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Engenheiro florestal cria loja de camisas ‘sem gênero’ em Cuiabá

Da Redação - Isabela Mercuri

23 Jun 2018 - 09:06

Foto: Passífica

Engenheiro florestal cria loja de camisas ‘sem gênero’ em Cuiabá
Quando entrava em lojas de departamento, o engenheiro florestal Rafael Taques, 25, sempre se deparava com o seguinte questionamento: porque as roupas eram separadas em ‘femininas’ e ‘masculinas’, e porque certos temas e estampas eram específicos para cada gênero? Recém-formado e buscando um novo projeto para sua vida, ele decidiu criar a ‘Passífica’, uma loja virtual de camisas sem gênero, para atender aqueles que, como ele, não se sentiam contemplados.

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Para desenvolver o projeto, ele contou com a ajuda da amiga Rachel Carvalho, que desenvolveu a logomarca, ajudou no nome e nas fotos dos produtos, e de Danilo Frederico, que passou a logomarca pro computador, foi modelo, e deu algumas dicas.

“O Rafa sempre quis abrir a própria loja. Ele tinha um plano de abrir uma loja com a prima dele, só que nunca dava certo, sempre ficava pra trás... e ele queria começar. Aí eu falei, então vamos começar agora”, lembra Rachel.

O ‘agora’, foi na noite de 12 de abril, quando os dois estavam no Metade Cheio e decidiram fazer um ‘brainstorm’. Rachel também já tinha sentido na pele a questão das roupas. “Eu adoro as camisetas masculinas que tem na [loja de departamento], e não gosto das femininas.  As estampas não me agradam, são sempre muito florais, coloridas...”, comenta. “Ou, se tem alguma frase, é tipo ‘princess’, ‘beautiful’. E as de homem são frases de empoderamento”, completa Rafael.

Os dois já sabiam que o intuito, então, era vender roupas sem gênero. A partir daí, precisavam de um nome. As ideias passaram por referências de signos, planetas e criatividade, até que os amigos chegaram ao ‘Passífica’, com ‘SS’ mesmo, que une o nome do oceano com a preferência sexual dos passivos.

“A gente estava entre o ‘criativa’ e o ‘passífica’, que fazem referência ao ativo e ao passivo. E a gente preferiu o passífica justamente por causa do preconceito que existe com homens gays passivos. No próprio meio gay existe preconceito com os passivos, que, no caso do mundo hétero, dá pra fazer um paralelo com a mulher. Então se relaciona com a misoginia”, explica Rafael. “E como a gente queria vender essas camisetas sem gênero, a ideia de você colocar um nome que remete a uma parcela dos homens gays, dentro da própria comunidade gay, que são oprimidos... foi pra reforçar que as nossas camisas são pra todo mundo. É pra quem quiser, não tem diferenciação”, completa Rachel.

Nome escolhido, Rafael passou a pensar no que vender. Listou canecas com a bandeira LGBT, camisetas de séries e bandas (que ele chegou até a fazer o pedido na loja, mas foi negado) e, por fim, as camisas sem gênero.

O engenheiro, então, investiu cerca de R$9 mil comprando as camisas no atacado, de fornecedores que já conhecia e confiava. Segundo ele, até tinha vontade de criar uma confecção, mas para isso precisaria de mais recursos financeiros.

As vendas da ‘Passífica’ começaram no último dia 10 de junho, e são feitas via Instagram. Hoje, estão disponíveis mais de vinte estampas, em todos os tamanhos, e que custam R$120 (manga curta) e R$135 (manga longa). As estampas preferidas do público, até então, são a de bananeira e a ‘traveira’ (caveira com flores).

Rachel e Rafael com a camisa de folha de bananeira (Foto: Passífica)

Para o futuro, o intuito é conseguir viver só da loja e, quem sabe, ter um espaço físico. Por enquanto, a Passífica entrega as roupas para quem comprar, e pode até levar uma maleta com diferentes estampas e tamanhos para que o cliente prove, em Cuiabá.  

“Eu acho que as pessoas têm que usar o que elas se sentem confortáveis. Se elas se sentem confortáveis comprando uma camiseta escrito ‘princess’, vai fundo! Eu não me sinto, e é por isso que eu me identifiquei com a proposta. E quem confiar, quem se sentir desconfortável e quiser uma camisa que te represente, tem a Passífica”, afirma Rachel. “Sem contar que as estampas são maravilhosas! Não se acha estampa assim aqui em Cuiabá, é bem difícil”, finaliza Rafael.

Serviço

Conheça as camisas da Passífica AQUI.
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