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Home Office de mulheres: Oficina 89 comemora 5 anos com trabalho voltado para as redes sociais

Da Redação - Isabela Mercuri

08 Jul 2019 - 09:21

Foto: Olhar Conceito

Eloísa (esq.) e Juciara (dir.)

Eloísa (esq.) e Juciara (dir.)

Quando Eloisa Gomes e Juciara Santos, colegas de faculdade, decidiram abrir o próprio negócio, mergulharam em um mar de incertezas. Antes empregadas, com carteira assinada, em uma agência de publicidade, as duas criaram a ‘Oficina 89’, há cinco anos. O único investimento foi a coragem, a confiança no próprio trabalho, e uma câmera fotográfica. O restante elas já tinham para trabalhar em home Office. Em uma semana, já conseguiram os primeiros clientes, e hoje alcançaram importância no mercado mato-grossense do gerenciamento de redes sociais, mesmo lidando com machismo e com aqueles que acham que “todo mundo sabe” fazer o trabalho delas.

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“A gente trabalhou junto em uma agência, por dois anos, e sempre via que o processo que era feito ali dentro tinha alguns escapes, algumas coisas queríamos facilitar, mas por sermos só funcionárias, não tínhamos como fazer”, lembra Juciara. Na época, as duas até chegavam a pensar em trabalhar para si mesmas – mas cada uma com sua empresa, já que Juciara é jornalista, com especialização em assessoria de empresas, e Eloísa é publicitária, com pós-graduação em redes sociais.

A ideia de criarem algo juntas veio do pai de Eloísa, logo após terem saído da agência, e elas aprovaram.  “Numa tarde já pensamos que seria Oficina 89, [pensamos] na logo, em como a gente queria nosso negócio... e na semana seguinte a gente lançou”, lembram. O investimento inicial foi praticamente zero, já que até mesmo os cartões de visita foram presente de uma amiga, e o trabalho era em home Office.

Apesar da vantagem do investimento baixo – e de não ter que pegar trânsito - trabalhar em casa também era um desafio. Para conseguir diferenciar o que é obrigação do que é descanso e lazer, cada uma tem a sua tática. Juciara, por exemplo, não consegue trabalhar sem tirar o pijama, e tenta ao máximo não deixar o ambiente doméstico interferir, nem mesmo seus animais de estimação. Eloísa, por sua vez, criou um escritório e, quando entra ali, não gosta de ser incomodada.

Além de estabelecer um limite para si mesma, elas também têm de colocar este limite no cliente. “O problema maior é ficar sem horário, e muitos clientes não entendem que a gente tem que parar também. Então a gente recebe mensagem meia noite, cinco da manhã, três da manhã...”, lamenta Eloísa. “À noite eu silencio o meu celular, porque chega um horário que, ou a gente acaba focando em outras coisas, ou não desliga do trabalho. E querendo ou não a gente trabalha com ideias. Se você está muito cansado, esgotado mentalmente, nada sai”, completa Juciara. A máxima, no entanto, pode ser quebrada caso haja algum caso urgente.

Muitos outros desafios imperam no dia a dia da Oficina 89. No início, era mais complicado lidar com o machismo, e com a ideia que os clientes têm de que “todo mundo sabe gerenciar redes sociais”. A dupla já precisou, inclusive, cancelar contratos por motivos como estes.

“Eu sempre tenho uma postura um pouco mais séria, principalmente quando a gente vai fazer alguma reunião com homens. Todo mundo chama a gente de meninas, já começa por aí. E eles sempre, quando vão conversar, querem ‘crescer’ em cima da gente, falar um pouco mais alto, interromper nossa fala... Acabamos, com o tempo, aprendendo a nos posicionar”, lembra Juciara. “Geralmente os homens são mais agressivos na forma de posicionar. Nós somos as profissionais, a gente sabe o que está falando. Eu não passo o dia inteiro pesquisando à toa. Mas eles acham que sabem ainda mais. Essa é a parte complicada, e a gente aprendeu, sofrendo bastante”, completa.

Apesar das dificuldades, em cinco anos os ganhos foram muito maiores. Em menos de um ano, na realidade, as duas já atingiram o padrão de vida que tinham na agência e, apesar da instabilidade de serem empreendedoras, tem valido a pena. Para o futuro, o sonho das amigas e sócias é ter um espaço físico. “Tem gente que não leva muito a sério por ser home Office, então ter um espaço fixo pode ajudar”, finaliza Eloísa. 

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