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Segunda-feira, 09 de dezembro de 2019

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Cardiologista explica os riscos da automedicação para o coração

Dr. Juliano Slhessarenko

02 Dez 2019 - 11:14

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Cardiologista intervencionista. Doutor em cardiologia pela USP; Atendimento: Clinmed (65) 30559353, IOCI (65) 30387000 e Espaço Piu Vita (65)30567800

Cardiologista intervencionista. Doutor em cardiologia pela USP; Atendimento: Clinmed (65) 30559353, IOCI (65) 30387000 e Espaço Piu Vita (65)30567800

Seu João, 50 anos, vem ao consultório com sintomas de tonturas e mal estar. Relata que mediu a pressão arterial na farmácia e disseram que estava alta. Começou a tomar remédio para pressão alta ali mesmo, na farmácia, sem receita. Sem orientação, passou a tomar os remédios de forma irregular e sem saber a dosagem. Ao fazer exame físico, verifico a pressão arterial que está muito baixa (80/50mmHg). Explico que não deveria ter feito isto, pois pode estar com o diagnóstico de hipertensão errado e com risco de queda.

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A hipertensão continua sendo um dos principais desafios da saúde pública, e contribui para a maioria das doenças cardiovasculares em todo o mundo.  Pelo menos 970 milhões de pessoas em todo o mundo têm hipertensão, e estima-se que esse número suba para mais de 1,5 bilhão em 2025. Embora o tratamento adequado da hipertensão esteja associado à redução de eventos cardiovasculares, apenas 25% dos pacientes com hipertensão têm controle adequado da pressão arterial. A automedicação inadequada também pode levar a erros de diagnóstico, dosagem inadequada, duração prolongada do uso e polifarmácia.
 
Pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, são altamente propensos a automedicar. Estudos de pacientes com doenças cardiovasculares relataram o uso comum de medicamentos de venda livre, bem como medicamentos complementares e alternativos. A automedicação entre pessoas com hipertensão é de particular interesse, pois, apesar de a hipertensão ser um fator importante para um risco global de mortalidade e morbidade, os pacientes frequentemente desenvolvem estratégias de tratamento pessoal.
 
Compreender as práticas de automedicação de pessoas que vivem com hipertensão é importante para garantir uma gestão bem-sucedida da hipertensão.  No entanto, é importante reconhecer que as práticas de automedicação podem se apresentar de várias formas, não apenas como o uso autoiniciado de terapias alternativas.  No sentido mais amplo, as práticas de automedicação abrangem: o uso de medicamentos sem receita médica; o uso de medicamentos prescritos sem receita médica e o uso de, por exemplo, fitoterápicos, suplementos nutricionais e remédios caseiros.
 
A ingestão de medicamentos sem receita médica é a maneira mais simples de definir a automedicação.  Esses medicamentos são geralmente referidos como "vendidos sem receita" ou "sem receita médica" e são encontrados em farmácias, supermercados e outros estabelecimentos.
 
Por outro lado, os medicamentos prescritos pelos médicos são referidos como produtos com receita médica. A automedicação, muitas vezes vista como uma solução imediata para alguns sintomas, também pode trazer consequências mais graves do que se imagina, como reações alérgicas e dependência.
 
É surpreendente que muitas pessoas não vejam nenhum problema com a automedicação, mas a questão permanece: por que as pessoas se envolvem em automedicação apesar de estar cientes do perigo que isso representa para a saúde? Por que as pessoas se automedicam?
 
As pessoas tomam medicamentos sem a prescrição de um médico por várias razões.  Enquanto alguns visam reduzir o tempo e o custo da consulta clínica, outros simplesmente banalizam doenças e recorrem à automedicação.  Outros fatores podem ser causados ​​por inseguranças pessoais e pelo medo de perder o emprego devido a doenças diagnosticadas, doenças mentais, alívio rápido da dor, depressão ou mesmo ignorância.
 
Quais são os perigos da automedicação?
 

A automedicação pode parecer correta no início, mas é preciso considerar os possíveis efeitos colaterais dessas ações desinformadas.  A automedicação pode levar a toxicodependência, alergia, habituação, agravamento da doença, diagnóstico e dosagem incorretos, ou mesmo incapacidade e morte prematura.  Esta é a razão pela qual as pessoas devem evitar a automedicação a todo custo.
 
Diretrizes sobre como parar a automedicação:

 
Consulte um médico
Procure ajuda de pessoas ao redor
Aprenda com o erro de outras pessoas
Participe de uma reabilitação
Auto-motive-se
 
Um ponto a ser observado é que o farmacêutico também desempenha um papel enorme na questão da automedicação.  Com pressa de ganhar muito dinheiro, alguns farmacêuticos incentivam as pessoas a comprar seus medicamentos sem receita médica.  E, em alguns casos, eles até prescrevem os medicamentos para seus clientes. Isso está errado, porque o farmacêutico é responsável pelo dever de dispensar medicamentos.  É o médico que prescreve esses medicamentos.
 
Todos os dias vemos propagandas de remédios na mídia, os quais são amplamente ingeridos pela população, porém, todos eles têm efeitos benéficos e adversos, podendo gerar alergias, que podem ser leves como coceira e vermelhidão, moderadas como inchaço e erupções na pele ou tão graves como o choque anafilático, sonolência, diminuição de reflexos, arritmias e, se consumidos em doses tóxicas, até o risco de morte.
 
Além disso, o medicamento que serve para o vizinho ou familiar pode fazer um mal terrível para você. O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar, inclusive, no agravamento de uma doença, uma vez que a utilização inadequada pode esconder determinados sintomas.
 
A atenção deve ser dobrada para o consumo de medicamentos para pressão e coagulação, por exemplo, pois estes podem afetar diretamente a saúde do seu coração.

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