID-19 acontecerá na internet.
 
Outra ação do coletivo é a Sessão Afrocine, que ocorre desde o ano de 2018. Criado em parceria com o Cineclube Coxiponés da UFMT, ela exibe filmes selecionados em todas as edições das Mostras de Cinema Negro, bem como outros filmes convidados, e conta com debates em data mensal fixa, no auditório do Centro Cultural da UFMT.

O Coletivo possui também ações diretamente ligadas ao debate e à luta pela implementação de políticas públicas afirmativas, bem como a discussão sobre a inserção da pessoa negra no mercado (contemplando do mesmo modo outras “minorias”).

Em 2019, o Coletivo Quariterê produziu de maneira independente o primeiro filme do Coletivo: "A Velhice Ilumina o Vento", de Juliana Segóvia (ainda sem data de estreia), com apoio das produtoras Latitude Filmes e Plano B Filmes e com o patrocínio da Agro Serra nos custos básicos da produção (alimentação, deslocamento, aluguel de Van).

Neste momento de pandemia, o Quariterê desenvolveu o projeto QuariTV, no qual entrevista pessoas de diversas áreas para falar sobre negritude e também sobre o momento atual na perspectiva da população negra. A próxima reunião do Grupo será no dia 01 de agosto, das 15h às 17h, com leitura do texto “Dogma Feijoada: a invenção do cinema negro brasileiro”, que iluminará a conversa sobre o filme “Carolina” (2012), de Jeferson De. Para participar do grupo de estudos, siga o Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê no facebook.com/coletivoquaritere

Cine Comentário Sonoro 

Além da exibição dos curtas, o coletivo participa, também, da série Cine Comentário Sonoro às 19h30 de 04 de agosto (próxima terça-feira, em que a programação da Temporada de Filmes Online continuará destacando os curtas do Coletivo Quariterê).
 
Em um dos episódios, Maurício Pinto relembra bastidores de produção de “Pandorga”. No outro, Isabela Ferreira divide memórias sobre a realização de “Como ser racista em 10 passos”, curta premiado na MAUAL 2018.
 
Na série “Cine Comentário Sonoro”, realizadores relembram histórias associadas à produção de seus filmes, através de uma faixa de comentário sonoro integrada aos curtas. A série é uma parceria entre realizadores, o Cineclube Coxiponés da UFMT e a Rede Cineclubista de Mato Grosso (REC-MT). Todos os episódios estão disponíveis no canal do YouTube do Cineclube Coxiponés. 
 
Sinopse dos curtas compartilhados
 
Abecedário: encontros e desencontros nas letras mato-grossenses (Jonathan César, 2017, 30’)


Aqui, através de memórias, também se conta a história das letras em Mato Grosso para além da instituição. Os encontros e os desencontros que ressignificaram o alfabeto português no centro da América do sul e formaram outra coisa, outro abecedário.

Como ser racista em dez passos (Isabela Ferreira, 2018, 13’) 

Curta provocativo que traz à tona e confronta o racismo estrutural velado, através de situações sensíveis, normalizadas e naturalizadas que serão facilmente identificadas pelo público. O filme mostra a realidade cotidiana de pessoas negras comumente afetadas pelo racismo enraizado, por atitudes que vão além do verbalmente dito. O racismo é real e precisa ser discutido.
 
Leonina (Rodolfo Luiz, 2017, 5)

O curta acompanha instantes da vida de Leo. A felicidade para todos é relativa e para Leo é muito simples: viva.

Memórias de Toni (Corte Seco Produções, 2020, 11’)

Toni Bernardo veio da Guiné-Bissau para Cuiabá por um convênio com a UFMT para estudar economia, mas no dia 22 de setembro de 2011 foi espancado e morto em uma pizzaria próxima à universidade. Quase nove anos depois o documentário “Memória de Toni” traz a lembrança desse caso no momento em que o mundo protesta contra o racismo e vários movimentos sociais reivindicam  justiça para Toni.
 
Pandorga (Maurício Pinto, 2017, 17’)


Acompanhados de um envelope que guarda o futuro, um casal (Ella Nascimento e Álamo Facó) decide viajar numa estrada cheia de memórias e sentimentos. As reflexões e acontecimentos no caminho podem reconstruir sua história.

Poemargens (Anna Maria Moura & Sol Ferreira, 2020, 25’)

Sinopse: Sol e Ananás coadunam em poemas, investigando as possibilidades de comunicação entre poesia marginal e performatividade para uma produção artística singular e autoral onde rimas se tecem e trajetórias se recriam.

Se acaso a tempestade fosse nossa amiga eu me casaria com você (Wuldson Marcelo & Felippy Damian, 2015, 20’)

Um dia na vida de um casal de namoradas. A crise no relacionamento, que completou seis anos, aprofunda-se com os transtornos emocionais que acometem Bárbara (Juane Mesquita) e a inversão de papéis, que coloca Karina (Thaísa Soares) como a divertida e festeira das duas. Neste dia tudo o que foi até então silenciado explode e a casa se torna local de estranhamento e terapia.

Sob os pés  (Juliana Segóvia e Neriely Dantas, 2015, 20’0)

O calor de 40º graus, a sinuosidade das ruas cuiabanas e o relevo irregular da cidade tornam-se obstáculos instigantes para os praticantes de skate. Aparentemente encerrados em recônditos discretos aos olhos alheios, os skatistas permeiam a cidade de Cuiabá revelando-se um grupo conciso, organizado, solidário e singular.

Serviço

Temporada de Filmes Online, com compartilhamento de oito curtas de realizador@s do Coletivo de Audiovisual Negro Quariterê.
Quando: A partir das 19h30 de terça-feira, 28 de julho de 2020.
Onde: facebook.com/cineteatrocuiaba (Link Publicações).
Classificação indicativa: a ser consultada.
Mais informações pelo email: pautacineteatrocuiaba@gmail.com
Curtas ficarão disponíveis no link: https://wp.me/pbQLhj-rL

1 comentário

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  • Laís Ribeiro
    28 Jul 2020 às 16:44

    Nem pagando assisto isso.

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