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Sábado, 28 de novembro de 2020

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Eduardo Mahon coleciona peças raras e vários nomes das artes visuais de MT

Da Redação - Lidiane Barros

30 Jul 2013 - 08:28

Foto: Lidiane Barros / Olhar Conceito

Eduardo Mahon posa ao lado da obra São Benedito, de Adir Sodré

Eduardo Mahon posa ao lado da obra São Benedito, de Adir Sodré

Usualmente, advogados preenchiam estantes inteiras com diversos volumes de livros invariavelmente voltados para o Direito para decorar seus escritórios. Mas se o local de trabalho em questão for o do imortal da Academia Mato-Grossense de Letras, Eduardo Mahon, prepare-se para encontrar uma variedade de esculturas, telas, murais, objetos antigos e detalhes artísticos distribuídos por 1, 5 mil m².

Exposição revela a beleza de esculturas em plantas que são verdadeiras obras de arte

Alguns deles enchem os olhos por sua exuberância singela, como os peixes em cerâmica que seguem o trajeto de uma escada e estrategicamente as luzes dos leds se afunilam nos olhos destes, transpassando os pequenos círculos para enfim, refletir pequenos pontos na parede durante a noite.

Certamente o mercado de artes em Cuiabá ganhou grande impulso com a galeria de arte que ele cultiva onde passa grande parte do dia e que ele mantém não só por conta de valores materiais, mas pelo amor que tem a elas, afinal, é um colecionador nato e um entusiasta da cultura regional. Justiça seja feita!

Da trajetória de estudos iniciada em 1999 em Cuiabá até os dias de hoje, este carioca só colheu louros e tornou-se um dos profissionais de mais prestígio em todo o Estado. Mas nada do que conquistou, veio facilmente. De bolsista e monitor no colégio São Gonçalo até formar-se como primeiro colocado na Universidade Federal de Mato Grosso trabalhou muito: “Teve uma época que o meu pai tinha um açougue e eu brincava que era professor, açougueiro e acadêmico de direito”. Daí foi um passo para ministrar aulas também na faculdade. “Primeiras causas, menos aulas...” e aqui está ele, como personagem desta matéria que busca delinear seu perfil de colecionador de arte.

Mas de onde veio essa predileção? “Não queria direito, queria ser produtor musical [sorri]. Sempre vivi com o corpo fincado em determinado lugar, mas com a cabeça em outra época. Queria viver aquela atmosfera musical do período áureo do rádio, de 1940 a 1960”. A propósito, enquanto dizia isso, era “acompanhado” por Dorival Caymmi ainda jovem, tocando em seu rádio de última geração, mas com “cara” de antigo. Uma peça vintage, descoladíssima! “Seu eu tocasse violão, jamais seria advogado”, brinca.

O gosto pelas artes, segundo ele, parece ter sido moldurado também, pela influência dos tios. “Um deles era especialista em ópera, outro, em música clássica”. Além disso, a infância vivida no Rio de Janeiro trouxe ainda mais referências. “Aos 12, 13 anos rodava o RJ, ia para centros culturais do Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica, Museu de Arte Moderna e tinha contato permanente com grandes nomes das artes plásticas, a exemplo, Volpi, Picasso e o artista plástico pernambucano Francisco Brennand, que mais tarde cheguei a visitar em seu ateliê em Recife. A primeira obra encomendada foi para Siron Franco”, relembra.

Além disso, ele vivia educando os ouvidos escutando os melhores da MPB em vinil. “Minha casa tinha pilhas e pilhas. Ouvia Francisco Alves, Orlando Silva, Dolores Duran e Erivelto Martins, entre outros. Como você não vai valorizar a arte crescendo em um ambiente assim?”

Alguns artistas de Mato Grosso ganharam muito com seu entusiasmo, pois muitos talentos receberam seu apoio. Quando se interessava pelo trabalho de algum deles, negociava obras e de contrapartida, ajudava na divulgação destes. Mostrava a seus colegas e muitos acabavam por comprar outras peças.

“Todo mundo sabe que eu sou carioca, mas queria me misturar a Cuiabá e além de tudo, a arte regional não era valorizada. Virou bandeira!” E pra começar o que viria mais tarde a ganhar vulto de uma grande galeria, foi pintado um mural de 15 metros, titulado Chuva de Caju, pelo artista Vagner Godói. Muitos outros artistas pipocam aos montes por entre as paredes do escritório, tais quais Ilton Silva, Gonçalo Arruda, João Sebastião, Clóvis Irigaray e Humberto Espíndola, dentre outros tantos. Sem deixar de celebrar dois quadro assinados de próprio punho por um dos maiores mosaicistas do Brasil, Athos Bulcão. 

Entre inúmeras obras de arte encontramos também peças únicas com uma carga histórica sem precedentes. É o caso de uma coleção de quase 400 anos, o Sermão da Montanha, do Padre Antonio Vieira.

As obras originais revelam detalhes editorias impressionantes como uma lista enorme de licenças exigidas para que um livro fosse publicado. Além do escritório de Mahon, as obras podem ser encontradas no Gabinete Real de Leitura Portuguesa do Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras e a Biblioteca de Lisboa, só para se ter uma ideia da importância desta aquisição. “Há apenas algo entre 10 a 12 coleções como esta no mundo todo”. Ao lado deles figura um grande crucifixo feito de madeira por um antigo restaurador de peças no Vaticano.

Além desta raridade, está exposta também, uma caneta de Dom Aquino que ele usou para tomar posse na Academia de Letras Mato Grossense, uma inspiração par ao jovem imortal, que além de se ver às voltas com o universo jurídico, ainda encontra tempo para atuar como animador da arte regional. Torço para que o escritório de Mahon alcance a categoria de arranha-céu.

Nas fotos há mais detalhes sobre as obras! Divirta-se!

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