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Sexta-feira, 19 de julho de 2024

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Ingrid Bergman na intimidade

Ao longo de cinco décadas, ela ajudou a contar histórias de amor, ódio, poder, cobiça e fé em filmes que falaram ao coração de gerações. Agora, um luxuoso livro com imagens raras, das quais muitas nunca estiveram ao alcance dos olhos do grande público, pretende contar a trajetória profissional e, principalmente, pessoal de Ingrid Bergman (1915-1982), um dos rostos mais icônicos do século XX. Compilado pela editora alemã Schirmer/Mosel, a fotobiografia “Ingrid Bergman: A life in pictures”, chega às livrarias alemãs e americanas em outubro (a Amazon americana já aceita encomendas), como um dos capítulos mais aguardados da série de eventos relacionados à comemoração do centenário de nascimento da atriz sueca, que morreu de câncer em 1982, aos 67 anos de idade.


Infância e juventude

Idealizado pela atriz Isabella Rossellini, filha de Ingrid com o diretor italiano Roberto Rossellini (1906-1977), em conjunto com o editor Lothar Schirmer, veterano colecionador de fotos, o livro repassa o caminho percorrido pela estrela de “Casablanca” (1942) desde a infância e juventude até seu último trabalho, no telefilme “Golda” (1982). Os quatro filhos de Ingrid — Isabella, Pia Lindström, Ingrid e Roberto Ingmar Rossellini — abriram os arquivos da família, permitindo acesso a preciosidades como fotos da atriz quando criança, tiradas por seu pai, Justus, e instantâneos de outros momentos de intimidade com os filhos, os maridos e os amigos. A publicação também foi buscar material no acervo da Universidade de Wesleay, em Connecticut (EUA), que concentra todos os documentos relacionados à artista. São 384 fotos, espalhadas por 500 páginas.

— Nosso principal critério foi buscar fotos que ajudassem a contar a vida de Ingrid. Mas, claro, elas tinham que ser interessantes e, também importante, não muito conhecidas — explica Schirmer, que já publicou quatro outros livros fotográficos com Isabella, entre eles “In the name of the father, the daughter and the Holy Spirits. Remembering Roberto Rossellini” (2006), dedicado ao diretor italiano. — Organizamos o livro em sete capítulos, começando em 1915, com as primeiras fotos de Ingrid ainda bebê, e terminando com uma foto de um telão exibindo “Casablanca” numa rua de Tóquio, lotada de gente, em 1985. O número de fotos é grande porque ela teve uma trajetória incrível e trabalhou duro durante toda a vida.

“A life in pictures” acompanha todo o percurso de Ingrid, da infância em Estocolmo até os cada vez mais raros filmes da velhice, passando pelos verões da adolescência e a fase áurea em Hollywood. Criada pelo tio depois da morte prematura dos pais — tinha 2 anos de idade quando a mãe morreu e 12 quando chegou a vez do pai —, a atriz começou a fazer cinema ainda na Suécia, antes de se mudar para os Estados Unidos, no final dos anos 1930, onde se transformaria em um de seus maiores ícones. Lá, virou protagonista de um dos maiores escândalos da década de 1950, quando abandonou o primeiro marido, o também sueco Peter Lindström, para se juntar a Rossellini, com quem viveu por sete anos.
Em um dos vários textos do livro, a produtora Irene Mayer Selznick, filha de Louis B. Meyer, dono do estúdio MGM e amiga íntima da atriz, lembra as circunstâncias do encontro entre a estrela e o diretor italiano, que a convidara para fazer um filme na Itália (“Stromboli”, 1950), e descreve o momento em que percebeu que estavam irremediavelmente apaixonados. “Não temos tempo para escrever porque estamos muito felizes”, dizia um curto telegrama enviado por Ingrid à amiga americana, diretamente do set do filme.

O livro contém outros textos reveladores sobre a atriz, assinados por nomes como Ernest Hemingway, Jean Renoir, John Updike, Alfred Hitchcock (com quem rodou “Interlúdio”, em 1946, e “Sob o signo de Capricórnio”, em 1949) e o próprio Rossellini. O prefácio foi escrito especialmente para o livro pela atriz sueca Liv Ullman, com quem Ingrid trabalhara em “Sonata de outono” (1978), de Ingmar Bergman, com quem mantivera um relacionamento mais próximo desde então, até a morte da estrela. “Ela costumava nos telefonar durante seus últimos três anos de vida”, escreve Liv, lembrando as reuniões regulares de um grupo de atrizes suecas com Ingrid.

Richard Avedon e Irving Penn

Para Schirmer, nenhuma outra atriz daquela época conjugava tão perfeitamente talento e beleza. A equipe de fotógrafos que ajudou a eternizar os atributos da estrela, com trabalhos reproduzidos no livro, também é estelar: Richard Avedon, Cecil Beaton, Irving Penn e Horst P. Horst, entre outros.

— Ingrid era dona de uma beleza que não envelhece. Ela combinava a figura da heroína da classe operária e da classe alta numa pessoa só. Uma artista altamente profissional e, ao mesmo tempo, uma mulher que prezava a família. Acho que, se há uma atriz do século XX que mereça ser louvada, esta é Ingrid Bergman — elogia o editor, responsável por “Marilyn’s complete last sitting”, livro com fato material iconográfico sobre Marilyn Monroe, com 2.571 fotos, lançado em 1982, que considera seu projeto mais complexo. — Embora o livro sobre Ingrid envolva um número bem menor de fotos, ele também foi complicado, porque a coleção particular da família é enorme. Além disso, tivemos que negociar muito material com agências de fotografia.
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