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Sexta-feira, 24 de maio de 2019

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Artistas mato-grossenses criam zine e são selecionados para festival em São Paulo

Da Redação - Vitória Lopes

24 Fev 2019 - 15:00

Foto: Reprodução

Artistas mato-grossenses criam zine e são selecionados para festival em São Paulo
A união entre a literatura, fotografia e poesia fez com que um projeto independente brotasse e fosse concebido como o coletivo “A Fronteira”. O escritor Caio Augusto Ribeiro, o fotógrafo Pedro Duarte e a acadêmica em Letras Marcella Gaioto, tem em comum o flerte com a arte de escrever, que resultou em um zine que questiona o existencialismo humano.

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O zine intitulado “Dentro do Ser”, que trabalha com múltiplas linguagens, foi selecionado para participar de duas importantes mostras da literatura brasileira, a 3º Feira Interativa de Zine e Afins (FIZ) e o 4º Festival de Leitura e Literatura de Bauru (FELELI), que serão realizadas entre abril e maio deste ano, em São Paulo.

É inerente do ser humano, em dado momento da vida, se questionar sobre o porquê ou a importância de estar vivo. A partir dessas questões filosóficas, Marcella lançou a ideia de fazer uma fanzine existencialista. Como Caio já tinha três livros publicados – O Colecionador de Tempestades (2017) e o recente Manifesto da Manifesta (2018) – e também já produziu revistas independentes por R$ 0,50 no Liceu Cuiabano, ele somou o trio com Pedro e Marcella.

“Ela trouxe a ideia da gente questionar o que é o ser? O que tem no ser? E dentro disso, decidimos brincar com a nossa realidade daqui, o animal, o bicho, será que somos todos bichos? Aqui em Cuiabá temos uma relação muito forte com os animais, então a gente decidiu pegar alguns animais e criar novas metáforas pra eles, criar a nossa própria mitologia de seres”, explica Caio sobre o conceito da publicação.

Mesmo em tempos de crise no mercado editorial, as publicações independentes sempre serão a morada de jovens artistas. Muitas feiras e festivais, inclusive, incentivam essas produções. Ainda que tenha livros publicados, Caio explora outras fronteiras. “A zine vem somando força em todo o cenário nacional, só pelo fato de ter feiras só de fanzines e o mercado crescer muito, é uma resposta de que agora as grandes empresas e o mercado de literatura estão abalados e a literatura independente vai ganhar mais força, porque a galera vai se unir”, conta.

O processo de elaboração do zine demonstra a união entre os artistas, que colaboraram juntos com as poesias, e as ilustrações trazidas por Marcella. Após a confecção, “Dentro do Ser” foi inscrito na feira, e selecionado uma semana depois.

“Escolha uma música e dance comigo”
 

Também ligado nas artes cênicas, Caio relata que recentemente o grupo se reuniu para realizar uma integração público artista. Na Praça Alencastro, com uma plaquinha e um fone de ouvido, eles pediam para as pessoas que dançassem com eles, após escolher uma música.

A princípio, os transeuntes estranham a atitude, mas logo entram na dança. “A gente acha que algumas fronteiras devem ser punidas e uma delas é a fronteira do espaço público. As pessoas precisam agora tomar o espaço publico, ainda mais a praça que escolhemos que tem essa dicotomia. O caixote que as pessoas ficam presas querendo pegar o ônibus e a praça onde as pessoas ficam mais tranquilas, fumando um cigarro e ouvindo uma música”, disse.

Aliás, a interação público artista vai além do “escolha uma música e dance comigo”. Nas vendas do zine, os artistas gostam de marcar um encontro para entregar a revista e conhecer o leitor. “Quer comprar nosso trampo? Então a gente conversa, a gente se entende, nem que seja uma troca de ideia rápida, mas a gente quer ter esse contato com quem está lendo a gente. Essa é a nossa fronteira e queremos comer essa fronteira. Quantos livros e quantas zines você lê e você nem conhece o autor”, finaliza Caio.

O custo da zine é R$ 7,50 por exemplar. Mais informações pelo (65) 99668-7299.

7 comentários

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  • Regina
    01 Mar 2019 às 17:13

    Criatividade, quebra de padrões , muito bons

  • Ruth Albernaz
    26 Fev 2019 às 06:54

    Gostei muito. A arte em Campo expandido acessível e sensível. Continuem, o mundo está carente de Arte.

  • Edson
    25 Fev 2019 às 08:52

    Parabéns, belos e profundos poemas! estética interessante do fanzine. Continuem!

  • Valeria Ribeiro
    24 Fev 2019 às 17:59

    Jovens alienados...

  • Tamires Arruda
    24 Fev 2019 às 15:22

    Está explicado o atraso brasileiro.

  • Borba Silva
    24 Fev 2019 às 15:21

    Péssimo material...

  • Vinicius Tenuta
    24 Fev 2019 às 15:21

    Quanto desperdício de tempo...

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